Relacionamento

Não deixe que os traumas da relação anterior interfiram na atual

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Pessoas que carregam mágoas tornam-se tensas, ansiosas e cansativas imagem: Getty Images

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo


Se você já sofreu alguma desilusão amorosa, sabe que pode ser difícil se livrar de uma lembrança ruim. Existem pessoas que, após uma decepção, ficam presas a ideias negativas sobre relacionamentos, como "o amor não existe", "todo parceiro será infiel", "ninguém merece minha confiança". Segundo especialistas, porém, esses sentimentos são naturais nessa fase, pois todo rompimento é um luto (e que merece ser vivido).

"Se uma relação é desastrosa, por qualquer que seja o motivo, ficamos mais paranoicos, na defensiva. É uma reação comum do ser humano tentar se proteger de uma próxima decepção", fala Marcelo Quirino, psicólogo pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Apesar disso, de acordo com a psicóloga e terapeuta de casais Pamela Magalhães, tudo tem limite e é preciso estabelecer um prazo final para esse sofrimento, assim como em qualquer perda.

"É fundamental viver o luto quando um relacionamento termina, para que ele tenha um fim e, então, haja espaço para que um novo possa começar, sem misturar o passado com o presente e o futuro. Esse processo resulta na aceitação do rompimento e na percepção de que a vida tem de seguir em frente", diz.

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A grande questão é como lidar com as lembranças, afinal, existem formas de tirar bons frutos de todas as relações. Para não deixar que as coisas ruins interfiram nos relacionamentos que virão, a saída é usar as experiências a seu favor, ou elas se tornarão inimigas que impedem a felicidade amorosa.

"Não há como se relacionar sem ter medo. Portanto, não se trata de desejar uma vida sem riscos, pois isso seria uma ilusão. Trata-se de transformar o que foi desagradável em aprendizado e ferramenta para lidar com situações futuras. Pessoas que carregam mágoas de relacionamentos tornam-se tensas, ansiosas e até cansativas. Sem contar que podem agir contra si mesmas, perdendo a chance de serem felizes", afirma Rosana Braga, psicóloga, consultora de relacionamentos e autora do livro “Faça o Amor Valer a Pena” (Editora Qualitymark).

Apesar da experiência e das lembranças que um relacionamento fatalmente deixam como herança, é preciso saber que cada relação é única. Iniciar um novo romance lembrando o que deu certo ou errado no anterior é um erro, assim como comparar os parceiros.

"Coloque-se no no lugar do outro. Pense se você gostaria de ser comparado com o 'ex' do seu atual ou se seria legal saber que ele olha para você temendo que o erro do passado se repita", explica Rosana.

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Para recomeçar

Segundo o psicoterapeuta Leo Fraiman, o tempo não cura tudo e é necessário um esforço para que o cérebro, até então acostumado com aquela pessoa, entenda que a rotina após um rompimento mudará. 

"Afastar-se, mas continuar fiscalizando as redes sociais e querendo saber da vida do 'ex', reforça, para o cérebro, aquela sensação de prazer que o indivíduo sentia quando estava com o então par. É preciso dar chance ao novo: mas não necessariamente a novas pessoas, pois a ânsia de substituir um amor por outro pode acabar gerando comparações", fala.

Porém, não é todo mundo que consegue fazer essa mecânica funcionar. Por isso, existem estratégias para que você possa, aos poucos, fechar um ciclo. E a primeira delas, de acordo com Fraiman, é tentar mudar os pensamentos negativos que insistem em permear nossa cabeça quando passamos por uma decepção.

Ao refletir sobre as ideias ruins em relação ao amor, resultado da decepção, é possível encarar os fatos de maneira mais positiva. Você pode fazer isso sozinho ou desabafando com pessoas queridas. "Aos poucos, o cérebro vai retomando a sensação de que a vida pode ser boa e que as coisas podem acontecer de uma maneira diferente", explica.

Outra alternativa é escrever no papel, em terceira pessoa, a história que te magoou. Isso pode ajudar a diminuir o medo de decepções futuras.

"Quando escrevemos, nos distanciamos dos acontecimentos e conseguimos enxergá-los de outra forma. Passamos a entender que a condição de sofrimento não precisa ser permanente. Assim, podemos dar à história um desfecho que esteja de acordo com o caminho que gostaríamos que tudo tomasse", comenta Fraiman.

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