Vida no trabalho

Entenda para que serve o coach e saiba escolher um bom profissional

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Técnica é bastante proveitosa e pode alavancar a carreira, mas é preciso acertar na escolha do profissional imagem: Thinkstock

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

De uns tempos para cá, o termo coaching se tornou popular --e não só no mundo corporativo. Porém, muitas dúvidas ainda cercam o assunto. É uma espécie de treinamento? Um tipo de pós-graduação? Uma técnica milagrosa capaz de levar o profissional à presidência da empresa? Um embuste vendido como um processo que vai trazer sucesso à vida de qualquer um?

Segundo Rosa Krausz, presidente da Abracem (Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial), o coaching é uma técnica utilizada para facilitar a tomada de decisões e a busca de alternativas em momentos de dificuldades ou dilemas na carreira. 

É um processo que lembra muito a terapia, com sessões de conversas sigilosas, mas com duração e alcance menores. Geralmente são necessários de seis a dez encontros de uma hora e meia, em média. E embora existam por aí pessoas de má fé ou desqualificadas que se autonomeiam coaches, a técnica é bastante proveitosa e pode mesmo alavancar a vida profissional.

 
A técnica sempre leva a uma decisão --mesmo que seja a de permanecer no estado atual-- e pode ser desconfortável e incômoda. Afinal, a pessoa entra em contato com nuances negativas de sua atuação profissional e pode descobrir que os problemas que aponta na empresa, nos colegas ou no chefe podem ter origem em suas próprias atitudes. 
 
O coaching tem um leque grande de aplicações. Mas, segundo a psicóloga organizacional Izabel Failde, as principais motivações de quem busca apoio nessa técnica são sanar as dúvidas e inseguranças sobre qual rumo tomar na carreira, desenvolver competências como comunicação e relacionamento interpessoal, e conseguir se desenvolver em uma função, como a de chefe ou executivo, por exemplo. 
 
Izabel alerta, no entanto, que a técnica não é imprescindível para ter sucesso profissional. "Assim como nem todos precisam de psicoterapia, mesmo sendo interessante e útil, nem todos precisam de coaching, embora o processo possa fazer toda a diferença nos rumos da carreira".
 

Benefícios à carreira

As empresas podem sugerir aos colaboradores que se submetam ao coaching, mas nunca obrigá-los. "O ideal é que a própria pessoa tome a iniciativa de procurar o serviço e que as sessões ocorram em um ambiente neutro, de preferência no escritório do próprio coach", diz Rosa Krausz.

Para a consultora Ana Paula Peron, sócia-diretora da Presence Talentos, de São Paulo (SP), um dos maiores benefícios dessa técnica é conquistar autonomia, tornando-se capaz de aprender cada vez mais sobre si mesmo e sobre suas possibilidades de escolhas. Assim, torna-se mais fácil agir com maior adequação às suas metas ou às da empresa. 

 

Escolha certa

O coaching é uma atividade profissional reconhecida, mas não uma profissão regulamentada. A formação do coach é feita em entidades como a Abracem e a SBCoaching (Sociedade Brasileira de Coaching), ou em faculdades com cursos na área de gestão de pessoas.

Apesar da grande oferta de coaches pelo mercado, quem deseja contratar os serviços de um especialista deve procurar escolher aquele com a melhor formação possível ou que tenha sido indicado por alguém.

Os especialistas afirmam que hoje há uma banalização do processo, com jovens recém-saídos da faculdade atuando como coaches. Dominar a técnica não é suficiente. É importante acumular experiência profissional e de vida. "Investigue e analise o currículo do profissional, procure outros clientes que já utilizaram seus serviços e descubra quais resultados ele já alcançou", afirma Caio Infante, diretor-geral da Trabalhando.com.

 

Segundo Ana Cristina Simões, coach executiva pela Abracem que atua há mais de 15 anos no mercado corporativo, um aspecto bastante importante na seleção de um profissional é a empatia. "O coaching é um processo personalizado. Então, só terá sucesso se houver ética, respeito, confiança, transparência e abertura entre essas duas pessoas", afirma.

Um bom profissional, na opinião de Ana Cristina, não detém respostas prontas ou dá conselhos genéricos, mas avalia profundamente as necessidades de seu cliente e o ajuda a encontrar as soluções que busca através de perguntas e ferramentas específicas.

Efeito terapêutico

Coaching não é psicoterapia, mas é terapêutico. A terapia prevê o acompanhamento psicológico do indivíduo com técnicas e práticas que o levem ao autoconhecimento, à compreensão e à administração de conflitos internos e ao equilíbrio emocional. "Terapia é um processo conduzido por profissionais com profundo conhecimento da psique humana. Já por terapêutico podemos entender tudo aquilo que facilita a mudança, que nos acrescenta, que nos liberta e nos deixa mais felizes. Como uma conversa com um bom amigo", afirma Izabel.

O coaching promove tudo isso através da discussão da carreira, sem necessariamente entrar nos conteúdos psicológicos da pessoa. Não é uma terapia, embora em alguns casos o profissional possa sugerir a procura por um psicólogo.

No entanto, além da vida profissional, outras esferas da vida costumam ser atingidas no processo uma vez que alguém disposto a discutir sua carreira costuma estar aberto a falar sobre si, sua família e seu mundo. Segundo Débora Gibertoni, coach pela SBCoaching e diretora da Personalité Coaching, de São Paulo, "Há uma melhora perceptível na relação com a família, no nível de confiança e de autoestima e, em alguns casos, até mesmo na saúde do indivíduo".

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