Sexo

Acredite: fantasia sexual com dinossauros existe

Yannik D´Elboux

Do UOL, no Rio de Janeiro

À primeira vista, pode parecer estranho imaginar que alguém alimente fantasias sexuais com dinossauros, dragões e lobisomens. Porém, esses desejos aparentemente incomuns encontraram um mercado fértil na literatura erótica, pelo menos nos Estados Unidos.

Só no site da Amazon, uma das maiores livrarias online do mundo, aparecem quase 300 resultados para a busca sobre erotismo com dinossauros. Se a pesquisa é ampliada para "monster erotica", termo genérico para o pornô literário com as mais diversas criaturas, as ofertas passam dos 4.000 títulos em inglês. Ainda não há obras do gênero em português.

Apesar da ideia beirar o surreal, essas fantasias não são uma novidade. O psicólogo Ítor Finotelli Júnior, secretário geral da Sbrash (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana), lembra de alguns casos marcantes, que revelam o interesse e o prazer humano pelo desconhecido. "A história do boto cor-de-rosa, na cultura brasileira, ou o 'Crepúsculo', nos cinemas, fornecem exemplos dessas ligações", cita.

Em vários dos livros eróticos com dinossauros e dragões, os personagens surgem retratados como fortes, poderosos, sedutores, dominadores e, na maioria das vezes, dotados de membros enormes ou até com mais de um órgão sexual. As heroínas (quase sempre são mulheres) acabam ficando indefesas diante de tanto prazer.

"Todas as criaturas são representantes do macho alfa, sempre extremamente fortes e perigosas”, diz o psicólogo Maurício Amaral de Almeida, formado pelo Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) e que desenvolve estudos na área de sexualidade humana e comunidades fetichistas.

Almeida observa que esses livros que viraram moda nos Estados Unidos, principalmente a partir de 2013, seguem uma estrutura bastante similar à maioria dos romances eróticos femininos. "Os dinossauros e os vampiros são tão ficcionais quanto o Christian Grey [personagem da trilogia 'Cinquenta Tons de Cinza']”, analisa.

Curiosidade ou excitação?

Quando os novos gêneros eróticos ganharam popularidade, vários leitores foram em busca dos livros apenas por curiosidade ou para se divertir com as histórias fantásticas. Entretanto, alguns, como Orry Benavides, 39, gerente de operações em Nova York, nos Estados Unidos, surpreenderam-se com os textos.

"Sinceramente, era melhor escrito do que eu imaginava. As autoras construíram um universo em que parecia possível para um dinossauro fazer sexo com uma mulher", conta. Apesar de ter se deparado com uma história plausível em "Mating with the Raptor" (Acasalamento com o Raptor), de Alara Branwen e Christie Sims, Benavides ainda não entende como as pessoas podem achar o tema erótico. "O conceito é bizarro demais para eu considerar sensual", explica.

Como também escreve livros sob o pseudônimo feminino Aurora Zahni, seu hobby nas horas vagas, saber mais sobre esse novo fenômeno de vendas na internet também foi uma das motivações de Benavides para a leitura. Esse mesmo interesse fez Amy Ennis, 41, professora universitária de escrita criativa e romancista, que mora na Louisiana (EUA), comprar o e-book erótico "Taken by The T-Rex" (Levada pelo T-Rex), das mesmas autoras.

Mas, diferentemente de Orry Benavides, Amy achou o livro estimulante. "Foi sexualmente excitante ler porque é um tema completamente proibido", revela. Porém, ela brinca com o fato de que a leitura não a faz pensar agora em um T-Rex (Tiranossauro Rex, espécie de dinossauro) como um ser sexy ou sexual. "Eu vi o livro como uma maneira segura de praticar uma fantasia proibida. No meu caso, não foi tanto uma fantasia, mas um cenário proibido", diz.

Para Amy, o maior problema no livro que leu não estava relacionado ao sexo bestial, que não a incomodou tanto quanto o fato de o dinossauro ser muito jovem na história. "Achei isso mais perturbador do que as relações entre humanos e animais", lembra.

Renda extra

Com mais de 40 títulos em torno de sexo com dinossauros, Alara Branwen, pseudônimo de uma norte-americana na faixa dos 20 anos que não revela sua identidade, é a autora que mais explorou o tema.

Além dos livros já citados, alguns dos seus trabalhos mais populares são: "In the Velociraptor´s Nest" (No Ninho do Velociraptor), "Dino Park After Dark" (Parque dos Dinossauros Depois do Anoitecer), "Taken by the Pterodactyl" (Levada pelo Pterodáctilo) e "Ravished by Triceratops" (Violentada pelo Triceratops).

O interesse por literatura erótica e a falta de dinheiro típica de uma jovem dessa idade levaram a garota a investir seu tempo nas histórias de sexo e fantasia. "É divertido e sempre achei excitante criar mundos e personagens sensuais", diz em entrevista ao UOL Comportamento.

Apesar de ser a autora mais popular no gênero, em coautoria com a amiga Christie Sims (também nome fictício), Alara conta que não foi a sua criadora. "Muitas pessoas me mostraram vários exemplos desse gênero, que datam desde os anos 1960", conta. Segundo ela, os livros digitais, geralmente com uma média de 20 páginas, ajudam a garantir uma boa renda.

A facilidade de se autopublicar em lojas virtuais, como a Amazon, sem praticamente nenhum custo, faz com que outras pessoas sigam o mesmo caminho. Thea Night, pseudônimo de uma estudante universitária de Los Angeles, na Califórnia (Estados Unidos), começou a publicar livros eróticos sobre dragões em novembro do ano passado.

Apesar do pouco tempo na nova atividade, os e-books, como "Taken by the Dragons" (Levada pelos Dragões) e "Dragons and Virgins" (Dragões e Virgens), segundo ela, rendem mais dinheiro do que o seu salário como funcionária de uma livraria.

"Fiz algumas pesquisas, li livros eróticos para me inspirar e percebi que realmente gosto do gênero 'monster erotica', mais especificamente erotismo com dragões, que é bastante popular", conta Thea sobre como começou o trabalho. Apesar da empolgação inicial com dragões, a jovem agora está escrevendo sobre lobisomens.

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