Comportamento

Medo de errar paralisa; saiba driblá-lo para progredir e amadurecer

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Comece a levar a sério um dos clichês mais disseminados por aí: o de que errar é humano imagem: Thinkstock

Marina Oliveira e Rita Trevisan

do UOL, São Paulo

Sentir-se inseguro diante de situações novas é normal e tem até seu lado bom. Em proporções diferentes, o medo de errar afeta a maioria das pessoas que se sentem impotentes para avaliar todas as consequências de uma determinada decisão. "Este sentimento é esperado e ajuda o indivíduo a conter a impulsividade. Por causa do medo, agimos com mais cuidado e discernimento", explica a psicóloga Elisa Villela, doutora em desenvolvimento humano. 

Assim como acontece com a maioria dos males da alma, a insegurança passa a não ser saudável só quando se torna intensa e frequente e, por medo de errar, a pessoa deixa de agir. "Quem se assusta demais com a possibilidade de falhar, faz uma leitura drástica dos acontecimentos e, no fundo, se acha incapaz de reverter os possíveis danos que poderia provocar", esclarece. Na realidade, poucos erros são fatais. "Na maioria dos casos, basta reconhecer a falha e aprender com ela, para não recair no mesmo equívoco", completa.
 
De modo geral, sofre mais com suas próprias mancadas quem tem baixa autoestima ou vaidade em excesso. "Essas pessoas são muito sensíveis a críticas e acreditam que precisam desempenhar, a todo custo, um papel ideal", diz Reginaldo do Carmo Aguiar, psicólogo especialista em terapia comportamental. 
 
Na vida profissional, o medo de errar, quando em excesso, é ainda mais preocupante, já que o mundo corporativo costuma exigir dinamismo nas ações e rápidas tomadas de decisão. "O inseguro tende a adiar demais as decisões, porque quer coletar o maior número possível de dados antes de se posicionar", explica a consultora organizacional em liderança, Verônica Rodrigues da Conceição. Só que a consequência desse comportamento pode ser a perda de um prazo de entrega ou o agravamento de uma situação de crise, por exemplo. 
 
Não é o fim do mundo
 
O primeiro passo para superar o medo é começar a levar a sério um dos clichês mais disseminados por aí: o de que errar é humano. "Todo mundo tem o direito de cometer enganos, ser irresponsável em alguns momentos ou em determinados contextos. O erro faz parte da vida, até porque o mundo é, na sua essência, caótico", defende Aguiar. Uma das formas de minimizar o medo de arriscar é expor-se ao imprevisível gradualmente. "Comece enfrentando situações simples que lhe despertam alguma insegurança, já que, nesse caso, as possíveis perdas serão menores. Faça isso inúmeras vezes, para depois se arriscar em situações intermediárias e, por fim, nas mais difíceis", ensina Aguiar. 
 
Encarar as dificuldades de uma situação que causa aflição ajuda a desenvolver um mecanismo que passa, automaticamente, a neutralizar o medo excessivo em situações similares futuras. "Sem que a gente se dê conta, aos poucos passamos a ver como rotineiras situações que antes inspiravam muito medo. A partir daí, entramos numa saudável zona de conforto e aumentamos, cada vez mais, as chances de ousar e obter sucesso", atesta Verônica. Diante do desafio, também vale dividir as aflições com pessoas de confiança que estejam afastadas da situação. "Muitas vezes ficamos envolvidos num drama pessoal e perdemos a noção da realidade. O olhar de alguém de fora pode nos ajudar a ver um novo ângulo do problema e chegar a uma boa solução mais rapidamente", acredita Elisa. 
 
Errando e aprendendo
 
Além disso, as falhas devem ser sempre encaradas como oportunidades de aprendizagem, já que indicam o que é preciso rever nas atitudes para obter êxito. "Os erros nos dão a chance de ter uma noção realista do nosso desempenho, de avaliar o que é necessário adquirir ou mudar para não errar novamente", garante a psicóloga. Desenvolver a tolerância ao fracasso e a aceitação dos próprios limites também é fundamental para não ser tão vulnerável diante dos deslizes cometidos. "Quem vive em função do alto desempenho não enxerga que até o erro tem seus pontos positivos. É preciso saber da existência de eventos que fogem do controle e da previsão e conviver com eles sem se alterar tanto", afirma Aguiar.
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