Sexo

Fingir orgasmo prejudica seu prazer e o relacionamento; saiba agir com o parceiro

Lumi Mae/UOL
Situação é mais comum em relacionamentos sem diálogo e intimidade imagem: Lumi Mae/UOL

Cléo Francisco

Do UOL, em São Paulo

Chegar ao orgasmo em uma relação sexual é sempre muito bom. Mas como isso nem sempre acontece, não é incomum que os parceiros acabem fingindo. O problema é que essa atitude tem consequências ruins para quem mente e prejudica o relacionamento, pois cria um cenário ilusório e empobrecido, sem margem para ousadias e enriquecimento. “Esse fingimento passa uma mensagem enganosa de que o que aconteceu foi suficiente para atingir o clímax sexual. O parceiro vai pensar que o jeito que a relação foi conduzida é suficiente para o outro e o sexo tende a se repetir do mesmo jeito”, afirma a psicóloga Margareth dos Reis, terapeuta sexual e de casais do Instituto H. Ellis.

Para a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, o problema começa logo após o término da relação sexual. “A pessoa que fingiu sai péssima. Percebe que não foi sincera, plena, que está enganando. Pode chegar num ponto em que a situação fica insustentável e, mais tarde, isso vai explodir”, diz Carla.

Motivos para fingir
Há vários motivos que levam alguém a não querer expor para o parceiro que não chegou ao clímax. “Tende a acontecer mais em relacionamentos em que não existe diálogo e intimidade para falar com liberdade ‘foi bom, mas não finalizei’", diz Margareth. "No caso das mulheres, também pode contar o receio de mostrar inexperiência e a expectativa de manter o homem, medo de perdê-lo, querer agradá-lo ao fazê-lo acreditar que ela teve orgasmo com ele”.

Embora seja mais comum que as mulheres finjam orgasmo, elas não são as únicas. Para eles é muito mais difícil fingir do que para elas. Mas é possível. “A camisinha dá a possibilidade de esconder isso”, diz Margareth.  “Eles têm estratégia, simulam prazer, movimentos. Depois vão para o banheiro, tiram e jogam o preservativo vazio e voltam prontos para outra relação rapidamente", diz o urologista e sexólogo Celso Marzano, professor da Faculdade de Medicina do ABC e autor do livro "O Prazer Secreto" (Editora Éden). "O homem pode fazer isso se quiser mostrar desempenho, que é o bom do sexo. Mas não está sendo verdadeiro na relação e isso reflete questões emocionais não resolvidas. Há falsidade e isso sempre traz danos a ele e ao relacionamento”.

Como contar ao outro
A descoberta de que o outro fingiu ter orgasmos costuma ser dolorosa. “Para o homem, é como se ele não estivesse sendo capaz de levar a parceria ao ápice do prazer. E para a mulher, quando ele não tem orgasmo, é como se não estivesse envolvido, não gostasse o suficiente dela”, diz Margareth. A psicóloga afirma que o homem costuma se cobrar muito em relação ao prazer feminino, sentindo a obrigação de levar a mulher ao orgasmo. "Muitas vezes, ela não consegue chegar ao clímax por não ter experiência com o próprio corpo. Pode ser uma mulher que nunca se masturbou e que não sabe demonstrar o que curte”. (Para saber como a masturbação pode melhorar a vida sexual, clique aqui).

Ao descobrir que a parceira finge orgasmo, alguns homens chegam a ter atitudes drásticas. “Alguns se sentem traídos, não acreditam mais na mulher e procuram a separação na sequência”, diz o psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr., terapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade. "É muito pior do que a infidelidade, que tem a ver com a vida social. Essa é a traição do relacionamento". 

Os especialistas são unânimes ao dizer que o melhor caminho é sempre falar a verdade. “Não precisa chegar e dizer: ‘Não foi bom ou nunca tive orgasmo com você", diz Margareth. "Pode-se começar criando outro clima, propondo novas formas de toque, comunicando o que gosta, sentindo-se com liberdade para dizer: ‘olha, foi gostoso, mas não rolou’”, afirma. Para a sexóloga Carla Cecarello, o orgasmo não deve se tornar uma obrigatoriedade.  "Podemos ter prazer durante o sexo e não chegar ao orgasmo. Não significa que o sexo foi ruim e nem é o fim do mundo", diz ela. "Tem que rolar tranquilamente. Não adianta forçar a natureza. Não teve aquele dia, mas pode ter no outro.”

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