Vida no trabalho

'The Voice' mostra que rejeição profissional não anula talento

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"O 'não' ensina muito", diz Anadark, cantora que não foi aceita no "The Voice Brasil" imagem: Divulgação

Louise Vernier e Thaís Macena

Do UOL, em São Paulo

A voz firme e a irrepreensível afinação não foram suficientes para fazer com que os jurados do "The Voice Brasil" virassem suas cadeiras e admitissem a jovem Anadark Gonçalves, de 17 anos, à terceira temporada do programa. Com quatro "nãos", ela se viu obrigada a voltar para casa sem a tão desejada vaga no reality show da TV Globo.

Conhecida como a “Paula Fernandes paranaense” na pequena cidade de Quatiguá (PR), onde mora, Anadark dedica-se à música desde os sete anos. Já se apresenta profissionalmente em casas de espetáculos e rádios da região e, apesar de não ter concretizado o sonho de entrar no programa, saiu bastante elogiada pelos cantores Cláudia Leite e Daniel.

"Eu tento sempre me aprimorar e correr atrás do meu sonho, que é viver de música. Tenho muitos desafios, mas também sei que sempre há lugar para gente boa na música, e me esforço diariamente para conquistar esse espaço", afirma Anadark.

A jovem cantora diz que não foi fácil enfrentar a rejeição dos jurados. "Levar um 'não' é sempre frustrante, ainda mais quando é para o seu maior sonho. A gente perde o chão", diz. Mas Anadark garante que a própria música a sustentou. Resolveu dar uma “abanada na poeira” e prosseguir. Prestará vestibular no final do ano para o curso de música e planeja voltar ao programa. "O 'não' ensina muito. Ele serviu para me deixar ainda mais fortalecida para voltar ano que vem e surpreender a todos".

Mesmo longe do grande público, lidar com a rejeição é, de fato, uma prova difícil. Mas, segundo Luciana Albanese Valore, professora de psicologia do trabalho da UFPR (Universidade Federal do Paraná), o desafio poderá se impor aos profissionais de qualquer área, mais cedo ou mais tarde.

"Pessoas que passam por essa situação tendem a imaginar que são as únicas. Mas, no mercado de trabalho, o ‘não’ é muito comum”, afirma a especialista. Ela também destaca que a rejeição nem sempre está relacionada ao resultado apresentado pelo candidato. “É preciso considerar a realidade do mercado de trabalho, que é imprevisível e instável”, diz.

Em episódios como esses, é importante admitir-se frustrado e, principalmente, entender que uma resposta negativa no presente não anula a possibilidade de um êxito futuro. Até porque o fracasso tende a ensinar muito mais do que o sucesso, já que costuma fazer com que as pessoas saiam da zona de conforto.

"O ‘não’ deve ser visto como uma oportunidade de aprendizado. O ideal é tentar aproveitá-lo: refletir, criar um novo plano de ação e, principalmente, colocar esse plano em prática, até alcançar o que deseja. É preciso cuidado para não agir antes de refletir. Da mesma forma, não se deve ficar parado apenas pensando no que deve ser mudado”, declara Sílvio Celestino, administrador pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e diretor da Alliance Coaching.

Não conseguir a vaga ou o cargo almejado não implica, necessariamente, em admitir que não se tem as qualidades ou conhecimentos necessários para ocupá-lo. Segundo os especialistas, é preciso perseverar e fazer novas tentativas, sem desviar-se dos seus propósitos.

Quando o "não" é o fim da linha

Mesmo com a imprevisibilidade do mercado de trabalho, é possível adotar algumas técnicas para minimizar a possibilidade de ser rejeitado ao pleitear uma vaga. Reconhecer as próprias limitações e as possíveis evoluções é um caminho.

"Não basta que o profissional seja bom apenas do ponto de vista técnico. Ele precisa fazer autoavaliações e pedir feedbacks aos seus superiores constantemente. Mas é claro que manter-se atualizado também é importante”, afirma Luciana.

Ao perceber que o resultado das suas ações não é compatível com o seu esforço e que falta motivação para persistir no caminho escolhido, no entanto, é bom repensar a trajetória profissional. "O sucesso financeiro é importante, mas ele não pode ser considerado o principal termômetro. O brilho nos olhos ainda é o principal parâmetro para perceber se a carreira está sendo bem conduzida ou não", declara Chiuzi.

Por outro lado, se a sua renda não aumenta e a posição dentro da hierarquia da empresa continua a mesma há muito tempo, também vale ficar atento. Se não consegue mais se engajar em ações e nota que não tem aprendido nada nos últimos meses, esses podem ser fortes indicativos de que chegou a hora de seguir novos rumos. "Há inúmeras maneiras de ser bem-sucedido em outras carreiras. Escolha o sucesso e siga em frente", diz Celestino.

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