Comportamento

Você tem um parente sabotador como Cora? Saiba o que fazer

Divulgação/TV Globo
Drica Moraes é Cora, em "Império" imagem: Divulgação/TV Globo

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

A personagem Cora, vivida pela atriz Drica Moraes em "Império", da Rede Globo, é manipuladora, agressiva, fofoqueira, frustrada e rancorosa. Adora infernizar a vida das pessoas que estão próximas, principalmente dos familiares. Também faz mil maquinações, mente com a maior facilidade e é uma grande sabotadora dos planos (e da felicidade) alheios. Mas, fora da telinha, não são raras as famílias que têm uma Cora em sua vida.

"Sentimentos ruins como inveja, ciúme e ingratidão fazem parte dos seres humanos e, portanto, é visível nos relacionamentos familiares. A convivência entre os membros da família mesclam muitas vezes sentimentos ambíguos", diz a psicanalista e palestrante Cristiane M. Maluf Martin.

No caldeirão de emoções dos relacionamentos familiares, se forem colocadas pitadas de frustração e de baixa autoestima, o ambiente fica ainda mais favorável ao surgimento da figura temida do sabotador. "Geralmente, são pessoas insatisfeitas com suas vidas", fala a psicóloga Fabiane Moraes de Siqueira, coordenadora e docente do Cefatef (Centro de Estudos Terapêuticos da Família). Em casos mais graves, elas podem chegar a adoecer, necessitando de ajuda médica e psicológica.

Quanto mais insatisfeitas, mais essas pessoas se voltam contra quem está próximo. Não raramente, o sabotador se finge de amigo para investigar e monitorar a vida de seu alvo, sentindo prazer quando algo dá errado para o outro. "Conviver com o sucesso alheio causa muita raiva para essas pessoas", explica a psicanalista Cristiane Martin.

A inveja mora ao lado

Se a inveja é um dos motivos das sabotagens (no início da novela Cora procurou de várias maneiras prejudicar o relacionamento de sua irmã Eliane, vivida por Vanessa Giácomo, com José Alfredo, interpretado por Chay Suede), por que ter inveja de alguém próximo, normalmente uma pessoa comum, e não de pessoas muito famosas e poderosas, por exemplo? 

"Uma modelo ou um ator não incomodam no dia a dia, pois não fazem parte da vida da maioria das pessoas. Sentimos mais inveja de quem está ao lado, pois essa pessoa próxima nos lembra, constantemente, do que queremos ser e não conseguimos. No fundo, a pessoa invejosa sabe que nunca conseguiria ser uma celebridade, por exemplo, mas poderia ter sido a própria irmã ou estar no lugar dela", diz a psicóloga e psicoterapeuta Cecília Zylberstajn.

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Perigo à vista!

A não ser que as atitudes agressivas e negativas sejam explícitas, muitas vezes não é fácil reconhecer um sabotador. Saber manipular é uma de suas características. Mas é possível detectá-lo, diz a psicóloga Fabiane Moraes de Siqueira. Por exemplo: os sabotadores realizam falsos elogios sem o menor constrangimento, exploram as fraquezas da outra pessoa, citam situações que fazem com que o outro se sinta culpado e estabelecem conflitos só para oferecer uma solução, além de sempre se mostrarem como confiáveis.

De acordo com a psicóloga, também é comum observar comportamentos físicos típicos de um sabotador: eles podem cruzar os braços enquanto falam, esfregar as próprias mãos, afastar-se das pessoas com quem estão conversando e tocar o próprio rosto durante as conversas ou em outras partes do corpo. Obviamente, nem todas as pessoas que têm essas atitudes são sabotadoras ou candidatas a manipuladoras, mas são características gerais que podem aparecer nesse perfil.

Sabotador identificado, como agir? Muitas vezes, segundo Fabiane, preferimos n

Encarar ou manter distância?

Para resolver o problema, de acordo com a psicóloga, o primeiro passo é encarar a situação, dizer claramente como está se sentindo e impor limites. "O diálogo é fundamental para qualquer relação saudável", diz Fabiane. "O que vemos são distanciamentos emocionais, pessoas que não se falam e que preferem não se enfrentar. Esse tipo de afastamento indica desconforto e medo de lidar com o assunto", acrescenta.

Porém, além de enfrentar o problema, mostrar-se cauteloso também desestimula o modo de agir do sabotador. Para a psicanalista Cecília Zylberstajn, manter distância, sempre que for possível, é uma alternativa tão boa quanto confrontar a pessoa. A decisão depende das circunstâncias e do momento.

Mas vale, também, a autoanálise. Como diz Cecília, "nunca sabemos o que em nós provoca a inveja alheia, mas é importante procurar analisar se quem sofre a sabotagem não está fazendo muita ‘propaganda’ de como sua vida é perfeita nas conversas em família ou nas redes sociais, alimentando, assim, a cobiça".

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