Equilíbrio

Transforme o medo em motivação para alcançar seus objetivos

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É preciso enfrentar a paralisia que nos ataca nos momentos de medo e transformar ansiedade em ação imagem: Thinkstock

Martha Stewart

Martha Stewart Living Omnimedia/ The New York Times News Service

O medo nos congela e atrapalha a conquista de nossos objetivos, mas, se usado da forma correta, também pode ser uma forte motivação. Como? Basta aprender a enfrentar a paralisia que nos ataca nesses momentos e a transformar a ansiedade em ação.

Quais são as suas ambições mais assustadoras? Pedir demissão para começar o próprio negócio? Viajar sozinho pela Europa? Objetivos grandiosos ou pequenos, não importa, o medo pode atrapalhá-lo ou inibi-lo de formas que nem imagina. Você já deve ter ouvido falar da reação "brigar ou fugir", instinto animal de que somos equipados e que garante nossa sobrevivência; pois bem, quando acionado por uma ameaça real ou imaginária, o centro emocional do cérebro --a amídala-- avisa ao corpo que libere hormônios de estresse, tais como a adrenalina. Eles, por sua vez, põem em ação o sistema nervoso simpático, deixando-o preparado para distribuir socos ou disparar pela porta.

Só que o medo também leva a uma reação menos conhecida: o instinto de congelamento, que se manifesta quando você pensa em fazer algo assustador e, em vez de ir para a frente, simplesmente para. "Essa paralisia é a reação menos útil do medo", diz Kelly McGonigal, pesquisadora da Universidade de Stanford e autora de "The Willpower Instinct". A boa notícia é que agora os cientistas estão começando a entender como é possível superar essa reação e usar a emoção como fonte de motivação. 

Pode até parecer contraditório se colocar em situações difíceis; afinal não há tantos recursos para aliviar a tensão por aí justamente para acabar com essa resposta de "brigar ou fugir"? Segundo Jeff Wise, autor do livro "Extreme Fear", é importante fazer a distinção entre o estresse agudo e o crônico. Desafiar a si mesmo regularmente com fatores estressantes de curto prazo --como aulas de trapézio ou andar na montanha-russa, por exemplo-- pode melhorar sua tolerância a situações estressantes de longo prazo e ajudá-lo a lidar com situações assustadoras com mais facilidade: toda vez que seu corpo aciona o sistema nervoso simpático, passa por um momento assustador e volta à estaca zero, ele se torna um pouquinho mais eficiente em termos de gerenciamento desse ciclo.

O primeiro passo para começar a tirar vantagem do medo é tornando-se consciente dele o tempo todo, explica McGonigal. Como fazer isso? Pense nos objetivos que mais o assustam --correr a maratona, abrir um negócio; a seguir, imagine a si mesmo daqui a vários anos ou décadas sem ter realizado nenhum deles, confinado ao mesmo empreguinho sem graça. "Deixar bem claro o resultado da falta de ação é um fator extremamente motivador", ela garante.

Ainda assim, o cérebro não vai deixar os pés se moverem se não souber aonde está indo. "Você vai permanecer imóvel até acreditar que há algo que possa fazer para mudar a situação", afirma McGonigal. Para decidir o melhor caminho a tomar, fale com quem conseguiu alcançar a meta com que você sonha. Por exemplo, se não tem nem ideia de como começar a treinar para uma maratona, entre para um clube de corrida para receber conselhos de competidores experimentados.

Também ajuda destrinchar grandes sonhos em "pedaços" menores e mais fáceis de realizar. Claro que a ideia de correr 42 quilômetros é assustadora, mas você pode começar a disputar corridas de cinco quilômetros. É essencial também deixar bem claro o que quer: metas que requerem esforço, mas são específicas, oferecem resultados muito mais satisfatórios que objetivos vagos, como mostra uma pesquisa da Universidade de Maryland. "Toda vez que você passa um item da categoria 'Não sei se consigo fazer isso' para a 'Eu sei que consigo fazer isso', sente mais confiança na própria capacidade de assumir desafios maiores".

A fisiologia do medo

Lilianne Mujica-Parodi, neurocientista clínica e engenheira biomédica da Universidade Stony Brook de Nova York, explica a reação da mente e do corpo ao medo para que possa se acalmar mais rápido.

1. O medo é detectado primeiro no córtex sensorial; a partir daí, é filtrado pelo tálamo, que envia um sinal que segue dois caminhos: primeiro, vai para a amídala, que faz com que você congele antes mesmo de se conscientizar da ameaça; depois, para o córtex pré-frontal, onde é analisado com mais cuidado.

2. A amídala avisa o córtex pré-frontal para "tomar cuidado", fala para o sistema nervoso liberar substâncias como cortisol (que manda glucose para a corrente sanguínea, forçando-o a correr ou a brigar) e acelera a respiração e os batimentos cardíacos (bombeando oxigênio nos músculos).

3. Seu cérebro é inundado de compostos opioides, semelhantes à morfina, que agem como analgésico. "Dessa forma, não percebe a dor da briga ou da fuga", afirma Mujica-Parodi. (Já esteve num acidente de trânsito e só foi notar o corpo dolorido dias depois? Essas substâncias explicam).

4. Depois que o susto passa, o sistema nervoso autônomo entra em ação, acalmando o corpo. Quase sempre ele passa do limite, deixando-o mais relaxado do que você estava antes de a situação ter início. "Nossa pesquisa mostra que muitos paraquedistas chegam à terra firme bocejando", conta Mujica-Parodi. "O esporte é uma forma de relaxar".

Os benefícios do medo

O medo pode ajudá-lo a desenvolver poderes (quase) sobre-humanos.

1. Velocidade e força

Já imaginou por que tantos recordes mundiais são quebrados em competições de alta pressão como as Olimpíadas? Sob condições normais, o cérebro impõe um limite à capacidade de atuação dos músculos --mas quando há muita coisa em jogo, ter medo o torna mais rápido e mais forte do que jamais sonhou.

2. Concentração

Ficar nervoso antes de uma entrevista de trabalho é bom: a princípio, o medo faz com que você concentre toda a sua atenção em eliminar uma ameaça particular e, assim, pode se superar encontrando uma solução para ela. (Vale notar, porém, que se o medo é excessivo, o efeito é o contrário.)

3. Reflexos mais rápidos

Quando sente que está caindo, você automaticamente se estica para se segurar. Por quê? A amídala processa a ameaça antes que você o faça conscientemente e seu corpo reage na mesma hora.

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