Equilíbrio

Não crie expectativas em relação ao Natal para ter uma festa agradável

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Não compare a sua ceia de Natal com a de comerciais de TV; a vida real não é perfeita imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Seja quais forem suas experiências de vida em relação às comemorações natalinas, uma coisa é certa: a não ser que você corra para as montanhas, é praticamente impossível passar imune aos seus efeitos. Dos monstruosos engarrafamentos que se formam para ver os enfeites natalinos às filas para entrar no shopping, o período de festas de fim de ano é mesmo estressante.

Nessa época, é comum pairar no ar a obrigação implícita de que devemos encerrar um ciclo para que tudo dê certo no próximo ano. Mas, em meio a tantos preparativos e compras, será que há tempo para refletir sobre o ano que passou e mentalizar coisas positivas? Para completar, a TV não para de exibir festejos perfeitos, com gente bem vestida, sorridente, se abraçando, trocando presentes lindos, tudo diante de uma árvore impecavelmente decorada.

Nesses termos, pensar na realidade que nos espera pode ser desanimador: visita de parentes com as mesmas piadinhas do ano passado, implicâncias, picuinhas, mimos não tão glamourosos, bolinhas de Natal lascadas na árvore, o peru que passou do ponto, a rabanada oleosa demais, o vestido novo que manchou na última hora, a discussão de fim de ceia...

Nos Natais da sua família costumam ocorrer desentendimentos?

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Eis a questão: se você já espera ou tem plena consciência de que a vida real não vai mesmo corresponder à comemoração incrível do comercial de TV, por que, então, continuar a cultivar expectativas exageradas? Que tal começar a valorizar o que você tem e a curtir o que o Natal pode oferecer, mesmo que um pouco de melancolia ou desânimo invadam seus pensamentos?

"Lembre-se que você é um ser social ou, pelo menos, deveria tentar ser. Esse período é um dos mais estressantes para todo mundo. Não pense que é só para você que a tristeza se insinua. É uma época essencialmente ambivalente: maravilhosa e estressante, alegre e deprimente, cheia de encontros e desencontros. E a única maneira é enfrentá-la cara a cara, com coragem", afirma Lidia Weber, professora, pesquisadora da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e autora de 12 livros, como "Família e Desenvolvimento Humano" (Ed. Juruá).

Na opinião da psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma Brasil (filial da International Stress Management Association), o ideal é cultivar expectativas que possam ter criatividade e flexibilidade. "Muitas pessoas ficam irritadas e esgotadas por quererem fazer tudo do próprio jeito, mas se preocupam mais em agradar os outros do que no próprio bem-estar", diz Ana.

Por que, por exemplo, organizar uma ceia toda artesanal quando se pode encomendar pratos e obter o mesmo resultado? Será que é mais importante, mesmo, apresentar uma casa linda e uma mesa de catálogo de loja no Natal se o preço é se sentir exausto e sem ânimo para confraternizar?, questiona a especialista.

Ela cita uma pesquisa feita em 2013 pela entidade que preside com 1.000 pessoas de tr $!$render-component.split('/')[$math.sub($render-component.split('/').size(), 1)]

Atritos familiares

O reencontro com familiares costuma ser o principal motivo de tensão para muita gente, devido a vários fatores: mágoas acumuladas, ressentimentos, dificuldade em lidar com as diferenças etc. Para o psicólogo e terapeuta familiar Marcelo Lábaki Agostinho, que atende em consultório particular e no IP-USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), em vez de adotar uma postura defensiva e ficar imaginando respostas prontas para possíveis ironias, exerça a tolerância.

"Tente aceitar que os parentes possam pensar de maneiras diferentes ou terem opiniões divergentes. Se você só encontra esses familiares eventualmente, por que brigar justamente nesses momentos?", observa.

"Não é preciso representar como se a festa de Natal fosse uma peça de teatro e ninguém tivesse a liberdade de ser o que realmente é. Mas estar aberto para conversas mais delicadas e transparentes e para ouvir o outro pode amenizar situações que tendem a ser estressantes", diz a psicóloga Fátima Maria Marques Pereira Trevisan, que atua como terapeuta de família e casal e psicanalista, de Santo André (SP).

A psicóloga Lidia Weber acredita que, nessa época, todos viram um pouco crianças, então, uma maneira de desanuviar o clima pesado seria fazer brincadeiras familiares, como o amigo-secreto "ladrão" (aquela brincadeira em que cada um leva um presente unissex e cada participante pode "roubar" o presente que mais gostar da roda por até duas vezes).

Ela sugere, ainda, evitar críticas e só falar quanto tiver algo a acrescentar ou que vá fazer o bem a alguém. "Ignore comentários maldosos. Como? A pessoa fala, você sorri e vai fazer outra coisa. Nada de ficar remoendo a raiva ou tentar dar uma resposta ríspida. Mude você a vibração de uma festa meio negativa e mostre disposição para ajudar a levar pratos, lavar a louça, recolher papéis", indica.

Talvez os resultados não sejam os esperados –cultive expectativas realistas, lembra?– nem sequer ocorram esse ano, mas pequenas ações terão efeitos nos próximos Natais e até nas relações familiares daqui por diante.

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