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Perdeu o tesão? Conheça possíveis causas para poder combatê-las

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Falta de desejo tem muitos motivos, mas a causa emocional é a mais comum imagem: Getty Images

Clara Monteiro

Do UOL, em São Paulo


Não existe uma fórmula pronta para reverter a perda do desejo sexual, que pode ter múltiplas causas. Mas descobrir a origem do problema ajuda o casal a acertar seus ponteiros. Tanto homens quanto mulheres podem sofrer com a diminuição da libido por razões físicas ou psicológicas. Veja, a seguir, as mais comuns para eles e para elas.

No caso deles

 
Do ponto de vista clínico, há três possibilidades para a perda do desejo, explica o médico Geraldo Eduardo Faria, presidente do Departamento de Sexualidade Humana da Sociedade Brasileira de Urologia: por uma causa emocional, quando a pessoa está deprimida, ansiosa, estressada, ou por conta de um período difícil, como o luto; também inclui os cansados da rotina ou vivendo uma situação emocionalmente instável.

Outro inimigo comum do desejo é o desequilíbrio hormonal, principalmente na chamada andropausa (esperada a partir dos 50 anos), quando há uma queda na produção de testosterona, estimulante da sexualidade. O terceiro motivo é de origem metabólica e/ou medicamentosa, quando a pessoa toma medicações para tratar depressão, pressão arterial, problemas prostáticos ou outros que podem interferir na libido, além de alterações no metabolismo, que podem ser causadas por diabetes ou sedentarismo, por exemplo.
 
"A maioria dos pacientes chega ao meu consultório pensando que sofre de um problema hormonal. Mas, na verdade, a causa mais comum é a psicológica", diz o urologista.
 
Os especialistas foram unânimes ao apontar, dentre as causas psicológicas, a rotina e o estresse como os principais inimigos do tesão. A psicóloga Carla Zeglios, diretora do Inpasex (Instituto Paulista de Sexualidade), chama atenção para a distinção entre a disfunção erétil, que pode ser corrigida com medicamentos, e a disfunção do desejo. "Com frequência, a dificuldade de resolver problemas no dia a dia vai parar na cama", diz.
 
Com mais de 35 anos de experiência na prática de atendimento em psiquiatria e psicoterapia de casais e famílias, Luiz Cuschnir avalia que os homens precisam se sentir desejados. "Esse quadro aparece com frequência nas relações afetivas que seguem muito tempo sem estímulos apropriados para mantê-los interessados na mulher que têm", diz.
 

O lado delas

 
As causas do fim do desejo sexual feminino também estão divididas em físicas ou psicológicas. "Entre as físicas, podemos citar prolapsos genitais, infecções vaginais, causas hormonais como menopausa e amamentação, uso de medicações ou drogas e outras doenças sistêmicas", enumera a ginecologista Andreia Mariane Deus, do Hospital Evangélico de Sorocaba. 
 
O pós-parto costuma ser um período delicado. A mulher entra em uma nova relação, com um ser totalmente dependente. Os horários sofrem mudanças bruscas e o casal também deve se adaptar a uma nova dinâmica. Além disso, alterações hormonais reforçam o problema.

"A mãe está sob efeito da ação da prolactina e progesterona, que podem diminuir o desejo sexual", explica Silvia Carramão, ginecologista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que recomenda o diálogo e o apoio de parentes para ajudar nos cuidados com a criança.

"É importante que se crie momentos de intimidade entre os dois, às vezes contando com a ajuda de familiares para cuidar do bebê, para que o casal possa ter um tempo para aproximação".
 
Nas causas de fundo emocional, elas se aproximam dos homens. Estresse, ansiedade, problemas com o relacionamento e baixa autoestima foram apontados como os principais culpados pela perda do desejo sexual feminino.

Para Cuschnir, mulheres mais reprimidas, com dificuldades de vivenciar plenamente a sexualidade, tendem mais a ter problemas de libido. “A falta do desejo pode estar associada com a dispareunia, ou seja, a dor no ato sexual, e outros quadros que afetam a possibilidade de sentir satisfação em virtude de incômodos nessa hora", descreve.
 
O problema pode se tornar maior, segundo o psiquiatra, quando as mulheres vão, gradativamente, evitando relacionamentos íntimos e assumindo uma rotina assexuada.
 
 

Um tenta ajudar o outro

 
É preciso identificar o problema e ter ao menos uma pista da causa para começar a agir. Se as mulheres percebem o desinteresse do parceiro, podem tentar novidades no sexo e tentar abrir um canal de comunicação. “Homens guardam o que desaprovam e, aos poucos, perdem a atração pela companheira”, explica Luiz Cuschnir.
 
Os homens também precisam estar atentos às respostas femininas ao notar o afastamento. A conversa é sempre recomendada: não tenha medo de abordar temas que parecem tabus. "A vida sexual precisa ser constantemente ativada", resume o psiquiatra. "O jogo de sedução tem de permanecer e os problemas da vida não podem invadir este espaço". 
 
Se não for possível fazer isso a dois, está na hora de procurar um terceiro: um especialista em medicina ou psicologia.
 

Fale com seu médico

 
Do ponto de vista clínico, considera-se a perda do desejo um problema quando a relação sexual não ocorre há mais de seis meses e essa falta não está associada a outra patologia, como a depressão. Mas, na prática, os especialistas recomendam que se busque ajuda o quanto antes.
 
Uma armadilha comum é o conformismo à situação. E ela pode ser fatal. "Às vezes, o desvio é irrecuperável e, mesmo atravessando a situação que causou o problema, o casal já não consegue retomar o ritmo e interesse que havia", afirma Luiz Cuschnir.
 
Carla Zeglios concorda: "As pessoas passam tempo demais achando que ‘vai passar’", diz. "Ao perder tanto tempo, os casais acabam chegando ao consultório ‘quebrados’, pois já destruíram tudo de legal que tinham na relação".
 
Por isso é importante procurar apoio o quanto antes. "Seja de um terapeuta, médico ou advogado, se perceberem que a situação não tem mais conserto", finaliza Carla.

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