Vida no trabalho

Seu chefe não vai com a sua cara? Veja como contornar essa situação

Orlando/UOL
Se você tem problemas com seu chefe, aja; não desabafe com colegas ou se envolva em fofocas imagem: Orlando/UOL

Veridiana Mercatelli

Do UOL

Depois de levar algumas patadas, você começa a desconfiar de que seu nome não consta na lista das pessoas mais queridas por seu chefe. Ele (ou ela) parece sempre irritado quando você dá ideias em reuniões, te responde e-mails de forma ríspida e, sempre que pode, critica seu trabalho gratuitamente ou se apega a minúcias irrelevantes.

"Se você acha que alguém o odeia e está em um ambiente desagradável, é bom avaliar se realmente vale a pena ficar neste trabalho", afirma a professora Tânia Casado, coordenadora do Programa de Vida e Carreira (Procar) da FIA (Fundação Instituto de Administração). Afinal, sentir-se acuado e hostilizado pode afetar diretamente a sua produtividade e até a saúde. 

"É impossível trabalhar neste clima", diz Andreza Santana, diretora de Marketing do Monster Brasil, subsidiária brasileira do Monster Worldwide, empresa de recrutamento e gerenciamento de carreiras online. "A gente sabe que a maior responsabilidade de rotatividade de pessoal é do chefe. Ele dita até o clima geral e tem uma influência colossal na vida de uma pessoa". Em outras palavras, não importa muito o tamanho ou o nome da empresa em que você atua. Dependendo da sua relação com o gestor, ela parecerá a melhor ou a pior corporação para se trabalhar. 

Tânia Casado afirma que nem sempre é fácil fazer amigos no trabalho. "Você escolhe seus amigos, mas não escolhe família nem colegas de trabalho. O importante, então, é haver respeito de todos os lados e não esperar que o trabalho supra as suas amizades", conta. 
 

Fato ou mania de perseguição?

 
Antes de se sentir a pessoa mais odiada do mundo, é importante analisar a situação friamente: será que o chefe é desse jeito com todo mundo ou só com você? Segundo Andreza Santana, sentir-se odiado pode ser reflexo de problema de comunicação entre o subordinado e e seu superior. E é possível, também, que o funcionário tenha mania de perseguição.
 
 

Para saber se o problema é você ou o chefe, não há outro jeito, a não ser usar o bom senso, fazer uma autoavaliação e, claro, partir para o diálogo. Mas antes de sair perguntando para o chefe se ele não vai com a sua cara, é bom ter argumentos, ou a conversa pode soar um tanto infantil. "Vale fazer uma tentativa de alinhamento, sempre com fatos muito concretos, como ‘percebi naquele dia que você não concordou comigo e me expôs em frente aos meus colegas. Então, gostaria que você me ajudasse, para saber como posso melhorar’", sugere Andreza.
 
Jaqueline Silveira, psicóloga, coordenadora de carreira e professora de Gestão de Pessoas do IBMEC-MG, diz que quando o gestor se apega ao "detalhe do detalhe do detalhe", demonstra que a crítica deixou de ser profissional. "Relatório malfeito ou atrasos, por exemplo, são questões práticas e concretas. Entretanto, as picuinhas, coisas pequenas que não têm nada a ver com a sua atividade ou implicâncias repetitivas são sinais de que o chefe realmente não tem simpatia pelo funcionário", diz a psicóloga.

Alguns exemplos: quando ele reclama que você não respondeu um e-mail cinco minutos depois de ele ter enviado mensagem, controla se você está almoçando ou não, critica sua vida particular, liga fora do horário de trabalho com cobranças exageradas, aponta falhas e não dá soluções concretas para os problemas e fala sempre em tom de crítica. "É preciso ter sensibilidade para perceber esses sinais", diz Jaqueline. 
 


Papo sério

Uma coisa é certa: quanto mais tempo durar essa situação com o seu chefe, pior. Além do estresse, não é raro chegar a um estágio ainda mais grave: o de assédio moral. "O número de pessoas que procura advogados tem sido grande, mas o fato é que assédio moral é difícil de ser provado. Você não pode gravar as conversas, por exemplo. Também é preciso ter testemunhas, que quase nunca querem dar seu depoimento em um processo por medo de perder o emprego", diz Jaqueline.

Muitas vezes o assédio moral é praticado às escondidas. Na frente dos outros, o tratamento é normal, e nem sempre o chefe deixa a hostilidade registrada em e-mails. Mas ele sempre encontra outras formas de demonstrar o desafeto. O importante, portanto, é não deixar esse clima perdurar por muito tempo. Tome uma atitude. 
 

Resolva a situação

Você já sabe que levar essa história para frente não é saudável e as consequências podem ser desastrosas para a sua carreira. Então, qual é o remédio? As especialistas consultadas por UOL Comportamento dão dicas de como encarar situação: 

- Diálogo é o primeiro passo, mas sempre de maneira profissional, sem arrogância e, principalmente, sem se vitimizar. Pergunte ao seu chefe em que pontos você pode melhorar.
 
- "Puxar o saco" reverte a situação? Nem cogite essa hipótese. Algumas pessoas se irritam com esta atitude e a situação só piora, além de não ser boa para você. Elogie algum trabalho em que ele tenha sido bem sucedido quando você tiver vontade, mas de forma discreta e profissional.
 
- Dê-se um prazo para resolver a questão. Se nesse período a questão não se solucionar, procure outro emprego ou fale com instâncias superiores. Durante esse prazo, sonde o mercado e outras áreas da empresa (com muita discrição). Você pode encontrar uma vaga melhor.

- Se o clima estiver insustentável e você quer ficar na empresa, vale a pena conversar com o RH sobre a situação ou o superior do seu chefe. Mas, antes, certifique-se de que a organização em que você trabalha é aberta a este tipo de diálogo. Do contrário, a atitude pode te prejudicar. 
 
- Evite desabafar com colegas e envolver-se em fofocas corporativas. Não vai resolver seu problema e pode ser um argumento a mais para as perseguições do seu gestor. A máxima de que a corda arrebenta para o lado mais fraco é verdadeira.
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