Equilíbrio

Escrever sobre si mesmo acalma e estimula a memória

Chris Gash/The New York Times
Ao escrever nossa história identificamos o que está no caminho de uma saúde melhor imagem: Chris Gash/The New York Times

Tara Parker Pope

The New York Times

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"Essas intervenções escritas podem realmente incentivar as pessoas que tem um modo de pensar defensivo a adotar um ciclo mais otimista", afirma Timothy D. Wilson, professor de Psicologia da Universidade da Virgínia e principal autor do estudo da Duke.
 
Wilson, autor do livro "Redirect: Changing the Stories We Live By" ("Redirecione: mudando as histórias que vivemos", em tradução livre), lançado este mês nos Estados Unidos, acredita que apesar do fato de escrever não resolver todos os problemas, pode definitivamente ajudar as pessoas a lidar melhor com a vida.
 
"Escrever força as pessoas a reconstruir o que as está preocupando e encontrar novos sentidos nisso", avisa ele.
 
Grande parte do trabalho de escrita expressiva foi chefiado por James Pennebaker, professor de Psicologia da Universidade do Texas. Em uma de suas experiências, ele pediu a universitários que escrevessem por 15 minutos diários sobre um tema pessoal importante ou a respeito de um tópico superficial. Depois de um tempo, os alunos que escreveram sobre suas questões pessoais tiveram menos doenças e foram menos ao centro de saúde dos estudantes.
 
"A ideia é incentivar as pessoas a chegarem a um acordo sobre quem elas são e onde querem ir. Penso em escrita expressiva como uma correção de curso de vida", diz Pennebaker.
 
No Johnson & Johnson Human Performance Institute (Instituto Johnson & Johnson de Performance Humana), foi pedido a clientes que identificassem seus objetivos e depois escrevessem sobre a razão de ainda não terem atingido essas metas.
 
Assim que o cliente escreve suas velhas histórias, pede-se que reflita sobre ela e edite a narrativa para chegar a uma avaliação nova e mais honesta. O instituto ainda não possui dados de longo prazo, mas a intervenção já produziu fortes resultados circunstanciais.
 
Em um exemplo, uma mulher chamada Siri escreveu inicialmente em sua "velha história" que queria melhorar fisicamente, mas, como era arrimo de família, precisava trabalhar muitas horas e já se sentia culpada por causa do tempo que passava longe de seus filhos.
 
Quando incentivada, ela finalmente reescreveu sua história, baseada nos mesmos fatos, mas com uma avaliação mais honesta sobre os motivos pelos quais não fazia exercícios.
 
"A verdade é que não gosto de fazer ginástica e não dou valor suficiente para a minha saúde. Eu uso meu trabalho e meus filhos como desculpa para minha falta de atividade física", afirmou.
 
Intrigada pela evidência que respalda a escrita expressiva, decidi tentar por mim mesma, com a ajuda de Jack Groppel, cofundador do Human Performance Institute.
 
Como Siri, tenho várias explicações para por que não encontro tempo para me exercitar. Mas assim que comecei a escrever meus pensamentos passei a descobrir que, se mudar minhas prioridades, terei tempo para a ginástica.
 
"Quando você chega a esse confronto com a verdade do que é importante para você, isso cria uma maior oportunidade para mudança", avisa Groppel.
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