Vida no trabalho

Profissional que se vitimiza pode precisar de ajuda ou ser espertalhão

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Pessoas que assumem o papel de vítima podem ter problemas de autoconfiança, mas também podem estar usando o comportamento como tática para obter vantagens imagem: Thinkstock

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

Você já deve ter trabalhado com alguém que nunca admite ter culpa por nada que deu errado. Aquela pessoa que não assume responsabilidades, evita tomar decisões, vive se defendendo, tem dificuldade de dar sugestões e sempre se faz de coitadinho. Para completar, sente raiva dos colegas que, na sua opinião, trabalham menos e, mesmo assim, são mais valorizados pela chefia. Trata-se do "profissional vítima". 

E o que leva alguém a agir dessa maneira? "O ‘coitadinho’ desenvolve um comportamento de vítima --às vezes, inconscientemente-- que pode estar ligado à baixa autoestima, à falta de autoconfiança ou à imaturidade", afirma Marisa da Silva, consultora da Career Center Consultoria em Recursos Humanos.

Mas há, também, o coitadinho do tipo espertalhão, segundo ela, que é aquele que assume o papel de vítima com a intenção de manipular as pessoas e tirar vantagens das situações. Por exemplo, deixar para os outros a tarefa de tomar decisões importantes, simplesmente porque não quer se comprometer.

O paranoico é outro tipo de profissional que se vitimiza: "Aquele que acha que existe uma conspiração contra ele", define Marcos Gross Sharf, autor do livro "Dicas Práticas de Comunicação: Boas Ideias para os Relacionamentos e os Negócios" (Trevisan Editora). Essa pessoa vive atormentada por achar que é perseguida, injustiçada e incompreendida. E, muitas vezes, usa isso como argumento para usufruir de benefícios que outros colegas não têm.


Fazer amizade com o chefe é tática 
 

Um profissional que se faz de vítima, dificilmente, desenvolverá um perfil de liderança ou ocupará um cargo importante em uma empresa. Mesmo assim, pode prejudicar os colegas. Como? Ao conquistar a confiança da chefia, por exemplo, poderá se sentir superior a eles e passar a inferiorizá-los ou, ao fugir de suas responsabilidades, elas acabarão indo parar nas mãos de outra pessoa.

Para Edson Félix, consultor de carreira, o  "profissional vítima" não está preparado para grandes desafios nem para enfrentar as pressões das grandes responsabilidades. Por isso, muitas vezes, aproxima-se do chefe, tornando-se amigo dele, como uma maneira de se proteger.

Dependendo da maturidade do líder, porém, a tática dá apenas uma falsa ideia de segurança. Se o chefe souber separar amizade de trabalho, não preservará um profissional incompetente em seu grupo apenas por ter afinidades pessoais. 

Aliás, é papel do chefe identificar esse tipo de profissional nas equipes. "Ele deve desconfiar do funcionário que nunca assume seus erros e tem sempre uma desculpa para tudo, ainda mais quando essa justificativa envolve responsabilizar outras pessoas", diz a psicóloga Miriam Barros.

Para lidar com o colega que se faz de vítima


Nem sempre é fácil neutralizar as atitudes de quem se sente ou se faz de vítima, mas há medidas simples que podem ser tomadas. "Uma delas é impulsionar o profissional a assumir suas responsabilidades. Muitas vezes, é importante que ele tenha alguém que estimule o seu desenvolvimento", diz a psicóloga Cristiane Moraes Pertusi, especializada em aconselhamento de carreira.

Se a pessoa é do tipo que não quer se comprometer, a melhor forma é mostrar a participação que ela tem nos acontecimentos, por mais que tenha dificuldade de assumir isso. Porém, para não ser você a vitima do "coitadinho", sempre é bom registrar tudo que é dito ou decidido (formalizando as conversas por e-mail, por exemplo). 
 

Cinco passos ajudam chefes a investigar essa situação
 

1. Acompanhe seus funcionários de perto para ter uma boa percepção do ambiente e das pessoas que trabalham nele. Preste atenção aos jogos de interesse que se estabelecem entre os colegas que estão sob seu comando;
 
2. Deixe claro o quanto é importante assumir responsabilidades por suas atitudes e que jogar o problema nas costas de outra pessoa pode ter consequências graves;
 
3. Se não houver possibilidade de acompanhar de perto os colaboradores, faça uma investigação indireta por meio de conversas informais sobre o clima da empresa ou de uma área específica;
 
4. Peça ajuda ao RH da empresa. O departamento pode coletar informações e elaborar uma estratégia para lidar com esse tipo de profissional;
 
5. Saiba diferenciar o profissional que se faz de coitadinho daquele que realmente está enfrentando problemas. Muita gente reclama com razão e merece atenção.

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