Equilíbrio

Veja as mancadas alheias que você deve relevar para começar bem 2013

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Ficar remoendo desavenças do passado não muda os fatos nem traz nada de bom imagem: Thinkstock

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo


Você carrega alguma mágoa de uma pessoa que pisou na bola com você? Começar 2013 sem esse sentimento pode te fazer muito bem. Certas mancadas são mesmo difíceis de esquecer, mas alimentar ressentimentos só serve para paralisar a vida, pois eles não serão capazes de mudar o jeito de ser de alguém ou apagar o que passou. Veja uma lista com sete atitudes –algumas mais graves e outras menos– que você deveria aprender a desculpar:

1. Atrasos e furos
As pessoas lidam de formas diferentes com o tempo. Enquanto algumas conseguem se planejar com antecedência e cumprir os horários com folga, outras ligam com 15 minutos de atraso para dizer "Já estou chegando", o que significa "Estou saindo agora de casa".

"Esforce-se para  entender que esse é o jeito do outro de administrar o tempo. Não se trata de uma questão pessoal. E o fato de você se aborrecer, reclamar ou romper os laços não mudará ninguém", diz Branca Barão, especialista em comportamento humano.

Há, ainda, quem cancele compromissos em cima da hora. "Quem mais tem esse tipo de atitude é o workaholic. E esse é o tipo de mancada deve ser perdoada porque nem sempre a decisão de mudar o rumo dos acontecimentos está nas mãos da pessoa. Ela pode faltar por causa de uma demanda do chefe, do atraso de um cliente, de um problema de última hora", afirma a  psicopedagoga Carolina Braga. Contar sempre com uma margem de atraso –chegar meia hora depois, por exemplo– e ter um plano B para um possível furo são boas ideias.

2. Desorganização
A desorganização do outro é problema do outro. Se vocês moram ou trabalham juntos, tente estabelecer os limites entre o que é seu e o que gosta de manter organizado e deixe que ele lide com as próprias coisas como preferir. Esse é um exemplo de briga que não leva a lugar nenhum, só a discussões.

"O senso de organização ou a falta dele é uma característica da personalidade. Quem é bagunceiro pode até, com muito esforço, melhorar um pouco, mas não a ponto de se tornar alguém perfeccionista", explica Branca Barão, que diz que quem é muito organizado se incomoda demais com aquele que não é. "Não temos o poder de exigir que os outros tenham as atitudes que achamos mais corretas. Podemos, sim, começar as mudanças por nós mesmos", afirma Cristiane Pertusi, psicóloga e consultora de carreira.

3. Esquecimento do seu aniversário
Aprenda a separar as coisas: gostar de você é uma coisa, lembrar do seu aniversário é outra. Quantas pessoas dão parabéns apenas por conveniência ou porque o calendário do Facebook marca a data? "Quem gosta de você fica do seu lado nos momentos difíceis, ouve o mesmo problema dez vezes, relembra fatos do passado que os dois viveram juntos. Se além de tudo isso essa pessoa ainda lembrar do seu aniversário, ótimo. Se não lembrar, paciência, isso só indica que você está lidando com alguém desorganizado em relação a datas. Mais nada", diz Branca Barão, autora de "8 ou 80 – Seu Melhor Amigo e Seu Pior Inimigo Moram Aí, Dentro de Você!” (DVS Editora).

Aprender a dar o valor certo para cada coisa é essencial para manter os amigos verdadeiros por perto. Porém, compreender que cada um valoriza coisas diferentes, e respeitar isso, é ainda mais importante.

4. Grosseria em momentos de estresse
Em momentos de grande emoção nem sempre a razão fala mais alto. As pessoas não refletem sobre o que estão dizendo e, de repente, a grosseria vem daquela pessoa de quem você tanto gosta. Para viver melhor, evite considerar o que for dito ou decidido por quem está influenciado por sentimentos fortes. Espere o nervosismo passar e ouça-o para entender o que está acontecendo.

"A emoção é como um filtro que utilizamos para interpretar as coisas", diz Branca Barão. Dependendo do grau de emoção, portanto, tudo será distorcido por sentimentos como raiva, rancor, paixão, ciúme, inveja. Por isso, ofender-se com algo que aconteceu em um momento assim só piora as coisas. Releve e converse quando os ânimos se acalmarem.

5. Sinceridade que machuca
Ninguém quer ouvir "Sim, você está mesmo acima do peso", "Você não arruma ninguém porque reclama demais" ou "Você sempre foi egoísta", principalmente se essas frases forem ditas por alguém querido. Tanta franqueza pode até ser interpretada como frieza, mas muitas vezes não é o caso.

Quando pedimos opiniões, intimamente já sabemos que respostas gostaríamos de obter. Se ela não corresponde às nossas expectativas, ficamos frustrados. No entanto, geralmente quem nos fala verdades são pessoas com um grau maior de intimidade, que querem o nosso bem. "Essas manifestações sinceras são uma boa oportunidade para compreender que aspectos você pode aprimorar em você. Analise como pode crescer com a crítica", afirma a psicóloga Cristiane Pertusi.

6. Confiança traída há um tempão
Seja qual for a pisada na bola –infidelidade do namorado de adolescência, sacanagem do invejoso no trabalho, um segredo seu que foi passado adiante– deixe o fato onde ele merece estar: no passado. Ficar remoendo algo ruim provoca um sofrimento inútil, pois não é possível mudar o que está feito.

"O melhor jeito de lidar com gente que nos fez mal é seguir em frente e deixar a pessoa lá atrás, pensando no que ela fez. Seguir em frente é uma característica de gente inteligente. Mas daí a deixar que causem mágoa de novo é bem diferente", diz Branca Barão. Transformar erros em aprendizado é o melhor que podemos fazer com eles. O resto é melhor deixar de lado.

7. Sentir que os pais não fizeram o suficiente
Um dos segredos do equilíbrio é aprender a dar novo significado aos fatos que causaram sofrimento. Então, comece a pensar neles de outra forma. Pergunte-se: como aquilo que aconteceu (ou que não aconteceu) me transformou em alguém melhor? Como me fez crescer? O que aprendi com isso?

Não tente achar explicações para o fato de os seus pais não terem feito algo que você acha que teria sido fundamental. Lembre-se de que talvez essa frustração tenha feito bem para o seu crescimento. Talvez o ocorrido tenha feito você parar de esperar que lhe dessem as coisas e tenha te tornado mais independente.

Colocar-se no lugar dos pais também ajuda muito. Será que você sempre agiu com as pessoas conforme elas esperavam? Hoje, com seus filhos, você diz "sim" para tudo? Consegue evitar que eles se frustrem sempre? Certamente, a resposta para essas perguntas é "não". Enxergando isso, você consegue compreender seus pais e se livrar de mágoas antigas. 

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