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A crise dos sete anos existe mesmo? Tire dúvidas sobre o tema

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Pessoas sugestionáveis tendem a sofrer mais com a crise dos sete anos, segundo especialista imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo


O termo "crise dos sete anos" se popularizou com o filme "The Seven Year Itch", clássico de 1955 que, no Brasil, recebeu o nome de "O Pecado Mora ao Lado". No enredo, o editor de livros Richard Sherman (Tom Ewell) aproveita que a mulher está viajando para se aproximar da vizinha sexy, vivida por Marilyn Monroe.

Enquanto cultiva fantasias com a moça, ele se dedica à leitura do livro "A Coceira do Sétimo Ano" (tradução do nome em inglês do longa), que trata da forte tendência masculina à infidelidade após sete anos de casamento. Os tempos são outros e o comichão, hoje, também atinge as mulheres. A crise dos sete anos é tratada como uma espécie de armadilha à espreita dos casais. Veja respostas para dúvidas comuns sobre o tema.

 
Por que as pessoas têm tanto medo da crise dos sete anos?
"Porque existe uma crença social de que é a primeira crise importante que um relacionamento atravessa", responde Juliana Bonetti, psicóloga especializada em sexualidade. Na opinião do psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami, o estado imaginário se encarrega em aumentar esse medo do relacionamento.
 

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"Pessoas mais  sugestionáveis têm mais probabilidades de apresentar sintomas até então inexistentes que denunciam que algo não está indo bem na relação, quando está", conta. A influência de comentários de amigos sobre as próprias experiências matrimoniais pode também suscitar um tremendo engano. Se entraram em crise após sete anos juntos, quem ouve ficará com o pé atrás, obviamente.

A crise dos sete anos existe mesmo?
Há controvérsias. Segundo a psicóloga Roseana Ribeiro, especialista em motivação e mudanças de comportamento, existem ciclos de vida a cada sete anos, os chamados setênios. Essas fases coincidem com transformações biológicas e espirituais que todo mundo atravessa e foi objeto de estudo dos chineses e dos gregos, na antiguidade.
 
"Para os rígidos, durante ou ao fim de cada ciclo, sem dúvida, existirá a crise. Já os flexíveis, que aceitam dialogar e questionar seus próprios valores e crenças, atravessarão o ciclo sem perceber, embalados pela capacidade de se adaptar às mudanças necessárias para evoluir", diz Roseana. No entanto, não existe comprovação científica em relação a divisão de fases na vida das pessoas, e muito menos algum estudo que relacione os problemas na vida de um casal ao seu sétimo ano juntos.

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Mesmo não sendo comprovada, os casais costumam viver crises após sete anos de relação?
Não especificamente, mas todo casal passa por diversas crises ao longo da relação. Segundo Juliana, por ser um período de tempo muito arraigado no imaginário de algumas pessoas, serve para nomear qualquer desentendimento. E paira sobre os dois como uma ameaça quase palpável. "Muitas vezes o casal nem está vivendo uma situação complicada na relação, mas sofre antecipadamente e qualquer briguinha pode receber esse nome", declara a psicóloga. 
 
É verdade que a maioria dos casais se separa após sete anos juntos? 
Não. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2013, a média de duração dos casamentos no Brasil é de 15 anos.
 
Há uma corrente que defende que a crise dos três anos é mais intensa do que a dos sete. Por quê?
Estudos afirmam que a paixão acaba por volta de dois anos após o período de encantamento. Os três primeiros anos de convivência, então, são a prova de fogo para testar se a paixão tornou-se algo a mais, como amor, amizade, cumplicidade.
 
"Depois de três anos, a sexualidade dos parceiros também entra em uma rotina, não há mais tanto mistério, é tudo mais escancarado, e tamanha intimidade precisa ser trabalhada e transformada", fala Juliana. "Alguns autores consideram que no primeiro ano tudo é novidade; no segundo, há uma acomodação e no terceiro o casal se dá conta da incompatibilidade ou da dificuldade de encarar uma vida a dois. Essa é uma das possíveis explicações", fala Cristina Romualdo, terapeuta sexual do Instituto Kaplan, de São Paulo (SP), instituição privada que se dedica aos estudos sobre sexualidade humana e à educação sexual.

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A crise dos sete anos pode estar ligada a alguns acontecimentos na vida do casal? 
Sim. Desencanto, rotina, necessidade de reparos na casa, filhos pequenos, perdas e enfrentamento de problemas como desemprego são alguns dos possíveis fatores que contribuem para o casal se estranhar. É um período que marca um desgaste natural de qualquer relacionamento, ainda mais quando se mora na mesma casa.
 
"São muitas as razões que justificam uma crise e até um rompimento, mas existe também o motivo principal que levou à formação desta parceria. Vale sempre a pena rever os motivos que levaram à união e ponderar antes de qualquer tomada de decisão", afirma Juliana.
  
Há alguma forma de "blindar" a relação contra esse ou outro tipo de crise?
Comunicação, segundo Cristina Romualdo. "Quando um consegue falar de si para o outro e, mais importante ainda, consegue ouvir o outro, é sinal de que ambos têm um caminho seguro para resolver todas as questões difíceis que certamente enfrentarão no dia a dia do relacionamento", explica a terapeuta.
 
Se não guardarem mágoas, poderão ter discussões saudáveis, esclarecerem dúvidas, reavaliarem e redimensionares as expectativas, tanto sobre o outro quanto sobre o casamento. Mesmo que ocorram as crises, elas não devem abalar a união.
 

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