Vida no trabalho

Perfeccionismo no trabalho pode ser qualidade ou defeito

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Perfeccionismo pode ser encarado como defeito ou qualidade, depende da dose imagem: Getty Images

Yannik D'Elboux

Do UOL, no Rio de Janeiro

Já virou clichê de entrevista de emprego citar o perfeccionismo como um defeito. Os candidatos que dão essa resposta, geralmente, usam a estratégia para tentar transformar até mesmo um ponto negativo em qualidade. Porém, ser perfeccionista pode ter um impacto bom ou ruim na carreira profissional, dependendo da maneira como essa característica se manifesta.

Para a gerente de Desenvolvimento de Pessoas da indústria farmacêutica Eurofarma, Adriana Luz, quando adequado ao contexto da empresa, o perfeccionismo contribui para a produtividade, evitando retrabalho. “Em excesso, pode travar um processo e prejudicar a agilidade nos resultados a serem alcançados”, pondera.

A dentista, consultora em tecnologia móvel e radialista Beatriz Kunze, de Curitiba (PR), sabe bem como essa característica às vezes vira um entrave. Depois que incluiu outras atividades à sua carreira, como escrever sobre tecnologia, percebeu que perdia muito tempo revisando e refazendo o trabalho. “Notei uma queda de produtividade porque nunca achava suficiente o que fazia”, conta.

Beatriz acredita que o perfeccionismo começou a aparecer na época da faculdade de Odontologia, que exigia o máximo de organização para dar conta de tantos instrumentos e materiais. Ela diz que aprendeu a lidar com o problema, porém ainda tem algumas dificuldades que ressurgem esporadicamente. “Às vezes, perco tanto tempo com planejamento que acaba sobrando menos tempo para a execução”, conta.

Na opinião de Adriana Thomazinho, gerente nacional de projetos de Recrutamento e Seleção do ManpowerGroup, que atua na área de recursos humanos, não existe um rótulo definitivo para o perfeccionismo. “Quando foge do equilíbrio, essa característica atrapalha, porém, quando equilibrada, sempre é bem vista”, diz.


A diretora de Gestão de Pessoas, Performance e Cultura da KPMG no Brasil, empresa de auditoria e consultoria, Cris Bonini, concorda que tudo é uma questão de dose e equilíbrio. Para a atividade da KPMG, que requer atenção e cuidado com os detalhes, Cris diz que o perfeccionismo é valorizado, desde que não seja excessivo. “Uma pessoa perfeccionista pode virar obsessiva. Nesse caso, efetivamente, ela não cresce, não se desenvolve e não acrescenta”, explica.

Frustração e expectativa

Os perfeccionistas costumam ter padr

Dificuldade de delegar

Como acabam concentrando-se mais nas minúcias, é comum que os perfeccionistas tornem-se especialistas em suas áreas, dificultando a ascensão para postos de liderança. Cris Bonini diz que isso acontece porque os indivíduos com esse perfil dificilmente têm uma visão integrada, essencial para bons líderes.

Além disso, ela acrescenta que esses profissionais têm o hábito de resolver tudo sozinhos, o que também é incompatível com o papel do líder. “O perfeccionista em exagero não delega porque ele quer fazer perfeito”, comenta. A diretora da KPMG, entretanto, faz uma ressalva: ela diz que, quando o perfeccionismo está equilibrado, o funcionário pode virar um líder de “olhar clínico”, fornecendo para a empresa o “modelo ideal de liderança”.

Desde que alie velocidade e qualidade, uma das principais metas de qualquer empresa, o perfeccionismo é considerado mais uma qualidade do que um defeito. Contudo, não adianta citar a característica na entrevista de emprego sem ter como fundamentá-la com experiências e exemplos concretos.

“Não há uma resposta negativa ou positiva", afirma Adriana Luz. Ela diz que, sempre que um candidato se apresenta como perfeccionista, é preciso investigar o que isso significa exatamente para ele. Adriana Luz também explica que a avaliação sobre o perfeccionismo depende muito do perfil da vaga.

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