Equilíbrio

Você tem um amigo "fura-olho" como Amarilys? Saiba identificá-lo

TV Globo/Rafael Sorín
A atriz Danielle Winits interpreta a personagem Amarilys, na novela "Amor à Vida" imagem: TV Globo/Rafael Sorín

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo


Em uma novela recheada de mulheres malvadas, não é à toa que Amarilys (Danielle Winits) vem, pouco a pouco, se tornando o alvo principal da raiva e da indignação dos telespectadores. Pudera: a dermatologista de "Amor à Vida" até parecia boa gente, mas, de uns tempos para cá, despertou o ódio dos telespectadores.

Ao descobrir a bissexualidade de Eron (Marcello Antony), ela ignorou a afeição por seu melhor amigo Niko (Thiago Fragoso) e deu um jeito de levar o companheiro do rapaz para a cama. Após sofrer um grave acidente, Amarilys recebeu a ajuda de Niko. Mas, em vez de se mostrar grata, ela só faz o chef se sentir culpado e tenta cada vez mais prejudicá-lo.

Segundo especialistas, a antipatia que a personagem desperta tem a ver com o fato de Amarilys atropelar um dos sentimentos mais nobres e importantes para o ser humano: a amizade.

Em meio a tantos golpes e mentiras, a atitude que mais causou repulsa foi ter roubado o namorado do amigo. E existem pessoas $!$render-component.split('/')[$math.sub($render-component.split('/').size(), 1)]

Alguns comportamentos de pessoas como Amarilys são bem típicos: "Fazer charme, lançar olhares frequentes e abusar da proximidade, inclusive com toques, são sinais que merecem atenção", diz a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira.

O "fura-olho" também costuma se mostrar extremamente prestativo e gentil diante de seu objeto de desejo –é uma forma de parecerem mais interessados e preocupados do que quem está ao lado deles.

Promover oportunidades para ficar a sós com o par do amigo ou da amiga e chamar a atenção para os defeitos dessa pessoa também são estratégias comuns, assim como dar um jeitinho de interromper os diálogos ou os momentos de harmonia do casal.

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Na opinião da psicanalista Priscila Gasparini Fernandes, especialista em neuropsicologia, uma dica importante é observar se o tal amigo também costuma abusar daquilo que você pode oferecer: bens materiais, paciência, companhia etc.

"Para uma amizade ser sincera, devemos observar se há respeito, confiança, prazer em estar juntos, compreensão, ajuda mútua, semelhança com valores pessoais, postura e caráter. Esses itens são a base de uma verdadeira amizade, e não o interesse nas vantagens que um proporciona ao outro". Para Priscila, geralmente, homens e mulheres agem de forma diferente ao cobiçar o amor do amigo. "Os homens são mais diretos, agem por impulso. Mulheres planejam suas atitudes", diz.

Relações transparentes

Se a desconfiança começar a tomar conta dos pensamentos, é melhor dialogar, por mais desconfortável que isso possa parecer. Abra o jogo, mas com tato. "A transparência nas relações é sempre bem-vinda, porém, exige habilidades para dizer ao amigo ou à amiga, de modo sensato e respeitoso, que você não se sente bem com algumas atitudes em relação ao comportamento que a pessoa tem diante de seu par", informa Mara Lúcia.

Mesmo que a vontade seja de brigar com o provável "fura-olho", é melhor que qualquer frase seja dita em primeira pessoa, assumindo para si a responsabilidade sobre a situação. Por exemplo: "Eu não me sinto confortável com a sua proximidade em relação ao fulano. Pode ser coisa da minha cabeça, mas eu gostaria que você respeitasse meus sentimentos. Ainda que os julgue fruto de insegurança ou algo parecido, eu prefiro que alguns limites sejam respeitados. Tudo bem?".

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A traição de um amigo costuma causar danos graves e transformar a maneira de encarar a vida e os relacionamentos da pessoa que sofreu a infidelidade. Alguns se tornam vingadores enfurecidos; outros, se vitimizam. Os mais sensatos, de acordo com a psicoterapeuta Poema Ribeiro, examinam a situação de forma mais ampla e podem se munir de compaixão suficiente para passar uma borracha e seguir em frente.

"Mas, mesmo ao apagar alguma coisa, se você olhar bem de perto, verá que havia outra coisa escrita em baixo. E aí surge o pior que pode restar numa amizade: a suspeita", fala a especialista. Por mais que o "deslize" machuque, é fundamental que as pessoas envolvidas se disponham a conversar antes de decidir o que farão com o que houve.

"Falar sobre o que aconteceu ajuda a avaliar a situação em cima de dados reais e não fantasiosos", explica Priscila. Mesmo porque faz diferença entender as motivações de quem tem o perfil "fura-olho". Inveja? Competição? Diversão gratuita? Amor verdadeiro? Para alguns, talvez seja menos dolorido perder um amor para alguém que está realmente apaixonado do que ver um romance em ruínas apenas porque a pessoa amiga só quis se sentir vencedora. 

Perdoar ou não?

É impossível prever se um "fura-olho", após obter o perdão, pode voltar a atacar. Mas os riscos são grandes. “Quando um comportamento de busca de prazer ocorre e não resulta em consequências desastrosas, as chances desse mesmo comportamento se repetir são maiores do que antes da primeira ocorrência, quando a pessoa temia perdas significativas, caso suas ações viessem à tona”, diz Mara Lúcia.

Para Poema Ribeiro, é importante lembrar que existe o "fura-olho profissional". “São os especialistas em roubar dos amigos não só o amor, mas o brilho, as outras amizades, o emprego, as oportunidades", conta. Quanto antes identificá-los, melhor.

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