Relacionamento

Método promete ajudar mulheres a conquistar um amor; nós testamos

Junior Lago/UOL
Alessandra Gaspari (à esq.) e Carolina Capuano pariciparam de um coaching sentimental imagem: Junior Lago/UOL

Geiza Martins

Do UOL, em São Paulo

Frustrar-se por uma paquera promissora não dar certo, choramingar por um amor não correspondido, sofrer por sentir-se uma vítima da solidão. Quando as inúmeras tentativas de buscar um parceiro fracassam, o resultado é a angústia e a desesperança. Algumas mulheres até deixam de acreditar em relacionamentos, outras acham que nunca encontrarão alguém especial.

É com a promessa de ajudar essas mulheres a encontrarem o amor que surgiu o coaching sentimental, um processo que utiliza metodologias e técnicas científicas para trazer autoconhecimento e mudanças comportamentais. Bastante comum nos Estados Unidos, esse treinamento vem, aos poucos, ganhando espaço no Brasil.

Para testarmos o processo, pedimos para as leitoras Carolina Capuano, 33 anos, e Alessandra Gaspari, 26, participarem do Ready for Romance, um treinamento à distância criado pela coach Miria Kutcher, que propõe às clientes buscarem um relacionamento amoroso por meio de uma jornada de autoconhecimento. Durante dois meses, elas tiveram acesso a vídeos, encontros online com a coach e exercícios diários do programa, que são baseados em uma união de técnicas terapêuticas.

Conhecendo o programa

"São cinco módulos liberados a cada dez dias para inspirar mudanças positivas de pensamentos e atitudes", afirma Miria. Em cada um deles, é abordado um tema, que são divididos em: encarar fatos do presente e traçar metas para o futuro; identificar objetivos; motivos para se relacionar; desenvolver a consciência e acreditar que o universo está trabalhando por você. "O interessante é encaixar um horário para se dedicar totalmente ao programa, se possível, todo dia", recomenda.

Para desenvolver o programa, Miria uniu métodos da neurolinguística ao EFT (Terapia de Liberação Emocional), uma técnica que une acupuntura e terapia para aliviar tensão psicológica e dor fisiológica. A EFT equilibra o sistema de energia com um procedimento de batidas em pontos específicos que se encontram na face e no corpo. "Trabalhamos com o sistema de meridianos da milenar medicina chinesa. Ao batermos nos pontos enquanto falamos pensamentos negativos, estamos liberando energias negativas", afirma.

A meditação guiada também faz parte do coaching. Seu objetivo é melhorar a saúde psicológica e trazer vitalidade física. Ainda há mais duas outras técnicas: a lei da atração, em que a mente é treinada para usar imagens positivas, pensamentos e ideias que atraem forças positivas do universo, e a afirmação, que é a repetição de declarações positivas. Para participar, há três tipos de acesso que vão de gratuitos até a R$ 997.

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Carolina Capuano diz ter gostado do coaching sentimental imagem: Junior Lago/UOL

O teste das leitoras

Após serem escolhidas, Carolina e Alessandra receberam um kit, com caderno de exercícios, livro e áudios para a meditação guiada. A partir daí, cada uma encarou o programa de forma diferente. Carolina participou de todas as etapas, que inclui encontro virtual com Miria e outras participantes, e uma sessão exclusiva com a coach. Alessandra preferiu ficar apenas com os vídeos disponíveis no site e os exercícios. Os motivos foram a timidez e a falta de espaço em sua casa para conversar online com a coach. "Como a Miria comenta que podemos ficar à vontade, optei por essa maneira de fazer o curso", diz.

Para Alessandra, o primeiro módulo foi o mais difícil. "Pensei que não me identificaria com o método, achei que era para mulheres mais velhas. Quase desisti. Ouvia os vídeos enquanto lixava as unhas", afirma. Aos 26 anos, a gerente operacional teve um namoro sério que durou cinco anos e terminou em 2009. De lá para cá, sua vida amorosa se resumiu a casos curtos. "Eu até queria namorar, mas meus parceiros, não. Por medo de assustar e parecer que sou chata, fico na minha e deixo-os me procurarem. Mas, daí, fico triste por ser rejeitada", conta. 

