Sexo

Sexo com 'ex' era melhor? Não deixe isso prejudicar sua relação atual

Didi Cunha/UOL
Para que o sexo seja bom entre duas pessoas, é preciso conversar sobre o assunto; você faz isso? imagem: Didi Cunha/UOL

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Vocês se entendem bem, apreciam as mesmas coisas, traçam planos em comum, mas o sexo é morno, bem diferente do que existia com o ex-amor? É inevitável traçar comparações. E, nesse caso, você pode concluir que o sexo com alguém que deixou a sua vida era bem melhor do que você tem com seu atual par. E agora? 

Para solucionar esse dilema, é preciso analisá-lo em todas as suas nuances. O primeiro passo, de acordo com Cristina Romualdo, terapeuta sexual do Instituto Kaplan, é questionar se realmente o antigo romance era, de fato, tão bom assim.

"Nossa memória costuma nos pregar peças, colocando uma espécie de filtro cor-de-rosa nos fatos anteriores. É comum em determinadas circunstâncias acharmos que éramos mais felizes antes, e isso acontece também com a vida sexual", afirma.

Com a distância imposta pelo tempo, o que era ruim se torna difuso, meio embaralhado, e apenas as lembranças boas se evidenciam. O apego ao passado também pode ser uma tentativa, nem sempre consciente, de camuflar o medo de se entregar por completo ao novo namoro e às experiências diferentes que essa relação proporciona.

Outra atitude comum, para Cristina, é confundir as impressões: às vezes a saudade não é do antigo amor ou do sexo incrível que faziam juntos. A nostalgia é da pessoa que você era naquela época.

"Você podia estar em um emprego bacana e ter muita motivação. Ou numa fase mais descontraída, sem grandes responsabilidades, com pique, energia e à vontade com o próprio corpo. Tudo isso influencia a qualidade do sexo", diz.

Na opinião do psiquiatra e terapeuta sexual Carlos Eduardo Carrion, mais importante do que fazer comparações entre os parceiro é avaliar em que sentido, exatamente, o sexo era melhor antes –e isso inclui o que você fazia ou deixava de fazer na cama.

"Pergunte-se do que sente falta. Das preliminares? De um determinado jeito de fazer uma carícia? E aí tente se lembrar de como agia e reagia. A pessoa lhe deixava mais à vontade para liberar suas fantasias? Tinha iniciativa com frequência ou era você quem tinha? E, sobretudo, responda sinceramente: você conhece bem o seu corpo?", indica o especialista.

Com as respostas é possível concluir o que gostaria, de fato, que o outro fizesse e qual parte lhe compete tomar uma atitude.

Quando abrir o jogo?

Para alguns casos não existe justificativa. O sexo de antes era mesmo mais intenso e ponto final. O namoro atual, então, exige alguns reparos.

Segundo o psicólogo e terapeuta de casais Luiz Alberto Hanns, autor de "A Equação do Casamento – O que Pode (Ou Não) Ser Mudado na Sua Relação" (Ed. Paralela), a atração tem a ver com quatro fatores: química sexual, habilidade sexual, afinidade nas preferências, no ritmo e nas fantasias, e ambiente erótico fora da cama, que envolve o charme e o jogo de sedução.

Ele explica que, às vezes, temos uma química sexual inigualável com alguém, mas nem sempre essa pessoa era tão admirável em outros quesitos importantes. Exemplos? Pode não ter um papo interessante, ser egoísta, infiel ou ser um profissional incompetente.

"Se o novo parceiro for especial em outras áreas, mesmo que não houver a mesma química, é possível desenvolver os outros três fatores sexuais incrementando a habilidade, aumentando a sintonia e cuidando da sedução e do erotismo fora da cama", afirma.

Em geral, com mais intimidade, habilidade e sintonia melhoram. Se vocês namoram há pouco tempo, saiba que há um período adaptação. Para Carlos Eduardo Carrion, o período de três meses, em média, é o suficiente para os ajustes necessários.

"Talvez não seja para alguns pares, mas é boa para notar alguma evolução. Se nada melhorar, a relação pode não ir em frente", declara.

Esses ajustes exigem abrir o jogo e falar ao parceiro sobre o que gostaria de melhorar no sexo. "Vença o tabu e o constrangimento. Tenha tato e coragem para abordar o assunto", diz Luiz Alberto Hanns. Isso não significa revelar tudo o que fazia na cama com outra pessoa, mas falar sobre desejos, vontades e expectativas.

"Comparar envenena o relacionamento", diz Cristina Romualdo. Demonstrar na prática o que se espera também é importante, mas uma conversa sincera, segundo os especialistas, pode ser mais produtivo.

"Mas é bom se preparar para a resistência alheia, pois pode acontecer de o parceiro não querer ou não conseguir mudar. E aí você precisa saber exatamente o que quer ou espera da relação para pensar no que fazer", fala Carrion. Afinal, só você pode dizer se o sexo é ou não fundamental em um relacionamento.

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