Relacionamento

O que fazer quando um amor do passado volta à vida do par?

Carol Caminha/TV Globo/Gshow
Amanda surpreende José Pedro na escada e beija o primo em "Império" imagem: Carol Caminha/TV Globo/Gshow

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo


Como se não bastasse ter de aturar a sogra Maria Marta (Lilia Cabral), nos últimos capítulos de "Império", a ex-moça do tempo Danielle (Maria Ribeiro) agora tem de encarar um dos piores pesadelos para quem tem uma relação estável: a volta da "ex" de seu marido, José Pedro (Caio Blat), ao Brasil. No passado, o executivo viveu um tórrido romance com sua prima Amanda (Adriana Birolli), que agora ressurgiu das cinzas para assombrar –e tentar separar– o casal.

Na vida real, é certo que uma confusão como a mostrada pelo autor Aguinaldo Silva na trama global também costuma render ciúme e desentendimento. Mas, afinal, o que se deve fazer quando um antigo amor do par reaparece? Enfrentar e tentar obrigar o parceiro a ficar à distância, como faz Danielle, ou manter a calma e fingir que não está nem ligando?

Segundo especialistas em comportamento, é natural e perfeitamente compreensível se incomodar com essa circunstância, principalmente se o amor foi avassalador, mas nem sempre vale a pena. Para a psicoterapeuta Sandra Samaritano, de São Paulo (SP), a pessoa só deve ficar apreensiva diante da situação se não existir confiança entre o casal. "Quando há cumplicidade, diálogo e uma boa relação, não há risco de acontecer um desajuste emocional", afirma.

Nem sempre a rival em potencial quer resgatar alguma coisa, mas se o objetivo for mesmo reviver o romance, é bom ficar atento à própria relação. Via de regra, as consequências do ressurgimento de um amor antigo têm mais a ver com o presente do que com o passado. "Se o casal está feliz e vive uma boa fase, não deve haver preocupação, pois ambos estarão em sintonia", diz a psicoterapeuta Maura de Albanesi, de São Paulo (SP).

Montagem/Divulgação
Danielle (Maria Ribeiro), José Pedro (Caio Blat) e Amanda (Adriana Birolli), de "Império" imagem: Montagem/Divulgação

Uma terceira pessoa só entra em uma relação se houver espaço para isso. E se o período atual não está muito bom e os dois vêm enfrentando problemas, o casamento pode ficar vulnerável por causa da insegurança. Um, por temer que o parceiro tenha uma recaída. E o outro por tecer comparações entre "ex" e atual.

Apesar de os acontecimentos do passado só pertencerem aos envolvidos, há uma questão crucial a ser observada: a maneira como o romance acabou. Se as razões que levaram ao término ficaram bem claras, não se preocupe. "Mas se o rompimento não ficou bem resolvido na cabeça do seu parceiro e o nome dessa pessoa do passado volta e meia aparece entre vocês, talvez seja o momento de resolver o que não ficou bem definido", declara a psicóloga Rejane Sbrissa, de São Paulo (SP).

Outro ponto a se levar em consideração é que, em alguns casos, apesar de o amor antigo ter sido muito forte e intenso, aconteceu carregado de desconfianças, ciúme, brigas ou falta de respeito mútuo. "É muito comum pessoas confundirem paixão e neuroses com amor. A sensação é muito forte, mas quando conseguem se libertar, dificilmente irão querer esse tipo de sentimento novamente, pois juntamente com a tristeza, que permeia toda separação, vem a sensação de alívio", explica Rejane.

O ressurgimento de um amor sempre costuma provocar tensão, mas é inevitável que quanto maior a intensidade do romance que o par vivenciou, maior a insegurança do parceiro ao se deparar com uma história antiga vindo à tona.

"Entretanto, dependendo do grau de comprometimento da pessoa com o relacionamento atual, a força desse antigo amor e o significado que ele teve podem não influenciar em nada", diz Maura. "E mesmo que o relacionamento atual não tenha a intensidade de antes, pode ser muito mais feliz. Portanto, confie em si e no tipo de relação estabelecida entre vocês”, completa Rejane.

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Danielle (Maria Ribeiro), José Pedro (Caio Blat) e Amanda (Adriana Birolli), de "Império" imagem: Montagem/Divulgação

É impossível modificar a história de quem quer que seja, inclusive a sua. Assim, não pense no passado nem busque saber sobre o que já aconteceu. "Para evitar que ele interfira na vida atual, estabeleça um relacionamento consistente, zelando pelo outro, porém, garantindo a liberdade do casal. O parceiro tem de estar envolvido numa atmosfera que o faça esquecer tudo aquilo que foi bom no passado. O hoje é a oportunidade de fazer melhor do que ontem", conta Maura.

Dificilmente, uma ameaça do tipo "se você falar com ele(a), eu termino tudo" funciona em relações adultas e maduras, nas quais cada um exerce sua autonomia e individualidade. "Confiança é a base de qualquer relacionamento. Porém, ela só existe se cada pessoa que faz parte da relação confiar em si primeiro", fala Sandra.

Mesmo se as intenções do antigo par sejam, de fato, as piores possíveis, não tente impedir um encontro. "É bom notar que se o parceiro está contando sobre a possível conversa é porque não deve estar mal intencionado, pois, provavelmente, se quisesse 'aprontar,' nem contaria", fala a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar, de São Paulo (SP).

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