No fim da etapa inicial, entretanto, Alessandra se convenceu do programa.

Carolina também aponta o EFT como um ponto difícil. "Só funcionou mesmo após eu fazer com a própria Miria na minha sessão individual. Daí, a catarse foi na hora e eu vi que existe mesmo um efeito", diz. Ao contrário de Alessandra, Carolina quis usufruir ao máximo do curso, e destaca a sessão individual com a coach como ponto alto. "Depois dela, tudo mudou".

A mulher de 33 anos está solteira desde os 27, quando terminou o relacionamento de dois anos com o "namorido". "Solteira, sim, mas não sozinha. Tive vários casinhos, mas nada que engatasse um namoro", conta. A gerente de qualidade já estava familiarizada com os métodos da neurolinguística devido a coaching que fez para sua vida profissional. Também conhecia a lei da atração, que aprendeu no livro "O Segredo" (Ediouro), mas a usava apenas para a vida financeira.

"Senti que a Miria trouxe essas técnicas para o lado emocional, que é onde precisava trabalhar. Participei de todos os encontros coletivos e fiz todos os exercícios. É preciso muita disciplina". Outro ponto em que Carolina sentiu dificuldade é o período em que Miria recomenda uma dieta de homens. Ou seja, permanecer um tempo sem se envolver com ninguém. "Consegui fazer com sacrifício por 25 dias", diz.

Segundo Miria, essa sugestão de pausa ajuda na autoanálise comportamental: "Indico com a intenção da mulher dar um passo atrás e enxergar como se envolve amorosamente. Geralmente, descobrimos os passos errados que damos e porque atraímos o que não queremos".

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Alessandra Gaspari diz ter vivido uma viagem de autoconhecimento imagem: Junior Lago/UOL

Funcionou?

Se considerarmos o coach sentimental como uma ferramenta para encontrar a si próprio e de preparação para busca do parceiro ideal, sim. Se pensarmos no processo como uma forma de conquistar uma relação estável rapidamente, não. Apesar de terem encarado de formas diferentes, tanto Carolina quanto Alessandra dizem que tiveram o mesmo resultado: ambas fizeram uma grande viagem de autoconhecimento, aprenderam a dizer "não", a se posicionar, a se concentrar em seus objetivos e ganharam autoestima. Como consequência, tiveram mudanças comportamentais que trouxeram consequências práticas.

No caso de Carolina, antes, ela se achava carente. "Eu me entregava, me jogava e me dava mal". Agora, aprendeu a lidar com situações e se posicionar antes de agir. "Analiso o perfil. Se perceber que não está dentro do que procuro, evito o envolvimento e a rejeição", analisa. A carência também desapareceu e o remédio é a autoestima. Anteriormente, ela acreditava que tinha autoestima elevada. Mas, no meio do processo, descobriu que suas atitudes com os homens demonstravam o contrário. O resultado é que hoje está feliz em sua companhia. "Brinco que as minhas parceiras vão finalizar o programa querendo namorar a elas mesmas", diz Miria.

O mesmo aconteceu com Alessandra. "Mudei minha atitude naturalmente. Eu ficava com pretendentes sem nem conhecê-los. Agora, converso sem pressa", diz a gerente que costumava se anular nos relacionamentos por medo dos homens a rejeitarem. Outro ponto que descobriu é de que sua carreira tem prioridade em sua vida e a busca pelo amor está em segundo lugar. "No meio do processo, percebi que não preciso de um namorado para ficar bem. Descobri que eu e minha carreira estamos em primeiro lugar".

Atualmente, ela está saindo com um rapaz que conheceu no final do processo de coach. O desenrolar do possível futuro relacionamento acontece de forma natural. Eles passaram duas semanas apenas conversando. O mesmo aconteceu no primeiro encontro. “Nos beijamos apenas outro dia. Achei a fase de conversar e conhecer bem bacana. Não tenho mais medo de me mostrar.  Está sendo muito legal". Carolina segue solteira.

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Alessandra Gaspari diz ter vivido uma viagem de autoconhecimento imagem: Junior Lago/UOL
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