Relacionamento

Saiba como se livrar de 7 hábitos que deixam a vida do casal um inferno

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Não conseguir negociar para equilibrar temperamentos diferentes é um dos piores hábitos dos casais imagem: Stefan/UOL

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Amor, cumplicidade e química sexual são os ingredientes básicos para qualquer romance dar certo. Mas para a receita não desandar, é preciso fugir de alguns hábitos que podem estar se infiltrando e prejudicando o relacionamento enquanto não notamos. Para evitar que essas situações rotineiras acabem aos poucos com a vida a dois, o UOL Comportamento conversou com especialistas para saber o quais são os sete hábitos que devemos mudar para evitar conflitos. 

1. Não ter organização financeira

De acordo com a psicóloga Maria Teresa Reginato, a estabilidade financeira é um dos pilares de segurança da vida de um casal. “Quando nos unimos com alguém, buscamos, entre outras coisas, a possibilidade de construir algo que sozinhos talvez não conseguíssemos ou encontrássemos com maior dificuldade”, diz. Quando não há uma organização financeira e surge uma mudança drástica na rotina –o nascimento de um filho ou o fato de um dos dois perder o emprego, por exemplo– o estresse e a culpa por não terem feito uma reserva vêm à tona, provocando atritos. O ideal é traçar desde o início da relação -o que inclui os tempos de namoro- um acordo prévio e um planejamento no qual cada um deve cumprir sua parte. Guarde um determinado valor por mês para os estudos dos filhos, destine uma reserva para emergência, coloque no papel os gastos diários e com lazer. “Se um dos dois se desvia, os objetivos comuns são traídos, uma vez que o acordo não é cumprido. Ambos podem não conseguir pagar as contas e entrar em dívidas, o que causa raiva, ressentimento e, claro, brigas”, afirma a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar.

2. Não tomar decisões conjuntas em relação aos filhos

A coerência entre um casal de pais traz segurança aos filhos. Mesmo sendo pessoas diferentes, com pensamentos distintos, é fundamental que discutam uma linha de educação que ambos acreditem e sejam capazes de sustentar.

“Quando pai e mãe não se entendem, comprometem toda a organização familiar. Os filhos sempre se aproveitam dessas brechas para fazer que suas vontades prevaleçam”, afirma a educadora e mediadora de conflitos Suely Buriasco. Para a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar, é extremamente prejudicial para uma criança ou para um adolescente assistir aos pais discutindo e discordando quanto a decisões a serem tomadas em relação a eles –pior ainda, na frente deles. “Eles ficam inseguros e se sentirão perdidos, sem saber que rumo tomar. Esse comportamento dos pais não educa, pelo contrário, confunde e revela uma falta de sintonia do casal, uma dificuldade de compor uma posição negociada em conjunto”, diz a especialista. Ela aconselha que os pais sempre tentem chegar a um acordo sem a presença dos filhos, para só depois conversar com eles.

3. Não equilibrar os temperamentos

Ela é sossegada, ele é baladeiro; ela faz o gênero extrovertida, ele morre de timidez; ela curte praia, ele prefere a montanha. Dizem que os opostos se atraem, mas no dia a dia muitas vezes as diferenças resultam em conflitos e brigas. Na opinião da educadora e mediadora de conflitos Suely Buriasco, se não houver compreensão mútua, duas situações bem complicadas podem surgir. “A primeira é um cônjuge se ressentir diante das cobranças e então passar a se negar a fazer o que o outro gosta. A segunda, ainda mais perigosa, é quando um dos dois anula a própria personalidade e passa a fazer só o que o outro quer. Em ambos os casos, cedo ou tarde, a harmonia do casal será comprometida”, diz. Negociação, para a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar, é a palavra-chave nesse caso.

Ele cede um pouco, ela também, cada um respeitando a maneira de ser do outro. “Pessoas de temperamentos diferentes podem fazer bons acordos de convivência desde que coloquem seus egos em plano secundário e considerem as necessidades individuais de seus parceiros. Isso não é fácil, mas é possível”, afirma a psicóloga Maria Teresa Reginato.

4. Deixar as famílias invadirem o espaço do casal

“As famílias apenas invadem o espaço do casal quando os cônjuges permitem que a ‘herança’ delas seja mais imperativa do que a vontade dos dois”, afirma a educadora e mediadora de conflitos Suely Buriasco.

“Essa é uma questão bastante complexa, porque muitas vezes essa invasão é permitida de forma inconsciente. A falta de assertividade e de definição em relação ao papel de pais, mães e sogros na organização da nova família (leia-se: marido e mulher) é que causa tantos problemas”, diz. Para a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar, um casal deve preservar a sua privacidade como algo sagrado. Eles precisam ser maduros o suficiente para resolver seus próprios problemas em seu espaço íntimo. Para saber se você deixa as famílias interferirem demais na relação, clique aqui e faça o teste.

5. Esquecer o casal que foram no passado

É comum que pessoas casadas passem a ser diferentes do que eram antes.

Segundo a psicóloga Maria Teresa Reginato, ambos podem se tornar menos tolerantes, mais negligentes com a atenção às vontades do outro, menos carinhosos, mais ligados às necessidades materiais do que às emocionais e sexuais. “Há quem mude muito quando os filhos nascem. As mulheres tendem a abdicar do papel feminino em função da maternidade. Isso pode ser natural nos primeiros meses, mas esse comportamento precisa ser ajustado o mais breve possível. Os homens costumam perder o interesse ou ter ciúme, o que compromete ainda mais a relação, afastando-os”, diz a psicóloga. E conviver não é fácil, porque algumas coisas não enxergamos tão bem de perto como enxergávamos a uma distância maior. Isso sem contar a rotina, as responsabilidades, os problemas... É fundamental que o casal encontre um espaço para retomar o par feliz de antes. Relacionamentos longos devem ser revistos e renovados periodicamente.

6. Não discutir a relação

“Conheço casais que nunca ficam a sós”, diz a psicóloga Maria Teresa Reginato. “Quando não estão com as crianças, saem com amigos ou os trazem para casa. Se isso se torna rotineiro, talvez estejam evitando contar suas próprias dificuldades. Casais precisam de momentos a sós para afinar a relação não só na esfera sexual, mas também na afetiva e na ideológica”, diz. E a falta de diálogo é o grande motivo dos fracassos no relacionamento a dois, porque as pessoas não se expressam de forma a ser entendidas e, tampouco, ouvem no sentido de compreender o outro. “É pelo diálogo que se constroem acordos que garantem a satisfação de ambos, pois ninguém tem o poder de adivinhação”, diz a mediadora de conflitos Suely Buriasco. Para a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar, a DR é produtiva e saudável para qualquer relacionamento. “A vida é dinâmica, os problemas surgem e não dá para fingir que eles não existem, pois eles virão à tona mais cedo ou mais tarde. Numa relação de casal, verdadeira e duradoura, as pessoas têm que se expor, não podem ter medo da intimidade emocional”, afirma.

7. Discutir a relação o tempo todo

Todo o excesso gera falhas. Há casais que adquirem o hábito de passar qualquer detalhe a limpo, o que torna a relação tensa e agressiva. “É preciso saber relevar algumas situações ou não haverá convivência que dê conta de tanta discussão”, afirma a psicóloga Maria Teresa Reginato.
Cobranças, mau humor e irritabilidade se tornam constantes entre casais que discutem demais e sempre as mesmas coisas. “Tem que ter bom senso, 'timing'... ”, diz a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar. “E vale experimentar na prática o que foi discutido da última vez. Senão, há o risco de ficar teorizando ou analisando o outro sem parar. Isso não dá certo”, diz.

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