Relacionamento

Após ser abandonado no altar, escritor faz longa viagem para saber como o mundo faz amor

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"Como o mundo faz amor" é a busca do escritor Franz Wisner para entender os relacionamentos imagem: Thinkstock

Rafael Roncato

Do UOL, em São Paulo

Muitos casamentos não dão certo. Outros, porém, nem chegam a acontecer. Foi o caso do escritor norte-americano Franz Wisner, deixado no altar pela noiva que não apareceu na cerimônia. Mesmo com o choque do abandono, Wisner resolveu continuar com a lua de mel, já paga, de forma diferente: dando a volta por cima e pelo mundo.

O escritor convidou o irmão mais novo, Kurt Wisner, para uma viagem de dois anos, passando por 53 países, para conhecer as mais variadas formas de amor e relacionamento. "Ao longo da lua de mel, escrevia pequenos textos, mais sobre as pessoas do que sobre os lugares", conta Wisner. O resultado foi seu primeiro livro "Honeymoon with My Brother " (Lua de Mel Com Meu Irmão, não publicado no Brasil). O livro foi um sucesso de vendas e teve os direitos vendidos para virar um filme.

Após ser incumbido de escrever um novo livro, Wisner quis continuar com suas viagens, sempre acompanhado por seu irmão: "Queria escrever sobre a coisa que mais me interessou sobre o mundo --o amor". Para isso, o escritor passou pelo Brasil, Egito, Índia, República Tcheca, Nicarágua, Botsuana e Nova Zelândia, dando origem ao seu mais novo livro "Como o Mundo Faz Amor" (R$ 34,90, Verus Editora).

"Falamos com milhares de pessoas: jovens, velhos, ricos, pobres, homossexuais, heterossexuais", conta o norte-americano. Com isso, Wisner levanta reflexões sobre amor, relacionamento e, acima de tudo, humanidade. "Queríamos saber suas opiniões sobre o assunto mais importante na terra e acabamos vendo o amor de várias formas." Leia a entrevista que Franz Wisner concedeu ao UOL Comportamento.

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    Acompanhado do irmão Kurt Wisner (esq.), Franz Wisner viajou por 53 países em dois anos

UOL Comportamento: Qual foi a melhor parte de criar "Como o Mundo Faz Amor"?
Franz Wisner: Eu estava solteiro quando vendi a ideia do livro para a minha editora. Pensei que fosse o melhor trabalho do mundo para alguém assim como eu. Tinha a permissão de falar com qualquer pessoa do mundo e perguntar sobre o que é o amor. Mas quando comecei os preparativos para viajar, acabei me apaixonando. Um amor inesperado e improvável. Então, o livro acabou contando duas histórias de amor: a do mundo e a minha. Minha vida mudou muito desde a lua de mel com meu irmão, meus valores mudaram. Agora, vivo uma vida muito mais simples. Encontrei o amor durante essa viagem, mas não vou estragar a surpresa para as pessoas que pretendem ler o livro.

UOL Comportamento: De todos os países, qual foi o mais interessante?
Franz Wisner: A Índia é um lugar único. É uma enorme, diversificada e colorida contradição. São ricos e pobres, tolerantes e intolerantes, pacíficos e hostis, belos e feios. Conheci uma senhora na Índia que me disse: "Quando estiver entrevistando os casais, pergunte se eles se amavam no dia do casamento". Na ocasião, achei que fosse uma pergunta boba, claro que você ama a pessoa no dia do seu casamento. Ela me explicou que os ocidentais olham o dia do casamento como o ponto alto do amor. No entanto, problemas aparecem, falamos de reacender o amor voltando para a felicidade do dia do casamento. Então decidi perguntar. E muitos disseram, para minha surpresa, que não estavam felizes no dia do casamento. Diziam que isso não era possível. Amor é algo que vem com o tempo, com esforço e comprometimento. O amor cresce, você aprende a amar. A senhora me deu um conselho maravilhoso: "Se você quer que seu casamento seja um sucesso, veja o dia do casamento não como uma mansão, mas como um terreno baldio. Dessa forma, você vai pegar uma pá e começar a trabalhar."

UOL Comportamento: Você também veio ao Brasil. O que achou daqui?
Franz Wisner: Claro que fui ao Brasil. Não se pode escrever um livro sobre amor pelo mundo e não passar por aí. O Brasil é a musa do mundo, nossa luz orientadora. Eu acho que o amor e os relacionamentos são muito complicados no Brasil, especialmente para as mulheres. Perguntei para centenas de brasileiras o que esperavam de um homem e a resposta número um foi: que seja fiel. Mas eu também acho que o Brasil pode ensinar ao mundo muito sobre o amor. Tudo, desde a importância da família até a aceitação das relações inter-raciais, também o conceito de saudade e a importância do primeiro beijo. Lembro de entrar em um bar no Rio de Janeiro e todos estarem se beijando. Eu pensei que era um bar para casais. Mas uma amiga brasileira explicou que os casais tinham acabado de se conhecer. "Vocês americanos são loucos", disse. "Vocês esperam dois, três encontros até o beijo. Por quê não beijar logo? Um beijo vai lhe dizer tudo." Ela estava absolutamente certa.

UOL Comportamento: É mais fácil escrever sobre o amor ou amar?
Franz Wisner: Boa pergunta. Os relacionamentos mais saudáveis que eu vi ao redor do planeta foram os que pareciam mais fáceis e naturais. Os casais davam duro, mas esse "trabalho" era fácil e natural. Eles me convenceram que o amor, amor verdadeiro, amor duradouro, deve ser uma parceria da vida, não uma luta diária.

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