Sexo

Cursos eróticos ensinam striptease, sexo oral e muito mais

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Fernanda Pauliv, que se apresenta como especialista nas artes da paixão, durante palestra em Curitiba (PR) imagem: Divulgação

Yannik D´Elboux

Do UOL, no Rio de Janeiro



Dizem que sexo é algo que, naturalmente, todo mundo sabe fazer. Porém, o aumento da oferta de cursos que prometem ensinar as mais variadas técnicas sexuais indica que esse conhecimento talvez não seja tão instintivo para todos.

Existem opções para aprender desde o bê-a-bá até aulas para virar um "sexpert". Striptease, massagem sensual, massagem tântrica, pompoarismo, danças eróticas no colo (lap dance), na barra (pole dance), na cadeira (chair dance) e até no solo (floor work) e na parede são alguns dos temas explorados.

Mais recentemente, surgiu um curso de sexo oral, inspirado em uma iniciativa que aconteceu na Rússia, com direito a aulas teóricas e práticas, além de uma apostila de treinamento. O curso foi ministrado em novembro para 50 mulheres de Salvador (BA) pela empresa Mundo da Intimidade, da jornalista e mestranda em Educação Sexual Aline Castelo Branco, que pretende levar o programa para São Paulo e Rio de Janeiro em 2014.

"Adaptamos o curso da Rússia para o nosso público, que é bem mais conservador, principalmente no Nordeste. A ideia foi trazer orientação. Ninguém nasce sabendo fazer sexo. A primeira vez é sempre muito difícil. Sexo também se aprende, como se fosse uma disciplina escolar", afirma Aline.

Para a ginecologista e sexóloga Karla Kalil, uma das especialistas que ministrou o curso, o objetivo principal foi promover a educação sexual, atendendo a uma demanda existente entre o público feminino.

"Como a mulher deixou de ser reprimida e passou a ser ativa, surgem muitas dúvidas, mas ela não tem a quem perguntar. E o ginecologista nem sempre está acostumado com essas questões", afirma a médica.

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Maratonas sexuais e reciclagem

O público dos cursos de técnicas sexuais costuma ser predominantemente feminino. O serviço de sex coach, uma espécie de consultoria, também atrai casais. Segundo Tarciana Chuvas, que se denomina educadora sexual, consultora de artes sensuais, striptóloga e sex coach, 80% dos participantes de seus cursos e palestras são mulheres.

"Antigamente, meu público era de mulheres casadas entre 25 e 40 anos. Hoje, cresce a procura entre senhoras acima de 60 anos. Algumas descobriram sua sexualidade depois de ficarem viúvas", conta Tarciana.

Entre os cursos mais requisitados para a sex coach, moradora de Teresina (PI), estão as maratonas sexuais, que incluem o aprendizado de várias técnicas, como massagem, pompoarismo e striptease. E Tarciana realiza palestras em empresas para "aumentar a produtividade pela sexualidade satisfatória".

Apesar dos macetes que ensina, graças aos estudos e pesquisas informais que faz há 17 anos, além dos cursos que frequenta no Brasil e no exterior, Tarciana diz que a prioridade do seu trabalho é aumentar e recuperar a autoestima das alunas. "Não se ensina um strip a uma mulher que não se enxerga capaz", justifica.

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    A sex coach Tarciana Chuvas diz que tem aumentado a procura por cursos entre mulheres acima de 60 anos, inclusive viúvas

 

Para Fernanda Pauliv, que se intitula especialista nas artes da paixão, além da autoestima, o importante também é proporcionar uma forma de reciclagem sexual às participantes, sempre em busca de novidades.

"As mulheres que procuram o curso 'como se tornar uma sexpert', geralmente, são mais velhas, já sabem beijar, fazer sexo oral, mas querem algo diferente, querem melhorar", explica.

Em Curitiba (PR), cidade onde reside, as palestras mensais de Fernanda costumam lotar um teatro de 150 lugares, segundo ela.

A maioria das participantes vai pela indicação de amigas. Os temas relacionados às dicas sexuais, como "100 hot dicas", atraem o público feminino mais jovem que busca sugestões para "manter a paixão sempre acesa", diz ela.

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Fernanda Pauliv já tentou trabalhar com o público masculino, mas desistiu. A especialista autodidata, que há 11 anos trocou uma carreira na área de Publicidade para se dedicar à atividade atual, diz que é difícil fazer um trabalho sério com os homens, pois eles esperam por sacanagem. "E eles sempre acham que não precisam aprender nada".

A sexóloga Karla Kalil compartilha da mesma opinião. "Infelizmente, a maioria dos homens acha que é expert na cama". Karla também destaca que muitas vezes eles têm vergonha de admitir que não sabem fazer algo.

A partir do próximo ano, a Mundo da Intimidade pretende oferecer programações para o público homossexual, que protestou contra a exclusividade do curso de sexo oral para mulheres em Salvador, e para casais.

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    Curso de sexo oral para mulheres, realizado em Salvador (BA); na foto, a consultora sexual Leila Ramos

Sexo padronizado

Os preços dos cursos variam muito: custam de R$ 60 a R$ 500, dependendo da quantidade de horas de programação e dos profissionais envolvidos.

A psicóloga Maria do Carmo de Andrade Silva, presidente da Sbrash (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana), também livre docente em Sexualidade Humana, alerta aos interessados nesse tipo de aprendizado que é importante escolher com cuidado o professor, avaliando sua capacidade para tratar do tema.

"A sexualidade é muito ampla, envolve valores culturais, étnicos, religiosos, de subgrupos, diferentes para cada um. O profissional que trabalha com sexualidade tem que ter muito claro que não é algo exato, que todas as pessoas praticam da mesma forma, senão fica muito padronizado".

Nos tempos de internet, há muitas informações disponíveis sobre todos os assuntos, inclusive sexo. Mesmo assim, o mercado dos cursos sexuais parece aumentar. Para a sexóloga, isso denota que ter acesso ao conteúdo não basta para modificar comportamentos. 

"Para questões que envolvem emoções, não adianta só a informação, é preciso perceber o que está por trás de inibições e dificuldades", explica Maria do Carmo.

A presidente da Sbrash também desmistifica a ideia de que o sexo é um conhecimento nato. "O sexo não é instintivo nos seres humanos há muitos anos".

A maneira com que cada um exerce sua sexualidade, segundo a psicóloga, está relacionada a interferências sociais, culturais e do ambiente em que se vive. A busca das mulheres por mais prazer e também a pressão em agradar os parceiros, por exemplo, são reflexos do momento atual, após décadas de repressão.

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