Relacionamento

Para ser feliz no amor, irrite-se menos com bobagens e não tenha D.R. à toa

Leh Latte/UOL
Não deixe que detalhes bobos do dia a dia estraguem o seu relacionamento imagem: Leh Latte/UOL

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

A lista é extensa: deixar a tampa da privada levantada, apertar demais a pasta de dentes, pendurar roupa íntima no box, não tirar o lixo, espalhar roupas pela casa, esquecer a toalha molhada sobre a cama, demorar para se arrumar, dormir ou não com a TV ligada, levar horas para decidir o sabor da pizza e escolher o mesmo de sempre...

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Faz sentido. Ao traçar planos para o futuro, o mais comum é que os namorados se imaginem sentados no sofá vendo um DVD abraçadinhos tomando vinho. Difícil pensar que um dia estarão brigando porque ela revirou o banheiro para pintar o cabelo ou ele foi ao supermercado e comprou tudo, menos o café.

Esses detalhes bobos, a princípio, provocam atrito e nervosismo, mas são contornáveis. Afinal, não têm nada a ver com amor, afeto, desejo, tesão, cumplicidade. Alguns casais conseguem separar bem as coisas e, mesmo discutindo de vez em quando, não deixam que as desavenças da rotina envenenem o relacionamento. Outros, porém, não são imunes às intempéries.

Para Thiago de Almeida, psicólogo especializado em relacionamentos, o perigo de ir contornando os incômodos do dia a dia, em vez conversar a respeito, é que eles acabam reescrevendo a vida do casal.

"O desgaste frequente com esses problemas faz com que os dois, aos poucos, se esqueçam de como eram antes de terem uma convivência mais estreita", explica. Com o tempo, qualquer discordância faz com que se inicie uma guerra. Daí surgem acusações, nem sempre verdadeiras, que jogam terra sobre os momentos felizes construídos até então.

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O que fazer, então?


Hábitos como não fechar o vaso sanitário ou chutar os sapatos para qualquer canto ao chegar em casa podem parecer bobos para alguns casais, mas para outros interferem bastante no cotidiano, principalmente se esbarra nos valores e crenças do outro.

"Pequenas coisas adquirem grandes significados quando se tornam incômodas, desconfortáveis de se lidar. A irritabilidade aumenta e tudo toma grandes proporções. Como o casamento é uma relação muito íntima, se esses desconfortos não forem gerenciados a tempo podem se tornar grandes entraves para a relação", diz a educadora e moderadora de conflitos Suely Buriasco.

Abrir o jogo é fundamental, mas a maneira como isso deve ser feito é mais importante ainda. Em vez de acusações, reclamações ou troca de farpas, seja gentil, sem abrir mão da clareza e da objetividade. Se no momento da irritação não for possível falar com calma, deixe para conversar depois. 

"Seja assertivo sem ofender. Falar sem afrontar o outro é uma forma de respeitá-lo sem abrir mão das próprias convicções. Ao reconhecer o direito do parceiro de pensar e agir diferente, legitimamos o seu lugar e harmonizamos as relações", afirma Suely.

O psiquiatra e terapeuta sexual Carlos Eduardo Carrion diz que ninguém tem o poder de mudar o outro, mas, sim, de fazer com que o outro resolva mudar.

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"Quando começar a perceber a irritação, em vez de se concentrar naquilo que o chateia, tente pensar nas coisas boas que o parceiro desperta em você. Mudar o pensamento ajuda a driblar o estresse da situação e a enxergar a pessoa de um outro jeito. E ela também vai passar a encarar o conflito de um modo diferente", declara.

A pessoa que se sente irritada deve tentar entender as razões por trás dese sentimento: será que é a mania do parceiro que incomoda mesmo ou existem questões pendentes –pessoais ou do casal– que vêm à tona? Ouça o parceiro e reflita sobre os costumes dele.

"Casamento é um exercício constante de flexibilidade. É preciso saber quando cobrar se algo irrita, mas aprender a ser tolerante e a respeitar o parceiro como ele é", diz Cleide Guimarães, cuja opinião é a de que nem tudo precisa virar uma D.R. (discussão de relação).

"Existem manias que não vão mudar e pronto. É preciso aceitá-las, já que fazem parte de quem você gosta. O vínculo e a intimidade entre o casal devem ser mais importante do que ficar o tempo todo dialogando e refletindo sobre o que fazem ou deixam de fazer", conta.

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