Equilíbrio

Para fazer amizades, pessoas se cadastram em agência e vão a encontros com desconhecidos

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Solteira, a administradora Daniela Christine da Silva, 30, tem amigos de sobra, mas quase todos namoram. Para fazer mais amizades, ela decidiu conhecer pessoas e lugares diferentes através da agência Mister Fun imagem: Rogério Cassimiro/UOL

Andrezza Czech

Do UOL, em São Paulo

Promover o encontro de pessoas que buscam novas amizades. Ao conhecer a proposta da agência Mister Fun, o primeiro impulso talvez seja o de imaginar que se trata de uma festa estranha com gente esquisita. A imagem de que os frequentadores são tímidos ou parecem não ter amigos se desfaz ao chegar a um dos eventos. No 13ª encontro, realizado em 15 de setembro de 2012, 21 pessoas estiveram em um restaurante mexicano no Itaim Bibi, bairro de São Paulo, a partir das 19h. A maioria nunca havia se visto e, no entanto, as 15 mulheres e os seis homens riam, gritavam e cantavam como se fossem amigos de infância.

Mesmo os organizadores e sócios da agência, os publicitários Fabio Costa e Tatiana Yuri, não esperavam que o público fosse tão animado. “Quando tivemos a ideia, pensamos que viria um pessoal bem tímido. Mas depois de cinco minutos eles já se sentem entre amigos”, diz Tatiana, que se refere ao grupo como "família Fun".

A agência realizou seu primeiro evento em maio de 2012. Os organizadores afirmam que, atualmente, há mais de mil interessados. Desses, cerca de 500 já teriam o perfil pré-aprovado para participar dos encontros. O cadastro é gratuito, mas, para estar em um dos dois sábados mensais em que a turma se reúne, é necessário ser selecionado. "Avaliamos se a pessoa está aberta a fazer novas amizades e se prefere viver no mundo real, não no virtual", diz Tatiana. Também é preciso pagar R$ 40 para ir à reunião --valor que dá direito a um prato do restaurante ou bar escolhido pela agência.

A idade mínima exigida é de 25 anos –para os organizadores, até essa idade é mais comum que os jovens procurem amigos em baladas e estejam mais no clima de "pegação". O público, majoritariamente feminino, tem entre 30 e 45 anos.

"Vim pela amizade, mesmo. Primeiro, achei que não me entrosaria, que teria gente muito jovem”, diz a contadora Sandra Cavalcante, de 46 anos, que mudou de ideia após a experiência. 

Mesmo não sendo esse o objetivo, os encontros já formaram casais. "A gente não força esse tipo de situação, mas como a ideia é conhecer pessoas, acontece naturalmente”, diz Tatiana. Segundo ela, duas mulheres desistiram do evento ao perceber que não se tratava de uma reunião de solteiros em busca de um par. "As pessoas confundem muito”, diz. 

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    Daniela Christine da Silva (à esq.) já combinava uma comemoração de aniversário com as novas amigas, que chamaram seu grupo de "As Luluzinhas"

Sem amigos?
A administradora Daniela Christine da Silva, 30 anos, estava em seu terceiro encontro e já agitava uma comemoração de aniversário com algumas mulheres que acabara de conhecer. Falta de amizades? Segundo ela, não. "Meu Facebook já tinha 700 contatos antes do encontro, mas nunca é demais ter amigos", diz. Daniela está solteira e adora sair à noite, mas como quase todos os seus amigos namoram ou são casados, ela decidiu conhecer pessoas e lugares diferentes através da agência. “É bom ter mais um grupo. No começo dá uma insegurança, mas você descobre muitas afinidades com as pessoas".

Quase todos os frequentadores da 13ª edição da Mister Fun eram solteiros, mas o evento atrai casais. Casada há cinco anos, a analista de mídias sociais Angela Ernesto, 30 anos, sentiu que seu círculo de amizades estava se fechando depois que ela e seu marido, Rodrigo, começaram a trabalhar mais em casa. "Também não temos muitos amigos da época de faculdade, por isso decidimos vir", conta Angela.  

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    Casados há cinco anos, Angela e Rodrigo decidiram participar do evento quando perceberam que haviam se distanciado dos antigos amigos

Interação
Para fazer com que as pessoas se sintam à vontade, Costa passa o tempo todo puxando papo, apresentando os novos participantes e fazendo graça. Quando ele e Tatiana percebem que algumas 'panelinhas' se formam, rearranjam as mesas para que todos conversem.  

"Sempre fazemos uma brincadeira que dá um prêmio”, diz Tatiana. A desta vez foi de adivinhação. Cada participante do encontro tinha uma fotografia de um personagem famoso colada nas costas. A missão era descobrir de quem era a sua foto, apenas fazendo perguntas aos novos amigos, que poderiam responder apenas "sim" ou "não". Os vencedores levaram convites para uma peça de teatro.

Cadastrada desde antes da realização do primeiro encontro, a turismóloga Denise de Sousa Lima, de 30 anos, esperou seis edições para tomar coragem de ir. "Não sabia que dinâmica haveria para que as pessoas se conhecessem e interagissem. Vim sozinha e tinha dúvidas se seria aceita”, diz ela. “É como o primeiro dia de aula na escola nova”. Em seu terceiro encontro, Denise estava bem enturmada. Conversou com pessoas de todos os cantos da mesa e era uma das mais animadas na brincadeira de adivinhação. Ela e Sandra --aquela que tinha medo de não se entrosar--, já estenderam a amizade para fora do evento.

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