Vida no trabalho

'Micos' na festa da firma dificilmente têm conserto; veja erros comuns

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"Estar numa festa da empresa é estar na empresa", diz a coordenadora do Núcleo de Estudo e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas da ESPM e professora Adriana Gomes imagem: Stefan/UOL

Giovanny Gerolla

Do UOL, em São Paulo

A princípio, pode até parecer engraçado sair da festa de encerramento do ano da empresa trançando as pernas após beber demais ou aproveitar a oportunidade para se aproximar do chefe (e tentar se promover um pouquinho). O problema dos "foras" cometidos em eventos sociais de trabalho é que eles podem manchar sua reputação profissional irreversivelmente.

"Os diretores da empresa, se não estavam na festa, depois poderão descobrir pelos comentários", diz Cíntia Bortotto, diretora da Consultoria em RH. E a fofoca é inevitável. Por isso, uma simples bebedeira ou uma cantada na colega casada poderá comprometer sua imagem e fazer com que promoções ou aumentos salariais sejam repensados. 
 
"Estar numa festa da empresa é estar na empresa", diz a coordenadora do Núcleo de Estudo e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e professora Adriana Gomes. "O comportamento do funcionário é analisado, e por mais que exista bebida alcoólica, você nunca deve beber demais ou ultrapassar os limites que a ética empresarial ou o bom senso impõem". 
 
Em outras palavras, o comportamento certo nas comemorações da firma seguem as mesmas diretrizes que devem ser observadas quando se está no escritório. Mesmo porque, depois de extrapolados os limites, serão poucos os meios de retratação. 
 
"Quem se excede não terá a que recorrer, porque o comportamento será comentado depois, de um jeito ou de outro, e se retratar só servirá para reverberar uma situação ruim, relembrando a todos do acontecido", diz Adriana. E quando se desculpar não resolve o imbróglio, o melhor é se conscientizar dos próprios excessos e mudar seu comportamento nos próximos eventos. 
 
Veja dez mancadas que não se pode cometer nas festas de final de ano da empresa:
 
Os excessos em geral
"Todos os excessos precisam ser evitados nas festas da empresa", de acordo com a professora Adriana Gomes, da ESPM. Mulheres não devem exagerar no decote, na minissaia, na maquiagem. "Não tente usar ou ser nada muito fora daquilo que você é, veste ou apresenta no seu ambiente de trabalho". Também não é indicado comer ou beber demais. É péssimo para a reputação sair da festa bêbado. Você pode se tornar um estorvo, além de motivo de chacota. "No dia seguinte, certamente não haverá outro comentário na empresa", diz a consultora Cintia Bortotto. Além de mal falado, o beberrão corre o risco de ficar lá, caído. "Geralmente, as pessoas vão embora e não acudem quem bebeu demais". 
 
Pouca roupa
Não é porque a festa é em um sítio com piscina que você tem de usar biquíni ou sunga. "Mesmo se o uso estivesse autorizado, eu não colocaria", afirma a consultora Cíntia. "Não há razão para expor o corpo diante de colegas de trabalho. Se os comentários são inevitáveis e sempre vão acontecer, quanto mais evitar a falação a seu respeito, melhor", diz. Deixe a brincadeira na água para crianças e adolescentes, quando a presença deles for permitida. 
 
Dar show
Algumas empresas gostam de presentear seus funcionários com shows, apresentações grupos artísticos ou uma passista do samba. É importante não se esquecer de que está sendo observado o tempo todo: "Não precisa ser um dos palhaços que faz o espetáculo nem sambar com a passista", afirma Cíntia. "Também não é preciso exibir seus dotes pessoais e seu rebolado para danças exóticas e sensuais", segundo Adriana Gomes. Por isso, não se exponha, para não ficar para sempre marcado pela sua performance. Vale mais a pena ser lembrado por sua competência profissional.
 
Cantadas
Também são inconvenientes aqueles que acreditam que não é preciso ter limites nas comemorações da empresa e saem dizendo tudo o que querem e pensam (ou, pior, passam cantadas em colegas do escritório, muitos deles comprometidos). O comportamento costuma estar associado ao excesso de álcool. "A bebida diminui a autocensura. Se o colega é casado ou muito tímido, não o faça. O melhor é evitar qualquer tipo de constrangimento". 
 
Língua de trapo
É mais saudável evitar fofocas, falar mal do chefe ou fazer piadas internas em uma roda com pessoas da empresa que não fazem parte do seu círculo de convivência diária. Colegas mais diretos podem não aprovar o ato, além do fato de que os estranhos podem ser seus concorrentes amanhã (e poderão usar seu comportamento contra você). "É totalmente desnecessário ficar comentando a roupa que achou feia ou o porte físico de alguém. Você demonstra maturidade ao guardar seus comentários e críticas para você mesmo", diz Cíntia. 
 
Só falar de trabalho
Se a empresa abriu a possibilidade de trazer a família para festa de encerramento de ano é porque a intenção é integrar, socializar e entreter funcionários. O assunto de trabalho é quase proibido. Converse sobre cultura, futebol, filmes, comida e outras coisas de interesse geral --e evite jargões da sua prática profissional, que só você e seus pares mais próximos entenderão. "As pessoas se cansam desta conversa e saem de perto", diz com a consultora de recursos humanos. 
 
Puxar o saco
Há sempre um fulano que não para de falar. "Claro que a festa é lugar para aumentar a rede de contatos, conhecer pessoas de outros setores, mas isso deve ser natural, principalmente quando a conversa é com superiores na hierarquia da empresa", explica Cíntia Bortotto. O oportunismo é facilmente notado, e não sair da cola do chefe pode ser perigoso --perante o próprio chefe e diante dos colegas. "É importante manter a formalidade, o respeito e o distanciamento do chefe, se esta for a cultura da empresa; melhor é não abusar da liberdade que é oferecida ao funcionário nas festas de final de ano", fala a professora da ESPM Adriana Gomes. 
 
Beijando muito
O namoro entre colegas de trabalho é polêmico por si só (em qualquer empresa!), mas às vezes acontece. Há vários casais que se conhecem no trabalho. "Mas há posturas a serem exigidas, e a empresa tem de saber da forma certa", afirma Cíntia. O ideal é que não haja relação de subordinação profissional entre o casal, e que a intimidade não esteja exposta na festa através de beijos e abraços. Menos elegante ainda será o "pegador" ou "pegadora" do andar, que a cada ano resolve desfilar com uma nova companhia. Se forem várias pessoas na mesma noite, então, piorou. 
 
Postar no Facebook
Dos que não desgrudam de seus smartphones e não se desligam do Instagram, é esperado que não tirem fotos nem filmem, muito menos postem em redes sociais momentos constrangedores de colegas --e o mesmo vale para seus próprios constrangimentos. "A intranet também não deve ser usada para arquivar ou publicar este tipo de material", diz Adriana Gomes.
 
Amigo secreto e indiscreto
O momento do amigo secreto costuma ser dos mais difíceis nas festas de encerramento do ano. Portanto, respeite as regras, que devem ser bem claras: para não ser vítima, indica-se gastar dentro do valor estipulado previamente. Será tão desagradável ganhar algo de valor muito além do presente dos outros como receber algo de valor muito abaixo do combinado. "Procure conhecer seu amigo secreto, se aproximando dele; a brincadeira é para integrar pessoas", diz Adriana. Da mesma forma, não exponha a intimidade de ninguém, presenteando com peças íntimas, como cuecas ou camisolas. 
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