Comportamento

Pais devem permitir que os filhos adolescentes transem em casa?

Lumi Mae/UOL
Quais regras e limites devem ser impostos para que eles não percam o respeito pelos pais? imagem: Lumi Mae/UOL

Andrezza Czech

Do UOL, em São Paulo

Há quem acredite que a filha vai se casar virgem. Outros são da teoria de que "o que os olhos não veem, o coração não sente".  Alguns, mais corajosos, defendem que os filhos(as) levem os namoradas(os) para dormir em casa, assim estarão mais seguros. Mas até o pai mais moderno costuma sentir um aperto no peito quando a filha vira para ele e diz: "já está tarde para meu namorado ir embora. Ele pode ficar em casa?". Qual resposta deve ser dada em uma hora dessas? Quais os limites devem ser impostos? O UOL Comportamento conversou com especialistas para ajudar a resolver o dilema familiar da melhor forma possível.

Deixar ou não deixar? Eis a questão
"É importante se questionar para perceber se há espaço para que isso aconteça", diz a psicóloga Lélia Reis, pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP). "Você pode ouvir barulhos no meio da noite e, se os relacionamentos não durarem muito tempo, terá que se acostumar com a rotatividade". Se a resposta não estiver na ponta da língua quando o adolescente o questionar, não dê desculpas nem mude de assunto. "Se não dá conta, seja honesto", diz Lélia. "Diga que irá pensar numa saída, mas que não se sente à vontade ainda".

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama, é melhor só permitir que namorados durmam em casa quando os filhos estiverem mais perto da maioridade. “Muitos jovens estão aquém da maturidade emocional exigida para o sexo e seguem os instintos sem saber as consequências do que estão fazendo”, diz ela. "Estimular a vida sexual tão cedo não é bom".

Se eu permitir, eles perderão o respeito por mim?
“Dificilmente. A menos que os pais sejam totalmente liberais ou não tenham educado seus filhos para os respeitarem”, diz Marina. É importante que os pais do jovem, independentemente de continuarem casados ou não, cheguem a um consenso sobre como vão lidar com a situação e passem as mesmas normas para os filhos. Se as regras forem estabelecidas com clareza, não há com o que se preocupar. "Eles só perdem o respeito se não houver limites", diz a psicanalista e sexóloga Maria Alves de Toledo Bruns, líder do grupo de pesquisa Sexualidade e Vida. "Não dá para ter uma pessoa diferente por dia saindo do quarto do seu filho ou pegá-lo no sofá da sala com alguém".

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Devo impor regras?
Sim, sempre. "Os filhos até esperam por isso, pois sentem que estão sendo cuidados", diz Marina Vasconcellos. "Eles encaram como uma falta de atenção quando os pais são muito permissivos". Depois de chegar a uma conclusão com seu parceiro e estabelecer quais são os limites, dias e horários permitidos, é bom deixar claro para os filhos o que pode ou não ser feito. "É importante que os pais tenham informações sobre quem é o namorado ou a namorada, ter contato com a família e até ligar para avisar quando a pessoa for dormir em casa", diz a psicanalista e sexóloga Maria Bruns. Para ela, a maior preocupação deve ser ao decidir até que ponto a intimidade da família deve ser compartilhada com uma pessoa de fora. "Levar alguém que encontrou na festinha ou no barzinho é muito precipitado".

Que conversas ter?
"“Você percebe a maturidade dos filhos pelas conversas", diz Marina. "Se eles já têm idade para fazer sexo, têm idade para dialogar". Além do papo sobre doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, prevenção e métodos contraceptivos, outros assuntos devem ser abordados. Para Lélia Reis, é essencial também falar sobre relacionamentos e sentimentos. "Diga como lidar quando a pessoa não liga no outro dia, fale sobre inseguranças com o corpo e explique para a menina que o homem não vai achá-la fácil se ela tiver camisinha na bolsa", diz. Os pais também devem levar o filho ao urologista e a filha ao ginecologista para acompanhar o desenvolvimento e ajudar a esclarecer questões.

Como não deixá-los constrangidos com o papo?
"Converse da maneira mais natural possível, assim eles encararão de uma maneira tranquila", diz Marina Vasconcellos. O problema é que essa naturalidade não surge da noite para o dia. Não adianta mudar de canal cada vez que vê uma cena picante na novela ao lado do filho e, uma semana depois, vir com papo sobre camisinha. "A família cria seus próprios tabus ao longo do processo educacional", diz a sexóloga Maria Bruns. "E o diálogo deve ocorrer antes da adolescência". Para ela, o ideal é aproveitar oportunidades ao ver filmes, novelas ou noticiários ao lado dos filhos. Até mesmo histórias de pessoas próximas podem servir como um pretexto para comentar sobre sexo -sempre aos poucos e no tom de conversa, não de lição. "Deixe claro que o filho tem a liberdade para falar sobre isso ou não. A confiança é conquistada desde a infância, aos poucos", conclui Lélia.

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