Sexo

Strippers virtuais realizam fantasias à distância e cobram por minuto

Camila Dourado

Do UOL, em São Paulo

Quem acompanha a série "Pé na Cova", da Globo, tem visto a personagem Odete Roitman (Luma Costa) ganhar a vida fazendo shows de striptease pela internet. A história fictícia tem seu lado cômico e os exageros típicos de personagens caricatos, mas qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. 

Do lado de cá da tela da televisão, mulheres se colocam à disposição na internet para exibir seus corpos com danças sensuais e realizar as fantasias de quem compra os seus serviços, transformando a profissão de stripper virtual em um negócio que, segundo elas, é bastante rentável. 
 
"Meu trabalho, hoje, é uma empresa", afirma Ana Stripper, 29. Desde 2006, ela se dedica integralmente a shows de striptease pela webcam. No início, fazia apenas por diversão. "Frequentava chats de sexo e me exibia pelo MSN só para amigos", conta. Com o tempo, homens desconhecidos passaram a adicioná-la na expectativa de assistir a seus shows.

Foi então que Ana percebeu o grande interesse e a dificuldade que os homens tinham de encontrar mulheres realmente a fim de se exibir e de fazer sexo virtual. "Assim, veio a ideia de cobrar por exibições", explica. "Em pouco tempo, eu já acumulava uma centena de clientes pagantes".  

Hoje, a stripper tem empresa registrada e domínios próprios, paga impostos, investe em publicidade e conta com o auxílio de outras pessoas em suas produções e sites: (www.anastriper.net e www.nuanarua.com).

"Fazer striptease lida com minha vaidade e segurança emocional. Tenho que gostar de mim, me sentir bem e não ter preconceitos para  realizar exibições com sensualidade e naturalidade. Ser realizada no meu trabalho acabou me tornando uma mulher mais disposta, criativa e segura em minha relações sexuais", revela.  
 
Jujuba Stripper, 30, conta que há dois anos atua como stripper virtual. Ela seguiu um caminho semelhante ao de Ana: também começou se exibindo gratuitamente em chats. Depois, trabalhou para sites que pagam uma porcentagem pela exibição e, hoje, tem sua própria página.

Já Juliana Ferrari (que prefere não divulgar seu site), 26, entrou nessa há oito meses. Sua atividade principal era a de acompanhante. Atualmente, faz de sua profissão como stripper virtual, além de uma fonte de renda, um cartão de visita para quem deseja sair com ela.

"Vi que era muito prático. O cliente já paga na hora, online, e eu faço o que ele pedir. Como a demanda está grande, até aumentei o valor", fala. "Esse é o meu trabalho, minha renda. Com o dinheiro que ganho, invisto em estudo para outra profissão que também quero seguir", completa. 
 

O dia a dia 

Cada uma monta a sua rotina de acordo com a demanda e disposição. Ana, por exemplo, faz de dez a 15 shows diários. "Em média, troco de roupa dez vezes ao dia. Visto fantasias, lingeries, botas e roupas sensuais que agradem os meus clientes", relata.

Ana está disponível para o trabalho de segunda a segunda, com pausas e intervalos para tarefas cotidianas, como mercado, banco, compras e academia. E ela sempre tira um dia da semana para folgar e sair com os amigos.
 
Ana inicia suas atividades às 10h, depois de tomar café e ir para a academia. Chegando em casa, escolhe uma lingerie ou uma roupa sensual e se conecta para fazer contatos com os possíveis clientes. "Conto o que faço, explico como funciona, tiro as dúvidas... Assim, eles vão sugerindo o que querem e os pagamentos vão entrando", conta. 
 
Juliana atende de segunda a sábado, em torno de quatro a oito clientes por dia. Em dias mais movimentados, chega a fazer de dez a 15 shows. 

Jujuba mantém uma média menor: de quatro a cinco atendimentos diários, pois nem sempre se sente disponível para a atividade. Por isso, não segue uma rotina. "Mas costumo acordar, ver quais clientes estão agendados, me preparar e, então, aguardá-los para fazer o meu show".

Infográfico traz dicas simples para fazer um striptease profissional

  • Arte/UOL

    Clique na imagem para navegar pelo infográfico (conteúdo indisponível para dispositivos móveis)

 

Fantasias 

Os pedidos são os mais variados possíveis e, muitas vezes, até exagerados. "Já me pediram de tudo, mas, por proposta alguma, aceito fazer coisas que não me deixem à vontade", diz Jujuba. Juliana também revela que não topa situações que a deixe desconfortável, assim como Ana, que não aceita "bizarrices extremas", como ela define. Entre os exemplos citados estão escatologias, zoofilia, automutilação e pedofilia.

Quanto custa?

Os shows são individuais e pagos com antecedência. Ana não revela valores, mas garante que ganha muito bem.

"Não digo porque vão achar que estou mentindo. Posso dizer que trabalho 14 horas por dia e ganho muito mais do que em uma atividade formal ou se seguisse minha formação de psicóloga. Todas as minhas despesas, bens e investimentos têm como única fonte meu trabalho como stripper virtual e vídeos exibicionistas".

Nos sites, estão disponíveis os preços cobrados. Eles variam de acordo com o tempo e as atividades incluídas no pacote. Jujuba faz três tipos de show, que vão de R$ 15 (10 minutos) a R$ 45 (30 minutos).

Juliana Ferrari cobra R$ 50 por 15 minutos, R$ 80 por 25 minutos e R$ 100 por 40 minutos.

Ana disponibiliza cinco tipos de pacote (incluindo um show lésbico, com preço a combinar). Seus valores variam de R$ 20 a R$ 60 e dependem do tipo de show e do tempo comprado.

No mais, muitas coisas podem rolar. "Recebo a visita de casais que querem apimentar a relação", exemplifica Juliana. "Atendo muitos homens com perfis falsos de mulheres e que me contratam para fantasiar pela webcam uma relação lésbica. Eles fingem que são mulheres e eu finjo que acredito", diz Ana.

Entre outras situações, as garotas citaram pedidos como masturbação, gemidos, fazer o cliente de “escravo”, ouvir casos reais de histórias picantes e fantasias com figurinos.     
 

Fama versus Anonimato

Uma stripper virtual é muito popular atrás da webcam –onde seus rostos podem ficar fora do ângulo da câmera ou cobertos por máscaras–, porém, fora do trabalho, elas preferem preservar a identidade. Tanto amigos como os familiares de Juliana e Jujuba não sabem de suas atividades como stripper virtual.

Ana prefere não esconder, mas gosta de manter a sua intimidade. "No início, ninguém sabia, mas, com o tempo, passei a ser muito solicitada pela mídia para dar entrevistas. A partir disso, decidi não me esconder mais e aproveitar todas as oportunidades de divulgar meu trabalho". 
 
Alguns poucos amigos mais íntimos conhecem com detalhes o trabalho de Ana e, quando alguém menos próximo pergunta o que ela faz, sua resposta é: "sou dançarina". 
 
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