Equilíbrio

Primeira impressão não precisa ser a que fica; cogite uma nova chance

Bianca Lucchesi/UOL
A primeira impressão é a mais marcante, mas não precisa ser necessariamente a definitiva imagem: Bianca Lucchesi/UOL

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Se você costuma dizer que bastam alguns minutos de conversa para traçar a personalidade de alguém, precisa rever os seus conceitos –principalmente se for do tipo que volta e meia antipatiza com as pessoas à primeira vista. A primeira impressão não precisa ser, necessariamente, a definitiva. Dar uma segunda chance a alguém de lhe impressionar de forma positiva pode render boas surpresas.

De acordo com a psicóloga Mariana Iannuzzi, especializada em consultoria de imagem pelo FIT/NY (Fashion Institute of Technology of New York), instituição de ensino superior nos Estados Unidos, nosso cérebro funciona baseado em padrões conhecidos, provenientes de experiências.

"A primeira impressão até pode não ser a que realmente fica, mas com certeza é a mais marcante. Quando temos uma primeira má impressão sobre alguém, nosso cérebro entende aquela pessoa como negativa nas situações seguintes. Por isso, refazer a programação requer tempo, esforço e persistência", diz.

Mas é bom analisar se a sensação negativa em relação à outra pessoa vem baseada em julgamentos precipitados. "Ela pode, por exemplo, ter uma semelhança física ou de comportamento com alguém que lhe fez mal no passado. Nesses casos, o resultado é você ficar na defensiva", exemplifica a psicóloga Heloisa Schauff.

Quando os valores demonstrados pela outra pessoa também são diferentes dos seus há o risco de antipatia imediata, também. "É essencial observar as pessoas com calma antes de julgá-las", fala Mariana.

As aparências enganam

Segundo Heloisa, quando conversamos com alguém, é de praxe tentarmos descobrir o que a outra pessoa está pensando ou sentindo. "O inconsciente vai percebendo e captando as expressões faciais, e não o que está sendo dito. Por vezes, a pessoa pode notar um sorriso falso ou uma expressão no olhar que não parece sincera", diz.

Mas as aparências enganam. É preciso ter cuidado para não haver equívocos, pois o outro pode estar tentando disfarçar um mau humor ou uma tristeza. A cara de "poucos amigos" nem sempre tem a ver com o interlocutor, mas ser reflexo de um dia ruim.

É fundamental ter cuidado e fugir de equívocos calcados em estereótipos. Um clássico exemplo é os dos tímidos, que muitas vezes acabam gerando uma impressão distorcida de arrogância ou antipatia.

"A falta de habilidade na comunicação pode parecer proposital, o que leva os outros a fazerem uma interpretação distorcida", conta a psicóloga Triana Portal, que completa: "Há indivíduos que se apresentam combativos, cheios de opiniões diretas, francas, falando alto e impondo suas idéias. Esses também causam impacto, mas conseguem se sair melhor do que os mais contidos. Já as pessoas que exageram na extroversão e nas emoções podem parecer fúteis e falsas".

Como é difícil saber todas essas sutilezas, reflita antes de firmar uma impressão. E dê uma segunda chance. Pode até acontecer de a imagem negativa ser reforçada, mas, nesse caso, você terá certeza de que não foi uma opinião gratuita. "Dê tempo para que a primeira impressão possa se confirmar ou se modificar. É preciso flexibilidade para mudar as impressões iniciais", fala Heloisa.

Para Triana, em alguns casos, nossas expectativas são altas demais –daí a tendência é ver de forma negativa aquilo que não corresponde ao que existe somente em nossa cabeça. "A probabilidade é que a realidade sempre se apresente de forma atenuada. Se esperamos muito, sempre o que virá será pouco. Não estou pregando que devemos desprezar nossos mecanismos instintivos de alerta, de repulsa, mas, sim, tentar entender, refletir sobre o que desencadeou uma emoção ruim", diz.

Não quer causar má impressão?

E quando é você que tem a sensação de que não causou uma boa impressão e gostaria de ter uma segunda chance para mudar isso? Saiba que quem costuma transmitir uma imagem positiva interessar-se sinceramente pelos outros, faz elogios genuínos, sorri, chama pelo nome, fala de modo amigável, ouve mais do que fala durante uma conversa e respeita as opiniões divergentes.

"Mas claro que tudo isso tem de ser autêntico, caso contrário, a impressão negativa com certeza se confirmará", fala Heloisa. Mudar uma impressão ruim, de acordo com Triana Portal, é mais fácil na vida pessoal e amorosa do que em um ambiente profissional.

"Um primeiro encontro péssimo, por exemplo, pode ser resultado da ansiedade ou do nervosismo do pretendente, de problemas no trabalho ou outras questões. Quando não temos intimidade, não contabilizamos isso tudo. Enxergamos uma tela em que projetamos muito de nós mesmos e às vezes menos de realidade", diz.

A psicóloga Mariana Iannuzzi conta que as emoções são as principais responsáveis por transmitir mensagem ambíguas ou confusas nessas situações. "Os gestos, a expressão facial e o movimento do corpo nos denunciam. Por isso, saber o máximo de informações sobre a situação e, principalmente, qual é o seu objetivo naquele contexto, é o princípio para uma primeira impressão positiva. Assim, é possível se preparar", explica. Visualizar a situação e mentalizar como gostaria que ela acontecesse é uma boa estratégia.

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