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Casal que mora junto depois da separação pode ser feliz? Opine

Arquivo pessoal
O ex-casal Fátima e José, com o filho e a neta, continuam morando juntos, mesmo separados imagem: Arquivo pessoal

Louise Vernier e Thaís Macena

Do UOL, em São Paulo

Não durou dois anos o relacionamento da modelo Géssica Ribeiro, 20 anos, com o auxiliar de farmácia Allan Narciso Leal, 27, de São Paulo. O casamento sucumbiu ao choque de personalidades: "Ele é do tipo birrento; eu sou explosiva", afirma Géssica.  Os dois chegaram a ter uma filha juntos, mas se separaram um mês após o nascimento da criança. Hoje, porém, mesmo não sendo mais casados, ainda moram na mesma casa. 

"Depois que nos separarmos, voltei para o apartamento da minha mãe. Mas ele faz faculdade e trabalha ao lado do apartamento dela. Então, veio morar conosco, só por uma questão de praticidade. A gente tem uma boa relação e, para a minha filha, é bom", conta Géssica. O ex-casal dorme em quartos separados e quase não se vê durante o dia. 

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Arranjos familiares desse tipo estão se tornando cada vez mais comuns, afirma a psicóloga Rosa Maria Macedo, terapeuta de família e coordenadora do NUFAC - Núcleo Família e Comunidade da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

"A situação financeira tem sido um dos motivos apontados pelos casais para continuarem na mesma casa", diz ela. Segundo a psicóloga, essa pode ser uma boa estratégia de transição, até que o casal consiga reorganizar a vida. "Funcionará ou não dependendo do tipo de acordo que os dois vão ser capazes de fazer. Quando a separação é amigável, fica mais fácil", diz ela.

A dor é inevitável

Por mais que se tente suavizar o momento da separação, sempre haverá certa dose de sofrimento. "Casamento é um investimento de sonhos, expectativas de felicidade e realização, de modo que o fracasso é uma perda e origina um luto", diz Rosa.

"Não é uma experiência muito boa", fala a jornalista Fátima Couto, 51 anos, de Belo Horizonte. “Principalmente no início. Mas depois a gente se acostuma e tudo se torna menos doloroso. Hoje em dia, somos bons amigos".

Fátima foi casada com o técnico-mecânico José Martins, 57, por 15 anos. Atualmente, eles estão separados há outros 15, mas resolveram continuar na mesma casa para preservar o padrão de vida. Os filhos, já adultos, acham cômodo. E o restante da família evita comentários. O acordo parece bom para todos.

Arquivo pessoal
Géssica, Allan e a filha: o casal ficou pouco tempo casado, mas divide o mesmo teto imagem: Arquivo pessoal

Medo da mudança

Para Jessye Cantini, psicóloga clínica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, nem sempre as contas, os filhos, a família ou a burocracia da divisão de bens –motivos geralmente apontados pelos casais separados para dividirem o mesmo espaço– são as reais motivações. "Algumas vezes, observamos uma certa codependência emocional entre as partes", diz ela. Por medo da solidão ou de fazer novos vínculos, o casal se conforma em viver ao lado de uma pessoa com a qual já não se relaciona amorosamente. 

Ainda mais prejudicial pode ser o autoengano, segundo o psicólogo Reginaldo do Carmo Aguiar, especialista em Terapia Comportamental pela Universidade Federal de Uberlândia. Manter-se em um casamento que já acabou na esperança de uma reconciliação pode impedir que o ex-casal experimente outros relacionamentos, até mais saudáveis que esse, além de gerar conflitos e mágoas.

"Uma relação desgastada e forçada pode criar um ambiente hostil e contaminar a todos os integrantes da família", afirma Aguiar. Numa situação como essa, são comuns as cobranças e cenas de ciúme. Mas, uma vez que o casal separado tenha decidido se manter na mesma casa, a possibilidade de que uma terceira pessoa apareça, na vida de um dois, deve ser considerada.

Regras claras

Para a psicóloga Jessye Cantini, é fundamental definir claramente as regras de convivência, as responsabilidades e os limites. O ex-casal Géssica e Allan já estabeleceu alguns acordos, como a divisão de despesas.

"O Allan ajuda em tudo que for preciso. Mas não exijo muito dele por causa da faculdade. Deixo com ele apenas as despesas da nossa filha", diz Géssica. Os dois também já se sentaram para conversar sobre um assunto delicado: o que fazer quando conhecerem outra pessoa? "Resolvemos que, se isso acontecer comigo, ele não precisa nem ficar sabendo. E vice-versa. Vamos ser discretos, é melhor assim", afirma Géssica.

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