Equilíbrio

Interesseiros têm comportamento parecido; conheça dez atitudes

Montagem/Divulgação
Os personagens interesseiros de "Amor à Vida": Leila (à esq.), Félix e Aline imagem: Montagem/Divulgação

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Você já reparou na quantidade de interesseiros que existe em "Amor à Vida"? Leila (Fernanda Machado) não sossegou enquanto não convenceu o namorado, Thales (Ricardo Tozzi), a seduzir Nicole (Marina Ruy Barbosa), para ficar com a herança da milionária; Aline (Vanessa Giácomo) apostou nos atributos físicos para encantar César (Antônio Fagundes), com a intenção de tomar a fortuna do médico; Félix (Mateus Solano) prejudica a irmã Paloma (Paolla Oliveira) e engana a mãe Pilar (Suzana Vieira) em busca do cargo de presidente do hospital San Magno.

Embora com objetivos distintos, os personagens vêm usando artimanhas semelhantes em busca do que querem na trama de Walcyr Carrasco. Longe da TV, os interesseiros também mentem e criam intrigas para convencer os outros a fazerem o que desejam. As motivações são as mais variadas possíveis: puxar o tapete do colega no trabalho, obter um cargo de chefia, seduzir alguém, desfrutar de bens materiais ou do status do outro. Nem sempre é fácil identificar alguém interesseiro, mas, prestando atenção a alguns comportamentos, dá para ficar com as antenas mais ligadas e se proteger. Veja dez atitudes comuns:

 
  • Roberta Guimarães/UOL

    “Quando assumi um cargo de chefia na empresa de telefonia em que trabalhava, a mulher de um amigo do meu marido tinha acabado de perder o emprego. Eu a convidei para fazer parte da minha equipe e ficamos bem próximas. Ela passou a frequentar a minha casa. Isso durou uns seis meses, até que resolvi participar do processo de seleção de outra empresa, para um posto que não era de chefia, e fiquei sabendo por outras pessoas que ela era minha concorrente. Nós duas conquistamos a vaga e, logo em seguida, ela parou de falar comigo. Não demorou muito para que ela se transformasse na mais nova ‘amiga de infância’ da chefe nova. Fiquei muito magoada, me senti usada. Hoje, não deixo de ajudar as pessoas quando posso, mas não crio mais expectativas em relação a ninguém".

    Patricia Lomba, 41, empresária, de Recife (PE)

1. Forçar a aproximação: os interesseiros costumam fazer amizade com suas vítimas praticamente "na marra". Para isso, alegam ter interesses parecidos com os da pessoa, dizem gostar das mesmas coisas e até mentem sobre determinados fatos para fingir que têm algo em comum. Exemplo: "Jura que você foi nesse show? Eu também estava lá!". Segundo a psicóloga Maria Teresa Messeder Andion, especialista em neuropsicologia, o objetivo é forjar uma empatia imediata. "O interesseiro demonstra ser um amigo que estará presente em todos os momentos", diz.

2. Identificar os pontos fortes e fracos: além de coletarem informações sobre tudo aquilo que faz parte da vida de seu alvo, como gostos pessoais, hobbies e horários, os interesseiros têm faro apurado para descobrir o que atrai e repele seus "amigos". Esses dados são armazenados e usados nos momentos oportunos. Um bom exemplo aconteceu em "Amor à Vida": ao saber que César despreza quem só pensa em dinheiro, Aline fez questão de parecer humilde.

3. Manipular para conseguir o que quer: a manipulação é a regra de ouro do manual dos interesseiros. "Sorrateiramente, eles levam os outros a tomar decisões e atitudes que, de algum jeito, vão beneficiá-los. E isso inclui posturas antiéticas", expõe Maria Teresa. Seu poder de convencimento é tão bom –afinal, eles falam exatamente o que os outros querem ou precisam ouvir– que as pessoas acabam acreditando que a iniciativa foram elas mesmas que tiveram.

4. Falar pouco de si: a primeira razão para agir assim é simular que não se sentem importantes nem têm nada interessante a dizer e, assim, concentrar energias no alvo. A segunda é evitar cair em contradição e revelar sem querer suas reais intenções. "Se a vítima em potencial sente uma leve desconfiança e começa a observar o outro com maior cuidado, pode começar a achar alguns comportamentos estranhos", explica a psicóloga e psicanalista Margareth Neves Montenegro.

5. Fazer muitos elogios: para cativar o amigo por quem nutre inveja ou quer extrair algo, os interesseiros não se acanham ao fazer elogios rasgados –nesse momento, conhecer os pontos altos e baixos é bastante útil. As conversas são sempre baseadas em bajulações. Essa é uma forma de se aproximar e de enredar o outro.

  • Rodrigo Capote/UOL

    “Dirijo uma agência de comunicação de famosos e volta e meia sou vítima da abordagem de pessoas interesseiras, que querem ascensão na carreira, frequentar boas festas, fazer contatos. Minha reação varia. Às vezes, dou um ‘situol’ e esclareço as coisas. Prefiro ser sincero e devolvo de forma direta e simples: ‘Você está se aproximando com qual objetivo?’. Mas, dependendo da pessoa, finjo que não estou entendendo o que está ocorrendo. Em mais de vinte de anos de carreira, já me senti usado várias vezes, principalmente por gente que queria ter acesso ao meu círculo de amizades. Hoje, estou vacinado, já percebo a intenção logo no primeiro contato".

    Roberto Rodrigues, 43, agenciador artístico, de São Paulo (SP)

6. Ser solitário: ser interesseiro independe de idade, sexo ou classe social, mas é um desvio de caráter. Não é um quadro de comportamento passageiro. "E, à medida que o tempo passa, o sujeito se isola mais, pois as pessoas começam a perceber sua falsidade e se afastam", diz a psicóloga Maria Teresa. O interesseiro tem um círculo social limitado, que se modifica conforme seus objetivos.

7. Agir com artificialidade: na opinião de Margareth, os interesseiros costumam ter alguns tipos de comportamento de intensidade desproporcional para determinados momentos. "São extremamente gentis ou solícitos em situações banais. As ações parecem programadas", diz. Também em certas circunstâncias agem de maneira muito efusiva, sem necessidade –ao cumprimentarem ou comemorarem algum feito da vítima, por exemplo.

8. Isolar o alvo: em "Amor à Vida", Lídia (Angela Rebello) tentou alertar Nicole sobre as reais intenções por trás do amor repentino de Thales. Para impedir que a governanta abrisse os olhos da milionária, Leila forjou um roubo para que Lidia fosse acusada e demitida. Isolar as vítimas dos colegas e da família é uma tática comum dos interesseiros, de acordo com a psicóloga cognitiva Rejane Sbrissa. "Os amigos verdadeiros nutrem um afeto real, sem esperar algo em troca, e, por isso, sempre vão desconfiar das atitudes exageradas e discutíveis dos falsos", conta.

9. Tentar parecer perfeito: os interesseiros fingem ser os amigos ideais, aqueles que estão sempre disponíveis para qualquer problema ou eventualidade. "Eles parecem não ter defeitos e demonstram sentir o maior prazer em ajudar em tudo. Na verdade, querem transformar você em refém dessa solicitude, para que acabe precisando sempre de seu cuidado e auxílio", fala Rejane Sbrissa.

10. Mudar de opinião conforme a necessidade: os interesseiros evitam ao máximo discordar dos outros, pois não querem gerar polêmica nem animosidade. Quanto mais se assemelharem à uma espécie de "alma gêmea", melhor.

Topo