Vida no trabalho

Procurar emprego pela internet exige dedicação e estratégia

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Cadastrar currículos em sites de vagas é uma boa alternativa e muitos são gratuitos imagem: Thinkstock

Isabela Noronha

Do UOL, em São Paulo

A nutricionista paulista Cristine Nascimento, de 33 anos, trabalhava em uma empresa de alimentação havia pouco mais de um ano quando, em novembro de 2012, perdeu o emprego em um corte de pessoal. Como estava perto do Natal, Cristine se planejou para começar a buscar uma nova colocação após o Carnaval. Ela esperava, assim, estar empregada até junho.

Mas a nutricionista, que costumava se considerar otimista, acabou sendo pega de surpresa e conseguiu um novo emprego apenas duas semanas depois de ter começado a procurar um. "Vou ter que encurtar a viagem que faria no fim do mês. Mas é por um bom motivo", conta.

Como ela conseguiu? Usando a internet. Na terça-feira de Carnaval, Cristine atualizou o currículo que há anos havia cadastrado em um site de empregos. Dias depois, foi chamada para uma entrevista, de onde saiu contratada. "Agora, trabalho a 15 minutos da minha casa", diz. 

Atualmente, até empresas de recrutamento tradicionais têm utilizado a internet para procurar candidatos, seja pela busca em sites especializados, seja pelo recebimento de currículos por e-mail. "Dos currículos que recebi no ultimo ano, 100% chegaram pela internet. A forma eletrônica é a mais usada e a mais eficaz", diz Thiago Medeiros, gerente da ManpowerSpecialist para as regiões Sudeste e Sul do Brasil.
 
Para as empresas, a vantagem é ter mais rapidez e facilidade para a triagem dos futuros funcionários. Para os candidatos, usar a internet permite desde ficar mais bem informado sobre as vagas disponíveis até poder distribuir currículos a um número maior de lugares.
 
 

Confira dicas para tornar a busca online por emprego mais eficiente: 

 
1. Coloque palavras-chave no currículo
Em geral, não há muita diferença entre um currículo que você posta online e aquele que entregaria em cópia física a uma empresa. Ambos não devem ser muito extensos. Na internet, o ideal é que esse documento tenha três páginas no máximo. "O currículo tem apenas de despertar o interesse do selecionador", diz Marcelo Abrileri, presidente do Curriculum.com.br. "É na entrevista que se conquista o emprego".  
 
Para chamar a atenção do selecionador e chegar até a entrevista, a primeira dica é cadastrar um currículo que contenha todos os projetos que definem sua trajetória profissional. "A triagem é feita por um sistema e, quanto mais palavras-chave tiver, mais relevância esse documento vai ganhar", diz Fernanda Diez, gerente de relacionamento do Vagas.com.br. Por exemplo: uma empresa cadastra uma vaga para produtor de evento. Se um candidato tem experiência na área mas, por distração, acaba não mencionando a palavra "evento", seu currículo ficará sem destaque na lista que aparece para o selecionador. A dica vale até para você surgir com mais facilidade durante uma simples busca que o recrutador faça em sua caixa de entrada.
 
Outro cuidado é pedir que alguém releia seu currículo antes de você cadastrá-lo ou enviá-lo, para fazer uma avaliação crítica. E redobre a atenção para não tropeçar no português. "Isso desanima qualquer selecionador", diz Marcelo. Outro pecado é mentir. Ainda que isso só vá ser descoberto na entrevista, é um fator que justifica eliminação instantânea. 
 
 
2. Escolha em que sites se cadastrar
Há sites específicos para áreas e posições hierárquicas diferentes. Cadastrando-se nos lugares certos, você aumenta as chances de ser visto e, logo, de ser contratado. "A empresa vai buscar em locais em que há uma concentração maior do público que ela quer", diz Marcelo. Além disso, colocar o currículo no site errado pode causar prejuízos à imagem do profissional. Se a pessoa tem um nível sênior, dificilmente será chamada se fizer um cadastro em um site para pessoas menos experientes, fala Lucas Toledo, gerente executivo da Michael Page. Além disso, você passaria a impressão de ser menos experiente do que é. 
 
