Relacionamento

Dar um tempo é bom para o relacionamento? Veja dicas e regras

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Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Tentar resolver os conflitos juntos, com muito diálogo, é a atitude ideal para desatar certos nós que volta e meia tomam conta dos relacionamentos, principalmente dos mais longos. No entanto, como nem sempre as conversas são capazes de gerar as soluções esperadas, às vezes o melhor a fazer é os dois se afastarem por um período para pensar com calma na situação.

"A distância ajuda a ter clareza sobre o que cada um sente em relação ao parceiro. Sozinhas, as pessoas podem avaliar melhor quais são seus sentimentos, expectativas e valores", afirma a psicóloga Gisela Castanho.

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Para a terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos, dar um tempo no namoro pode ser benéfico se um dos dois –ou ambos– vem atravessando um momento de dúvida ou percebendo que falta algo na relação.

"O medo de estar gostando muito e de se envolver demais é um fator que pode provocar a vontade de se afastar para testar o próprio amor. Outro exemplo comum é um dos dois sentir falta da vida social mais agitada que tinha antes de engatar o namoro", diz Marina. Na lista, podemos incluir a dificuldade de lidar com as diferenças de temperamento, gostos e expectativas sobre o futuro da relação.

O especialista em vendas Fabiano Carvalho Dias, 28 anos, de Atibaia (SP), conta que uma mistura de medo, imaturidade e incerteza o motivou a pedir um tempo à namorada após quatro anos juntos.

"Queria sempre vê-la e fazê-la feliz e não estava conseguindo, pois vivíamos momentos diferentes. Ela falava muito em casamento e eu não correspondia aos seus planos, então, achei melhor nos afastarmos", diz.

  • Arquivo pessoal

    Fabiano Carvalho Dias, 28, pediu um tempo para Débora Amabile, 27, mas voltou atrás e viajou para Vancouver para pedi-la em casamento

Apaixonada por Fabiano desde a adolescência, a gestora em recursos humanos Débora Amabile, 27, sofreu com o tempo. "Eu tinha a certeza de que ele era o homem certo para mim. Sofri horrores e decidi largar emprego e MBA e ficar seis meses no Canadá", conta.

A distância e a saudade fizeram com que Fabiano repensasse a própria atitude. Depois de muita conversa via Skype, ele viajou até Vancouver para encontrá-la e pedi-la em casamento. A cerimônia está marcada para 2014.

Para a soldado do Corpo de Bombeiros Narauê Carvalho, 20 anos, de Suzano (SP), dar um tempo ajuda a definir melhor os parâmetros da relação. "Ele nunca tinha namorado sério, então não via problemas em sair sozinho para festas, muitas vezes sem me avisar", conta ele, referindo-se ao modelo Kainan Ferraz, de 19.

"Apesar de nova, eu já fui casada e tenho uma filhinha de dois anos. Então, sei muito bem o que quero. Estava gostando muito dele, mas decidi dar um ultimato depois que vi fotos dele no Facebook numa balada, sem mim", completa. Os dois ficaram afastados cerca de um mês e meio, tempo suficiente para Kainan ficar "muito mal". "Não entendi direito porque ela queria se afastar, mas depois pensei bem em tudo e decidi procurá-la. Reatar foi a melhor coisa que fiz", fala o rapaz.

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Definição de regras

Na opinião da terapeuta Marina Vasconcellos, é fundamental que o casal –ou aquele que tome a iniciativa de pedir um tempo– saiba bem o que deseja ao dar essa pausa no namoro. "Ambos devem estar cientes que, se optarem por retomar a relação, as coisas devem mudar. O relacionamento não deve ser o mesmo de antes, porque os dois precisam acertar o que estava incomodando. Caso contrário, o ideal é romper de vez".

Ela afirma que "dar um tempo" não deve se transformar em uma muleta emocional. "É importante que os dois encarem os problemas juntos e que descubram, com muita conversa, o que podem fazer para resolvê-los. Se a cada conflito que surgir optarem por se afastar, nunca vão evoluir e deixar o ponto de partida. E se um dia decidirem transformar a relação em algo mais sério, como vai ser?", pergunta Marina.

Cada casal tem sua própria dinâmica, mas, de acordo com a psicóloga Gisela Castanho, se os dois decidirem dar um tempo, é importante que definam exatamente o que significa esse período e quais serão as regras para lidar com ele. Exemplos: manterão a fidelidade? Ambos podem se sentir livres para conhecer outras pessoas? Irão à festa para a qual ambos estão convidados? Conversarão por telefone nesse período? Trocarão e-mails? Mudarão o status nas redes sociais? 

"Até mesmo resolver se esse tempo tem o mesmo efeito de um término, embora provisório, pode fazer a diferença. O que vemos acontecer é que o tempo mal combinado costuma gerar mágoas, pois o que um considera permitido o outro nem sempre encara do mesmo jeito", explica Gisela, que não ignora, porém, que nem sempre as normas definidas funcionam. "Se o combinado será cumprido é outra história", diz.

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O relacionamento subiu no telhado

Pedir um tempo pode ser uma forma de preparar o outro e a si mesmo para um rompimento definitivo. Às vezes, a pessoa sabe que quer terminar, mas pede um tempo, achando que não vai magoar tanto. Ou, sem coragem para assumir que deseja colocar um ponto final no relacionamento, espera que com o pedido de tempo o parceiro se sinta liberado do compromisso de fidelidade e encontre alguém.

  • Rodrigo Capote/UOL

    Isaque Sicsú, 28, pediu um tempo antes de partir para um mestrado nos Estados Unidos, mas o relacionamento não resistiu

Há, também, pessoas que simplesmente não aceitam dar um tempo e, nesse caso, o artifício serve para antecipar o fim.

"A pausa também permite avaliar melhor com quais defeitos alheios e questões difíceis do namoro a pessoa consegue ou quer lidar, por isso nem sempre o desfecho é a reconciliação", diz Marina Vasconcellos.

Foi o que aconteceu com o teólogo Isaque Sicsú, 28 anos, de São Bernardo do Campo (SP), que há dois anos pediu um tempo à namorada antes de partir para um mestrado de quatro anos nos Estados Unidos.

"Problemas que tínhamos no relacionamento se tornaram mais estressantes com a distância. Eu vinha ao Brasil com frequência e sempre nos víamos, mas, quando voltei para ficar, decidi terminar de vez. Cada um tocou sua vida, não era para ser. E a experiência me ajudou a ver o que realmente quero em uma relação", conta Isaque, que namora com outra garota há seis meses.

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