Relacionamento

Filmes sentimentais podem fortalecer relacionamento, diz estudo

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Segundo estudo, assistir a esse tipo de filme tem efeito semelhante à terapia de casal imagem: Getty Images/iStockphoto

Tara Parker Pope

New York Times News Service

Um dos grandes abismos nos relacionamentos entre um homem e uma mulher é aquilo que muitos consideram como "filme para mulher" --um filme como "Laços de Ternura" ou "Diário de Uma Paixão"-- que geralmente leva as mulheres às lágrimas e deixa os homens entediados. Agora, porém, um estudo da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, mostra que os filmes sentimentais feitos em Hollywood podem ajudar a fortalecer relacionamentos na vida real.

A pesquisa, realizada com 174 recém-casados, descobriu que aqueles que assistiram e conversaram sobre questões levantadas em filmes como "Flores de Aço" e "Love Story" tinham menos chances de se separar do que casais em um grupo de controle. Surpreendentemente, a intervenção de "Love Story" foi tão eficiente em manter casais juntos quanto dois métodos intensivos conduzidos por terapeutas.

Os resultados, mesmo sendo preliminares, têm implicações importantes para o aconselhamento a casais com problemas de relacionamento. A intervenção com filmes pode se tornar uma opção de autoajuda para casais relutantes em iniciar sessões formais de terapia, ou àqueles que moram em áreas com menos acesso a terapeutas.

"Um filme é uma maneira não ameaçadora de iniciar a conversa", explica Ronald D. Rogge, professor de Psicologia na Universidade de Rochester e principal autor do estudo. "Isso é realmente empolgante, pois torna muito mais fácil atingir os casais e ajudá-los a fortalecer seus relacionamentos em ampla escala". 

O objetivo inicial do estudo era avaliar dois tipos de intervenções terapêuticas, chamadas de CARE e PREP nos Estados Unidos. O método CARE tem como objetivo a aceitação e empatia no aconselhamento de casais, enquanto o PREP é voltado a um estilo específico de comunicação que os casais usam para solucionar problemas. Os pesquisadores queriam uma terceira opção que permitisse uma interação entre os casais sem envolver um aconselhamento intensivo.

Rogge e o autor sênior Thomas N. Bradbury, diretor do Relationship Institute da University of California, em Los Angeles, publicaram as descobertas na edição de dezembro da revista "The Journal of Consulting and Clinical Psychology".

Efeito terapêutico

Os pesquisadores fizeram os casais assistirem a cinco filmes e participarem de discussões orientadas em seguida. Um quarto grupo de casais não recebeu qualquer aconselhamento ou tarefas de autoajuda, servindo como grupo controle.

No início do estudo, os pesquisadores esperavam que os métodos CARE e PREP surtissem um efeito pronunciado sobre os relacionamentos, e que a intervenção com filmes pudesse resultar em algumas melhorias leves à qualidade das relações. Mas a intervenção com filmes funcionou tão bem quanto os dois métodos estabelecidos de terapia para reduzir os divórcios e separações.

Entre os 174 casais estudados, os que receberam aconselhamento matrimonial ou participaram da intervenção com filmes mostraram 50% menos chances de se divorciar ou separar após três anos do que os casais no grupo de controle, que não sofreram nenhuma intervenção. A taxa de divórcio ou separação foi de 11% nos grupos com intervenções, frente a 24% no grupo de controle.

Filmes úteis

Ao determinar a lista de filmes que poderiam ser úteis a casais, os pesquisadores eliminaram comédias românticas populares como "Sintonia de Amor" ou "Harry e Sally – Feitos um para o Outro". Em vez disso, eles fizeram uma lista de filmes que mostram casais em pontos altos e baixos de suas relações.

"Hollywood pode colocar expectativas bastante irreais nos relacionamentos românticos", afirma Rogge. "A ideia de que você precisa se apaixonar de forma fácil e instantânea não é uma realidade, e não é relevante para a maioria dos casais que estão em um relacionamento há dois, três ou quatro anos".

Alguns dos filmes na lista, como "Encontro de Casais", são engraçados e não necessariamente realistas. "Mas eles são suficientes para iniciar um diálogo", explica Rogge.

Desde a conclusão do estudo inicial, Rogge e seus colegas vêm recrutando casais para estudar o efeito da intervenção com filmes sobre diferentes relacionamentos, incluindo casamentos antigos e casais do mesmo sexo.

Megan Clifton, estudante de 27 anos de Knoxville, no Tennessee, mora com o namorado há quase dois anos. Mesmo garantindo que os dois têm "uma comunicação excelente", ela decidiu tentar a intervenção com filmes.

Enquanto viam o filme "Uma Noite Fora de Série", com Tina Fey e Steve Carell, o casal riu durante uma cena onde o marido não consegue fechar gavetas e portas de armários. "Ele deixa os armários abertos o tempo todo, e eu me transformo na namorada chata e ele fica meio chateado", explica Megan. "Quando estávamos assistindo ao filme, eu disse: 'Esse é você!', e foi engraçado. Acabamos rindo de tudo, e aquilo nos ajudou a enxergar nosso relacionamento e nossos problemas de forma bem-humorada".

Matt e Kellie Butler de Ashtabula, Ohio, são casados há 16 anos e também acham que a intervenção com filmes ajudou no relacionamento. Até agora, eles assistiram a "Amor e Outras Drogas" e "Ela Vai Ter um Bebê".

"Isso é algo poderoso", diz Matt Butler. "É como acompanhar a criação de personagens em uma sessão de terapia em grupo, mas é um filme --e por isso é menos ameaçador e mais divertido".

Segundo Butler, embora ele e sua mulher tenham um forte vínculo, casais juntos há muito tempo às vezes se esquecem de discutir seus relacionamentos. "Somos casados há 16 anos, mas isso não é algo que você senta e conversa a respeito", diz ele. "Quando você vê um filme, ele te leva a discutir o relacionamento".

Rogge observou que mais pesquisas são necessárias para determinar o efeito sobre uma variedade de casais. Uma falha do estudo é que o grupo de controle não era realmente aleatório. Embora os casais no grupo de controle parecessem similares a outros casais no estudo, em termos de demografia e qualidade do relacionamento, mais pesquisas são necessárias para validar o método dos filmes.

"Analisando a profundidade das discussões que ocorrem após cada filme, e quanto esforço, tempo e introspecção os casais colocam nessas discussões, acredito que poderemos prever como caminharão os relacionamentos", afirma Rogge.

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