Vida no trabalho

É possível ser feliz no trabalho, mesmo não tendo o emprego ideal

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Tirar proveito das situações que parecem ruins é uma forma de se sentir bem imagem: Thinkstock

Rita Trevisan e Thaís Macena

Do UOL, em São Paulo

Se a segunda-feira é um dia especialmente difícil, em que você acorda mal-humorado, tenso e cabisbaixo, só porque precisa retomar a rotina no trabalho, há algo errado com você. E talvez com o tipo de atividade que anda desempenhando. Afinal, segundo os especialistas em carreira, não só é possível ser feliz no trabalho como essa deve ser uma meta prioritária na vida de todo profissional. 

"Quem trabalha feliz produz mais, se sente realizado e percebe um sentido maior na atividade que realiza. O sucesso, seja em forma de aumento salarial ou promoções de cargo, vem como consequência", afirma Roberto Shinyashiki, doutor em Administração e Economia pela USP. 
 
Nessas condições, os relacionamentos fora do trabalho tendem a melhorar e, geralmente, há um impacto positivo também sobre a saúde. Tudo isso por conta da diminuição do estresse.

"Quem trabalha feliz se sente fisicamente e emocionalmente melhor e contamina a sua equipe e os ambientes por onde circula, que se tornam mais leves e agradáveis", diz a psicóloga Claudia Carraro, especialista em carreiras e pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos. O oposto, claro, é que trabalhar reclamando prejudica os colegas.
 
 

Como chegar lá

 
Alcançar esse estado de graça, no ambiente profissional, não é tarefa para um dia só. Exige dedicação e atenção com a própria conduta. Em geral, é mais fácil ser feliz no trabalho quando há uma correspondência entre o tipo de atividade que se gosta de desempenhar e a função e o cargo para o qual se é designado.
 
No entanto, na impossibilidade de fazer só aquilo que gostamos, devemos nos esforçar para gostar do que fazemos. "Uma maneira interessante de trabalhar essa ideia é pensar que, se tivéssemos a oportunidade de nos envolver só com o que apreciamos ou sabemos, estaríamos limitando nossas possibilidades de desenvolvimento", conta a doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano Cristiane Moraes Pertusi, especialista em carreira e coaching.
 

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De acordo com essa perspectiva, os desafios devem ser encarados de forma positiva. "Trabalhar com metas e prazos exigentes, por exemplo, nos ajuda a aprimorar habilidades, como a organização e o planejamento. Problemas de relacionamento com colegas também não devem ser vistos como empecilhos para a felicidade, mas, sim, como oportunidades de exercitar a tolerância e a comunicação assertiva", diz Shinyashiki.
 
Para minimizar a dificuldade de conviver com superiores e colegas difíceis, outra estratégia é contar com o apoio das pessoas com as quais há mais afinidade no ambiente profissional. "Tome os colegas que você admira como bons referenciais e não dê tanta atenção aos relacionamentos complicados", explica Shinyashiki.

Segundo Claudia, também é preciso esforçar-se para trabalhar em sinergia com a equipe, para não reagir às provocações de forma grosseira e para manter a seriedade e o respeito nas relações com todos, independentemente do cargo que ocupam. "Se você agir assim, a tendência é receber o mesmo tratamento".
 
 

Não reclame, faça!

 
Ser designado para uma tarefa difícil também é algo que pode desestabilizar completamente o humor, e o primeiro impulso é ceder à irritação e sair reclamando. Porém, em vez disso, tente considerar o impacto que aquele projeto vai ter na sua carreira a médio e longo prazos e não apenas no esforço que será empreendido para finalizá-lo. "Não pense apenas na realização da tarefa, mas no significado que aquele trabalho tem na sua vida como um todo", fala Cristiane.
 
Outra ideia é dedicar-se a uma tarefa de cada vez, do início ao fim. "A entrega de um trabalho bem feito, dentro do prazo, é o que possibilita reconhecimento e permite que você ganhe visibilidade", afirma Cristiane.
 
Mas e se o salário fica aquém das expectativas? Isso também não deve ser motivo para aborrecimentos constantes. "Queixar-se não adianta. O importante é avaliar o que você tem feito para mudar a situação. Tem investido em cursos que vão agregar no seu currículo, para poder concorrer a vagas com salários melhores? Como está a sua fluência em outras línguas? O que você tem feito em benefício da sua equipe?", pergunta Claudia.
 

Quando o problema não é você

 
Em alguns casos, por mais que haja um esforço individual, o trabalho pode deixar de preencher os requisitos básicos para proporcionar o mínimo de satisfação. "Se os seus objetivos profissionais não são coerentes com os objetivos da empresa e você já sabe que, mesmo a longo prazo, não terá as oportunidades que deseja, comece a pensar em mudar de emprego", afirma Cristiane. 
 
Nessas situações, consultar um coach de carreiras pode ser bastante útil. "Esse profissional vai ajudar a definir o perfil comportamental da pessoa e, a partir daí, fica mais fácil indicar quais as melhores atividades profissionais para ela. Esse trabalho tem, ainda, o objetivo de ajudar o profissional a ver como pode desempenhar melhor as suas atividades dentro da área escolhida", explica Cristiane.
 

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