Equilíbrio

Pessoas muito supersticiosas são inseguras; veja se é o seu caso

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Use o campo de comentários desta página para contar qual é a sua superstição, caso você tenha uma imagem: Getty Images

Marina Oliveira e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo


Você evita marcar compromissos importantes para uma sexta-feira 13? Passa embaixo da escada sem medo de azar? Bate três vezes na madeira para evitar que algo ruim aconteça? Esses são exemplos de superstições, ou crenças em determinados rituais, que estariam diretamente relacionados à sorte ou à falta dela. 

"A tendência à superstição é característica do ser humano. O homem, desde os seus primórdios, procura vencer o mal, representado, sobretudo, pela figura da morte. Ele adota, para isso, as mais diversas atitudes de proteção", afirma a antropóloga Lídice Meyer Pinto Ribeiro, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 
 
Algumas superstições são resquícios de cultos ou rituais religiosos que já desapareceram. "Muitas pessoas seguem, mas não sabem explicar a razão ou a origem de uma determinada superstição. Na maior parte dos casos, sobrevive apenas a noção de que, se aquele comportamento não for adotado, o pior poderá acontecer", diz. 
 
Assim, com a passagem do tempo, as superstições se modificam, mas jamais desaparecem. Se, no passado, algumas culturas acreditavam que existia uma relação direta entre um tipo de dança e a ocorrência da chuva, hoje há quem acredite que compartilhar determinada imagem na rede social, ou encaminhá-la via e-mail, vai ajudar na realização de um desejo.

"Todos, em algum momento da sua vida, agirão de forma supersticiosa ou manterão um objeto com a finalidade de se resguardar", conta Lídice.

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Crer para controlar

 
No fundo, o que a pessoa supersticiosa quer é se manter no controle da própria vida, algo que é impossível, já que o futuro é bastante nebuloso. "Em geral, quanto mais inseguro, mais supersticioso o indivíduo é", declara o psicanalista Cristian Boragan, do Instituto Integrado de Psicanálise de São Paulo.

"As pessoas muito supersticiosas acham difícil lidar com eventos cotidianos, explicá-los ou prevê-los", diz o psicólogo Carlos Esteves, idealizador do Núcleo de Terapia por Contingências de Reforçamento de Curitiba. 
 
Nessa perspectiva, acreditar em algo mágico transmite uma ideia de segurança. O que, de acordo com Boragan, não é necessariamente ruim. "Em determinadas fases da vida, a superstição pode ajudar a lidar com um acontecimento difícil, até a pessoa conseguir sair daquela situação ou superá-la", explica.
 

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Exagero pede atenção

 
O perigo é quando essas crenças passam a atrapalhar a vida e as superstições conduzem a uma espécie de alienação. A sexta-feira 13, por exemplo, é considerada por muitos um dia de azar. Porém, deixar de sair de casa para se divertir ou abrir mão de um compromisso por acreditar que algo ruim pode acontecer na data já é uma atitude que pode indicar desequilíbrio.

"A superstição deve ajudar as pessoas a lidarem consigo e com o mundo ao redor, ela tem um aspecto positivo e agregador. No entanto, quando uma pessoa passa a conduzir a sua vida inteiramente balizada na crença de que tudo é um sinal dos céus ou do além, é a hora de rever os conceitos ou de procurar ajuda", diz o psicanalista Cristian Boragan. 
 
Usar a superstição para fugir da realidade e colocar a culpa dos problemas da vida em forças ocultas, em vez assumir a responsabilidade, também é prejudicial.

"Quanto mais a pessoa entende os efeitos que as suas ações causam no ambiente, mais madura ela se torna. O comportamento supersticioso não considera as diferentes variáveis envolvidas nos acontecimentos do dia a dia", afirma Carlos Esteves.

Assim, se a superstição for exagerada, e competir com a razão, ela contribuirá para deixar o indivíduo mais vulnerável às situações da rotina, em vez de protegê-lo. Em outras palavras, superstição demais dá azar.
 

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