Relacionamento

Vivida por famosos, separação consciente preserva amizade do casal

EFE/Britta Pedersen - Getty Images
A atriz Gwyneth Paltrow e o cantor Chris Martin, que se separaram em março de 2014 imagem: EFE/Britta Pedersen - Getty Images

Suzel Tunes e Thaís Macena

Do UOL, em São Paulo


Talentosos, inteligentes e politicamente corretos, durante onze anos a atriz Gwyneth Paltrow e o cantor Chris Martin, da banda Coldplay, encarnaram o modelo de casal perfeito. E, no último dia 25 de março, eles se tornaram também referências de descasados bem resolvidos, depois que o blog da atriz, o Goop.com, publicou o post intitulado "Conscious Uncoupling", termo que a imprensa brasileira traduziu como "separação consciente". 

No blog, a atriz anunciou: "É com o coração cheio de tristeza que decidimos nos separar. (...) Contudo, nós somos e sempre seremos uma família e, de muitas maneiras, estamos mais próximos do que nunca". O anúncio da separação provocou tantos acessos que sobrecarregou o Goop.com e o fez sair do ar.

A repercussão na imprensa americana foi imediata. "What the hell is 'conscious uncoupling,' anyway?" ("Que diabos é ‘separação consciente’, afinal?"), disparou o site Huffington Post. Na CNN e na revista americana Time, o termo também foi questionado. Porém, logo se descobriu o conceito de “separação consciente” teria sido usado pela primeira vez pela terapeuta norte-americana Katherine Thomas Woodward, em 2010.

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O caminho da separação amigável

Estamos falando de um processo que só é possível quando as pessoas têm um bom nível de percepção e de aceitação do que está ocorrendo à sua volta. Segundo o psiquiatra, o primeiro passo é o casal reconhecer que o casamento chegou ao fim, tarefa que não é tão simples quanto parece. Afinal, mesmo quando o vínculo amoroso já se desfez, pode persistir uma dependência afetiva, o que dificulta o processo de separação. "É preciso aceitar a finitude de histórias de vida e reconhecer os limites próprios e os do outro", diz Cushnir.

Durante esse processo, o especialista orienta que se procure usar sempre a razão, deixando as pendências de lado e cultivando uma atitude de respeito mútuo. "Não se deve fazer balanços de quem perde ou ganha com a separação ou de quem é a culpa pelo término", afirma.

Para o especialista em relacionamento amoroso Thiago de Almeida, mestre em Psicologia pela USP (Universidade de São Paulo), o fundamental é manter o diálogo."Quando o casal consegue continuar amigo após a separação, todos saem ganhando", diz. Sobretudo os filhos, que não serão atingidos pelas brigas que acompanham uma separação litigiosa.

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Separação consciente não é privilégio de famosos

O Brasil também tem famosos que deram bons exemplos de separações, conduzidas com tranquilidade, respeito mútuo e cuidado com os filhos. É o caso dos atores Claudia Raia e Edson Celulari e, mais recentemente, do empresário Roberto Justus e da apresentadora Ticiane Pinheiro.

Mas quem pensa que essas celebridades não podem ser comparadas a outros mortais é porque ainda não conheceu gente como a professora de educação física Carolina Joãnes, de Macaé, Rio de Janeiro, ou como o produtor audiovisual Wendell Barbosa, de Aracaju, Sergipe.

O primeiro casamento de Carolina, 27, durou cinco anos. Discussões frequentes faziam da relação uma experiência estressante. Até que o casal resolveu colocar na ponta do lápis, literalmente, os prós e contras de continuarem juntos.

"Pegamos um papel e fizemos uma lista. Quando percebemos que a lista de contras era maior, decidimos nos separar para não perder a amizade que tínhamos desde os tempos de faculdade", diz ela. Deu certo. O casal preservou um ótimo relacionamento e até os vínculos familiares. Tanto que quando Carolina se casou novamente e teve uma filha, foi a ex-sogra que a ajudou a cuidar do bebê nas primeiras semanas.

Já o produtor audiovisual Wendell Barbosa, 35, encerrou 13 anos de casamento depois de tentar, sem sucesso, resgatar a paixão que havia nos primeiros anos de convivência. “A gente costuma dizer que nossa separação parece filme francês. Não teve briga ou um estopim, nada disso. Estávamos deitados na cama e um perguntou ao outro: ‘Você está feliz?’. Então, percebemos que só estávamos juntos por causa de nossas filhas, que, na época, tinham 10 e 5 anos de idade”.

Dois anos após a separação, o ex-casal continua se vendo com frequência, dividindo a rotina de cuidados com as filhas e trocando favores, como emprestar o carro ou o cartão de crédito. “O último Carnaval eu passei na casa dos pais dela, junto com as nossas filhas”, conta Wendell.

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