Vida no trabalho

Atualize sempre seu currículo mesmo que não esteja procurando emprego

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Se o seu currículo está desatualizado, comece agora mesmo a colocá-lo em dia imagem: Getty Images

Louise Vernier e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

Sua vida profissional está indo bem, você faz o que gosta, tem um salário compatível com o cargo e geralmente recebe elogios de seus superiores. Isso o faz enxergar um futuro promissor dentro da companhia. E, como você não pretende sair dela tão cedo, seu currículo não é atualizado há meses ou até anos.

Porém, de acordo com os especialistas em carreira, acrescentar informações recentes e relevantes ao documento, periodicamente, é um hábito que deve ser adotado e mantido durante toda a vida profissional. Mesmo para aqueles que não almejam uma recolocação no mercado de trabalho.

"O currículo serve como uma bússola. Toda vez que o atualizamos, temos a chance de analisar a quantas anda a nossa carreira", afirma Margareth Bianchini, business coaching e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Nessa perspectiva, o currículo é, antes de tudo, uma ferramenta de registro e acompanhamento da evolução da sua trajetória e uma excelente maneira de monitorar sua performance e os resultados alcançados a cada período.

"Isso é o que eu chamo de cuidar da carreira em tempo real. O currículo é um recurso para a gestão do seu projeto profissional. A partir dele, você pode perceber a necessidade de fazer ajustes e revisões em seus conhecimentos ou experiências, por exemplo", explica João Baptista Brandão, professor e coordenador do curso Master em Liderança e Gestão de Pessoas do FGV Management.

O hábito de atualizar o currículo periodicamente é uma ótima forma de se lembrar das habilidades e pontos fortes que possui e de verificar até que ponto isso está sendo bem aplicado na sua função e na empresa atual.

"A tarefa dá ao profissional a oportunidade de avaliar o que apresenta de positivo, o que não lhe trouxe progresso e o que precisa melhorar", explica Lívia Freitas Fonseca Borges, professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília). 

Assim, se após alguns meses no mesmo cargo, não há nada a acrescentar no documento, provavelmente está na hora de fazer algumas mudanças. “Nesse caso, é possível que o profissional esteja apenas cumprindo tarefas, sem agregar valor à sua função. O que lhe deixa vulnerável no que diz respeito à empregabilidade, dificultando um reposicionamento, caso seja necessário", afirma Margareth.

Essa análise também traz dados objetivos para a avaliação da sua satisfação e da motivação para continuar no emprego. Ainda assim, se chegar à conclusão de que não está tão feliz quanto poderia, não encare isso como um motivo para desistir. "A felicidade depende de nós. Às vezes, trocar de área dentro da empresa já é o suficiente para ganhar um novo ânimo", diz Margareth.

No controle da sua carreira


Muito mais do que proporcionar uma visão geral do andamento da sua carreira, o currículo pode ser utilizado a seu favor em outros momentos. Atualmente, o documento é requisito básico em processos seletivos para os cursos de especialização, mestrado e doutorado. "Ele ajuda a nivelar o grau de conhecimento da turma que a instituição está formando", explica Margareth.

Além disso, no seu cargo atual, o seu superior pode solicitar, a qualquer momento, o documento. Ele pode analisá-lo detalhadamente antes de confiar a você um projeto importante ou de convidá-lo a exercer uma nova função. Nessas ocasiões, ter o seu currículo em mãos, com todas as informações em dia, pode lhe deixar um passo à frente dos demais candidatos.

Por fim, caso venha a acontecer uma demissão inesperada, você estará mais preparado para encarar os processos de recrutamento do mercado.

"Fazer um currículo às pressas e, em alguns casos, afetado emocionalmente, pode ser uma armadilha. A memória nos prega peças e a pessoa pode deixar de valorizar pontos importantes da sua formação e da sua experiência na hora de fazer esse apanhado", afirma Brandão.

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