Vida no trabalho

Faça dez perguntas a você mesmo antes de mudar de profissão

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Mudar de profissão é uma decisão que não pode ser tomada por impulo imagem: Getty Images

Louise Vernier e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

Está infeliz com a sua atual função e cogitando trocar de profissão? Tomar uma atitude por impulso pode não resolver a sua insatisfação e ainda trazer mais frustração. A seguir, destacamos em dez perguntas alguns fatores que você precisa avaliar para saber se está realmente preparado para a mudança

1. Qual é o motivo da insatisfação?

Clima organizacional ruim, relacionamentos desgastantes com colegas, chefes opressores e mercado instável podem provocar descontentamento e afetar o desempenho profissional. Mas essas situações são, muitas vezes, passageiras. Então, cuidado para não se precipitar. Por outro lado, se a sua insatisfação estiver ligada à vocação, dificilmente uma mudança de cenário será capaz de lhe trazer contentamento.

"A insatisfação, geralmente, está atrelada à percepção de que estamos exercendo uma função que já não traz mais nenhum prazer", explica Jânio Carlos Soares de Souza, professor de psicologia do Curso de Formação Gerencial do Sebrae – Itaúna (MG). "E, com o passar do tempo, se nada for feito, a frustração se agravará", afirma. Se é esse o caso, vale a pena pensar em mudar de profissão.

2. Posso exercer outra função sem mudar de área?

É possível atuar de diversas maneiras na mesma área e exercer outra função pode ser uma alternativa. "Conheça outras possibilidades, pois, muitas vezes, a insatisfação se resolve com a mudança de função, sem que seja necessário trocar de carreira", declara Laís Passarelli, psicóloga do trabalho pela USP (Universidade de São Paulo) e sócia-diretora da Passarelli Executive Search.

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3. Tenho condições de me sustentar durante a transição?

Ter um pé de meia para arcar com as despesas fixas e imprevistos é indispensável na fase de transição profissional. "Com uma boa reserva financeira, a pessoa dificilmente será pega de 'calças curtas' caso ocorra alguma dificuldade. E as chances de passar aperto enquanto a segunda carreira não engrena serão menores”, diz a psicóloga do trabalho Laís Passarelli. Por isso, se sua poupança não está gordinha, planeje-se melhor antes de agir.

4. Estou disposto a alterar o meu padrão de vida?

Sacrifícios quase sempre fazem parte da jornada de quem almeja uma mudança profissional radical. Mas nem todo mundo está disposto a abrir mão de alguns privilégios conquistados até conseguir obter sucesso na nova carreira. É o caso de cortar jantares em restaurantes, vender o carro, tirar as crianças da escola particular ou voltar a morar na casa dos pais.

“As pessoas devem refletir se estão preparadas para enfrentar os desafios que geralmente acompanham as mudanças”, declara Sylvia Inácio da Costa, coordenadora do Curso de Gestão de Recursos Humanos da Anhembi Morumbi. “Se essa análise não for feita de maneira consciente, ao longo do tempo outros problemas poderão aparecer", afirma.

5. Tenho talento para exercer a nova atividade que escolhi?

Para não continuar infeliz e frustrado, mesmo seguindo outro rumo profissional, é fundamental avaliar se você tem competência e aptidão para exercer as tarefas que a nova profissão exige. "A pessoa precisa conhecer os seus pontos fortes e fracos, saber do que gosta ou não e, com base nessas informações, analisar se a nova atividade combina com ela", relata a orientadora vocacional Danielle Horoi, psicoterapeuta analítica pelo Instituto Sedes Sapentiae.

Também é válido pedir ajuda de amigos ou de um especialista nesse momento. “Muitas vezes, o profissional se considera muito bom para desempenhar determinadas funções, mas não é. Quem está de fora pode contribuir com outras perspectivas e ajudá-lo a tomar uma decisão mais acertada”, diz a psicóloga do trabalho Laís Passarelli.

6. Como está o mercado da atividade que escolhi?

Procure informações detalhadas a respeito da profissão que almeja exercer e acerca da situação do mercado de trabalho. “Acesse os portais de institutos e empresas que oferecem vagas. Hoje em dia, existem até redes e aplicativos específicos para promover intercâmbios profissionais”, afirma o professor Jânio Carlos Soares de Souza. Leia reportagens e converse com profissionais da área em que deseja atuar. Mas faça essa análise com cuidado, tentando projetar o futuro. Não pense apenas no presente.

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7. Consigo manter as duas carreiras ao mesmo tempo, até que a segunda engrene?

Desempenhar duas funções não é fácil, mas não é impossível. Para a professora Sylvia Inácio da Costa, o fundamental é que o indivíduo avalie o quanto está preparado para abrir mão de outras atividades e dedicar-se quase que exclusivamente ao trabalho, ainda que por um tempo. “Leve em conta a carga horária das duas atividades e verifique se é possível adaptá-las, equilibrando descanso, lazer e família”, afirma a orientadora vocacional Danielle Horoi.

8. Preciso me especializar para exercer a nova atividade?

“O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e não haverá espaço para quem não se atualiza, qualquer que seja a área”, afirma o professor Jânio Carlos Soares de Souza. Matricular-se em um curso aumenta a probabilidade de encontrar pessoas que já atuam na área para a qual você deseja migrar e que poderão trazer ainda mais informações sobre o mercado e a nova profissão.

9. Estou preparado para lidar com a transição?

Começar uma nova carreira também poderá implicar assumir uma posição inferior em relação à atual É verdade que, com um bom planejamento, é possível aumentar as chances de conquistar resultados mais rápidos. “Manter uma boa rede de relacionamentos é fundamental, pois até mesmo um colega poderá reconhecer o talento do outro, comentar com alguém influente e ajudar a promovê-lo na nova área”, afirma a psicóloga do trabalho Laís Passarelli.

10. Quais são as minhas expectativas com relação à nova atividade?

Trocar de profissão para agradar aos familiares ou porque a nova carreira traz status ou um retorno financeiro superior pode ser um 'tiro no pé'. “Fazer aquilo que você gosta gera comprometimento, disposição e, consequentemente, resultados. E são os bons resultados que atraem a atenção dos superiores”, afirma o professor Jânio Carlos Soares de Souza. “Conhecer bem a profissão e se autoconhecer é uma boa maneira de evitar decepções com a nova carreira”, afirma a orientadora vocacional Danielle Horoi.

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