Comportamento

"Império": João Lucas expõe os danos de ser o filho rejeitado

Divulgação/TV Globo
Daniel Rocha é João Lucas em "Império" imagem: Divulgação/TV Globo

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Desde o início da novela "Império", a dinâmica familiar do núcleo principal foi exposta ao público de uma maneira bem crua, sem nuances. José Pedro (Caio Blat), o primogênito, é o preferido da mãe, Maria Marta (Lilia Cabral); Maria Clara (Andréia Horta) ocupa o posto de “princesinha do papai”, José Alfredo (Alexandre Nero), e o caçula João Lucas (Daniel Rocha) sempre viveu à sombra dos irmãos. 

Carente de afeto, o rapaz tenta chamar a atenção através das confusões decorrentes de seu envolvimento com drogas, traficantes, brigas etc. O perfil problemático do personagem é um dos diversos resultados desastrosos que, na vida real, podem fazer parte da rotina de diversas crianças e adolescentes deixados de lado pelos pais, incapazes, às vezes, de notar ou corrigir a própria negligência. 
 
Os pais costumam dizer que amam e tratam os filhos do mesmo jeito. Na prática, não é bem assim que as coisas funcionam. Segundo especialistas, é normal que pais e mães tenham mais empatia por determinado filho e se relacionem melhor com ele. 
 
“Na nossa cultura, é feio admitir preferências. Só que os pais podem tê-las e, muitas vezes, têm mesmo. Mas o que realmente importa é que, apesar disso, sejam bons, justos e amáveis com todos os filhos”, comenta o psicólogo Aurélio Melo, professor de Psicologia do Desenvolvimento Humano na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo (SP). 
 

Para a psic

 
Para lidar com a situação, um dos pontos cruciais é o diálogo. Cada um deve expor e assumir o que sente, inclusive abrir o jogo sobre as dificuldades relacionais, para, juntos, trabalharem a dinâmica familiar. “Os pais precisam buscar algo que funcione como uma espécie de ‘faísca’ para uma relação melhor. Em alguns casos, por exemplo, isso acontece ao cozinharem juntos ou quando batem um papo sobre livros os filmes”, diz Cecilia Troiano. O importante é que essas ações conciliatórias sejam naturais, não forçadas ou, pior ainda, fruto de culpa.
 
Vale lembrar que seja excesso de negligência ou de mimo, o que prejudica é o exagero. “E quando ele ocorre, não é apenas o renegado que padece, mas o protegido também, por ser alvo de expectativas maiores e por se sentir obrigado a alimentar a preferência. Cada um sofre à sua maneira”, diz Cecília. 
 
Não é um caminho fácil nem leve, mas o rejeitado pode se livrar do rótulo e ter uma vida adulta, principalmente na esfera emocional, saudável e produtiva. “O passo fundamental é não se colocar como rejeitado no mundo”, diz Aurélio, referindo-se ao que ocorre com João Lucas em "Império". 
 
“Aprender é viver e viver é aprender. Uma criança que tenha sofrido abandono e desamor poderá superar através de novos e diferentes relacionamentos. Há muitas histórias de crianças que viveram em abrigos devido à falta de estrutura familiar e que puderam reconstruir relações com pessoas que transmitiram segurança através da ternura e da valorização”, explica Edith Rubinstein.
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