Se tiver dúvida de onde se cadastrar, peça dicas a alguém da área e que seja de sua confiança. "A gente sugere que o profissional busque as pessoas que admira, seus mentores, e pergunte a eles onde estão cadastrados", diz Lucas Toledo. Se não quiser perguntar, procure o perfil do seu gerente ou diretor na internet e veja em que empresas eles apostam. 
 
Fique atento: alguns sites cobram para registrar os currículos, mas há boas opções que fazem isso sem cobrar nada dos candidatos. 
 
3. Monitore seu cadastro
Cadastrar o currículo em um site de busca de empregos ou no banco de dados da empresa é só o começo. Não vale achar que sua parte é só essa. "Quando decide procurar emprego, a pessoa tem que fazer disso um trabalho. E se dedicar de verdade", diz Fernanda Diez. "As chances de perder boas oportunidades são menores quando você está atento. Já vi empresas que cadastraram a vaga de manhã e encontraram o candidato horas depois", afirma. Portanto, monitore frequentemente o surgimento de vagas no site e sua caixa de entrada. 
 
A nutricionista Cristiane fez assim. “Eu visitava o site todo dia e, muitas vezes, encontrava vagas que eu não tinha visto", completa. Ela relata que, em sua procura, encontrou empregos que tinham mais a ver com seu perfil do que aqueles que o site enviava por e-mail. "Sempre que entrava, me candidatava a duas ou três vagas", diz.
 
Alguns sites de emprego e recrutamento também fornecem ferramentas para medir a popularidade do seu currículo, indicando se está participando de buscas e quantas vezes foi visualizado. Há sites que oferecem serviços de análise e revisão desse documento, que chegam a custar R$ 300. 
 
 
4. Use as redes sociais
Procure a página no Facebook dos sites de empregos e das empresas que considera interessantes e vire um seguidor deles no Twitter. Dessa forma, você fica sabendo das oportunidades com rapidez, sem precisar sair do ambiente virtual que sempre frequenta. Outra dica é usar o Linkedin, rede específica para contratos profissionais. Faça um perfil completo nessa rede social e adicione contatos estrategicamente. 
 
A fisioterapeuta paulistana Daniella Rivitti, de 30 anos, conseguiu mudar de emprego e de carreira usando essa rede social. Ela trabalhava há sete anos dando assistência a pacientes, mas queria passar para a parte administrativa da profissão. Decidiu investir nos contatos e usou a internet para chegar a pessoas que, de outra forma, possivelmente não a atenderiam. "Abri meu perfil e fui convidando, na cara e na coragem. O máximo que podia acontecer era eles clicarem no ‘não’". Como Daniella tinha um objetivo específico, escolhia criteriosamente quem adicionar.

"Eu me concentrei só em pessoas de posição gerencial para cima", conta. "Para minha surpresa, muitos aceitaram e me responderam cordialmente". Mas esse foi só o primeiro passo. Depois, Daniella mandou e-mails se apresentando e falando de seus objetivos. Foi chamada para uma conversa com um executivo e, dois meses depois, começou a trabalhar na empresa dele.
 
5. Cuide da sua imagem
Não se esqueça de que a internet é uma vitrine. "Seu perfil na rede social é um anúncio", diz Lucas Toledo. O lembrete vale não só para as redes de relacionamento profissional, mas para aquelas tidas como pessoais, como o Facebook ou o Twitter. "Muitas empresas acessam os perfis do candidato nessas redes. Seja o mais discreto possível em qualquer lugar da internet e não poste fotos e mensagens que possam denegrir sua imagem", diz Thiago Medeiros.
 
"Quem é novo na carreira deve colocar mais as informações sobre cursos e especializações. Aqueles que têm mais experiência podem deixar que os cargos falem por ele", segundo Lucas Toledo.
 
Além disso, cuidado com as fotos. Imagens em situações descontraídas demais podem dar a ideia de que um candidato não é sério. Para o perfil, prefira uma foto mais sóbria, de preferência com um fundo neutro, que passe uma imagem mais profissional. "Quando olham suas páginas na internet, todos os detalhes são relevantes", diz Lucas.

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