Relacionamento

Festa da empresa causa briga de casal, mas não deveria

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Na festa da empresa pode rolar paquera? Pode, mas a culpa não é da festa imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Para muitos casais, o fim de ano representa uma espécie de prova de fogo para o relacionamento, já que nos dias que antecedem as festividades de final de ano muitas empresas costumam realizar suas badaladas festas de confraternização. Como a maioria não permite que o funcionário leve acompanhante, não é raro que o par sinta ciúmes da diversão alheia.

"As pessoas ficam mesmo mais soltas nessas ocasiões", comenta a terapeuta de casal Cleide Vieira, do Rio de Janeiro (RJ). “Afinal, elas representam o fim de um ciclo e todo mundo quer extravasar a tensão e o cansaço dos últimos meses. No entanto, isso não significa necessariamente que o parceiro ou parceira vá 'aprontar'. O que cada um sente sobre o outro diz respeito a outras questões do relacionamento que podem não tem nada a ver com o acontecimento em si", completa.

Alguns homens e mulheres, mais controladores e possessivos, tentam proibir que o par participe desse tipo de comemoração, o que não é, segundo especialistas, nem um pouco saudável para a relação. Trata-se do mais evidente sinal de falta de confiança no outro. E como não confia, se sente inseguro com o ambiente que pode favorecer que ocorram envolvimentos fora da rotina de trabalho.

Na opinião da psicóloga Yara Kuperstein Ingberman, doutora em psicologia pela USP (Universidade de São Paulo) e membro da SBP (Sociedade Brasileira de Psicologia), as discussões sobre o tema costumam acontecer porque, em nossa cultura, as pessoas acham que o relacionamento lhes dá posse umas sobre as outras. "Há a ideia de que as duas partes devem andar sempre juntas, caso se amem, o que é um conceito equivocado sobre uma relação", observa.

Para a psicóloga Maria Rocha, de São Paulo (SP), a festa pode, sim, favorecer algo que já existe --uma paquera ou uma atração entre colegas--, ainda mais porque a bebida alcoólica ajuda as pessoas a ficarem mais desinibidas.


Alguns casais, na tentativa de cessarem as brigas ou não terem motivo para discussões mais acirradas, chegam a fazer acordos do tipo “se você não for à festa da sua empresa, eu também abro mão da minha”. São, na maior parte das vezes, combinados emergenciais que apenas varrem algumas questões –desconfiança, ciúme, medo, baixa autoestima– para baixo do tapete.

“Para mim, parecem mais sinônimo de fuga do que acordos. Não demonstram confiança em si nem no outro. É bem diferente não ir por não querer estar sem o par do que não ir para não correr riscos”, fala Yara. “E mais: esse tipo de ajuste cria precedentes para várias outras situações de manipulação e controle; sendo que, por mais que alguém se esforce em tomar conta da vida do outro o tempo todo, nada oferece a garantia de a relação dar certo ou ser imune a uma traição", declara Cleide.

Por fim, a psicóloga Maria Rocha levanta outra hipótese: a de que quem tenta podar o par, na verdade, é que cultiva determinadas ideias na cabeça. "Ele pode projetar no outro aquilo que tem vontade de fazer, faz ou vê acontecer. Mas é uma fantasia da pessoa, que pode estar pautada em fatos reais ou não", expõe.

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