Relacionamento

Brigas podem ser evitadas no Carnaval se casal fizer acordo

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Para evitar frustrações, não fuja de uma conversa franca sobre o que um espera do outro na relação imagem: Thinkstock

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo


Em vez de folia e curtição, o Carnaval provoca estresse entre muitos casais. Os motivos são vários, mas em geral têm um único agente detonador: o ciúme.

Um nasceu com o pandeiro na mão e o outro padece de mau-humor nessa época do ano? Quase certo que alguém acabará de cara amarrada. Um vai viajar com a turma para a praia enquanto o outro precisa cumprir expediente? Provavelmente a imaginação daquele que ficar trabalhando não dará sossego.

E as desavenças costumam surgir mesmo quando os dois compartilham do espírito carnavalesco e combinam de passar o feriado juntos. No baile ou no bloco, ninguém está imune a receber cantadas ou destinar uma olhadinha aos bíceps ou às curvas de foliões.

Para a psicóloga Cecília Zylberstajn, não dá para ignorar o fato de que o Carnaval é mesmo uma época de maior libertinagem e promiscuidade. "É uma visão cultural presente entre os estrangeiros, mas compartilhada pelo nosso povo. O Carnaval é associado ao sexo, à nudez, à libido. E as pessoas se sentem mesmo mais soltas".

A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins afirma que, nesses dias, é impossível não perceber a excitação brilhando no olhar das pessoas. "Desejo de beijar, de fazer sexo, mas com muita urgência, afinal, o tempo é limitado", diz ela.  

E por que tanta pressa? "O Carnaval parece funcionar como um período em que homens e mulheres dão uma trégua à censura que se impõem durante o ano. Há mais coragem para experimentar o sexo casual. Só não vale se esquecer da camisinha", afirma Regina, que é autora de "O Livro do Amor" e "A Cama na Varanda", ambos pela editora Best Seller, além de manter um blog no UOL.



Mas nada disso significa que todo mundo está propenso a procurar um outro alguém para uma aventura de Carnaval. Essa possibilidade tem mais a ver com a forma como os casais encaram a própria relação do que com a data.
 
De acordo com a psicóloga e sexóloga Maria Claudia Lordello, da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), antes de partir para implicâncias, gritos e lágrimas, homens e mulheres precisam conversar.

"Cada casal tem suas próprias regras e normas de conduta, ainda que implícitas. Na hora de combinar o que vão fazer ou não durante o Carnaval, elas devem vir à tona", diz Maria Claudia.

Isso porque, para cada pessoa, a infidelidade tem um significado: para alguns, é quando um dos parceiros faz sexo com outra pessoa; para outros, um beijo na boca ou corresponder a um olhar de paquera já configura traição. Mas há quem acredite que classificar uma relação extraconjugal como traição é um erro e defenda que todos têm o direito de viver experiências com sexuais com mais parceiros.  

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Ainda que o casal tenha um acordo de não ter relações extra-conjugais, isso não impede que um deles viva uma aventura. "Isso depende, obviamente, do respeito que cada um tem pelo parceiro, pelo relacionamento e pelas próprias escolhas. Mas abrir o jogo sobre medos e dúvidas ajuda a criar uma sensação confortável de segurança", conta a psicóloga Sandra Samaritano.

Discutir a relação às vezes é chato, mas necessário. A conversa no período pré-carnavalesco pode ser útil para avaliar alguns pontos da relação. Um deles é a flexibilidade. Por exemplo: será que vale a pena mesmo continuar ao lado de alguém que ameaça romper tudo caso você vá para a praia com a turma? E o que dizer das generalizações do tipo “Todas as suas amigas são periguetes, então não duvido que você vá aprontar"? A desconfiança pode descortinar aspectos bem negativos da personalidade das pessoas e da dinâmica das relações.

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Na opinião de Cecília Zylberstajn, é preciso ainda levar em consideração o histórico do relacionamento. Se as discussões já vêm de outros Carnavais e todo ano o mesmo drama se repete, o casal tem um impasse que precisa resolver e que costuma ser varrido para baixo do tapete quando chega a quarta-feira de cinzas.

"O feriado é uma espécie de prova de fogo, mas há uma crise entre os dois que deve ser solucionada e que passa por outras questões. E é aquele que mais se incomoda com a diversão do outro que primeiro precisa tentar se modificar", diz a psicóloga.
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