Relacionamento

Respeite a profissão do par e evite problemas na sua vida amorosa

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Se você já teve problemas no seu relacionamento por causa de questões profissionais, conte sua história no campo de comentários desta página imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Na teoria, vida pessoal e profissional não devem se misturar, certo? Na prática, manter o equilíbrio entre essas duas esferas tão importantes na vida é tarefa árdua. Mais espinhoso ainda é harmonizar o próprio trabalho com o do par. Horários que não coincidem, excesso de viagens e ciúme dos colegas são alguns dos problemas que costumam rondar a vida a dois.

A questão é que nem sempre é possível escolher o trabalho, assim como se envolver com alguém cuja profissão caiba direitinho nos seus sonhos. "Para lidar com os dilemas, é importante que o casal saiba qual é o seu projeto de vida em comum. Em alguns momentos, é possível que um tenha de se sacrificar mais profissionalmente e o outro vai ter de entender", diz o cientista social Roberto Louzada, que é doutor em educação escolar pela Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), onde atua como professor e pesquisador.

O trabalho do seu parceiro incomoda você?

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Confira quais são os principais problemas que costumam acometer alguns casais e veja dicas para lidar melhor com eles:

Problema: os horários de trabalho do casal não batem
Quando os horários de trabalho não coincidem, o casal se vê pouco. E não conseguir passar muito tempo juntos costuma ser encarado como um grande problema, já que a presença física, a companhia em reuniões familiares e eventos sociais, a divisão nas tarefas domésticas e o convívio cotidiano contribuem para o desenvolvimento da intimidade.

Para Maria Helena Saleme, coordenadora do curso Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo (SP), primeiro é preciso abandonar a ideia de que, em uma relação, os dois precisam se transformar em um. "Existe um pressuposto de que as pessoas precisam estar juntas em tudo, mas cada um deve desfrutar do momento em que as agendas coincidem. É preciso aprender a curtir, também, o momento que estão separados", afirma.

De que maneira os casais passam o tempo juntos é mais importante do que a quantidade de horas. Ambos devem curtir o momento em que se encontram para fazer algo prazeroso, como tomar café da manhã juntos, fazer sexo, caminhar.

Na opinião da psicóloga e terapeuta familiar Rosicler Santos Bahr, coordenadora do Intercef (Instituto de Terapia e Centro de Estudos da Família), em Curitiba (PR), telefonemas e mensagens ao longo do dia ajudam a diminuir a saudade. "As pessoas se sentem lembradas, queridas e importantes", diz. "Compartilhar a rotina, mesmo que à distância, pode ajudar o casal", diz.

Problema: um dos dois viaja muito a trabalho
Segundo Rosicler Bahr, esse é mais um dos aspectos que mais provocam estresse nos relacionamentos. "Quem fica tem a sensação de abandono ou de que o par está fora a passeio. Quando quem viaja chega, pode estar tão cansado que prefere descansar a passear no fim de semana", exemplifica a psicóloga. "Quando o estilo e ritmo do casal são estabelecidos por apenas um dos cônjuges, é natural que o outro se sinta em desvantagem".

Em casais com filhos, a mágoa é estabelecida pelo sentimento de responsabilidade acumulada. Os filhos, naturalmente, desenvolverão uma proximidade maior com quem fica mais em casa, enquanto aquele que viaja se ressente, em muitas situações, de ser visto como um estranho em sua própria casa.

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Problema: um não gosta dos colegas de trabalho do outro
É comum que as pessoas façam programas com colegas de trabalho nos finais de semana. E é compreensível que você não goste dos companheiros do par, mas o que é inaceitável é tentar determinar as amizades do outro. "Deve existir, acima de tudo, respeito pelas diferenças", afirma Maria Helena.

Gostos e estilos diferentes costumam criar antipatia, mas, de acordo com Rosicler Bahr, indivíduos inseguros, com histórico de abandono familiar ou em relacionamentos anteriores, se sentem ameaçados por cada pessoa que faz parte do círculo social do parceiro, não só pelo medo da sedução, mas porque colegas podem desviar a atenção de quem amamos para outros interesses. 

Faça uma reflexão sobre o que é real e o que faz parte dos seus "fantasmas interiores" e que são projetados no relacionamento, provocando conflitos sem fundamento.

Problema: um acha que o outro é desvalorizado no emprego
Embora uma profissão defina, sim, quem somos, é preciso desmistificar a ideia de que empresa boa é aquela que combina exatamente com o nosso jeito. "Isso não existe. Raramente alguém trabalha em um lugar do qual gosta de tudo. Então, filtre as reclamações do par e pare de enxergá-lo como um ser perfeito e injustiçado", fala Roberto Louzada, da Unesp.

Procure entender como o parceiro se sente com relação ao trabalho. Dialogue e respeite suas decisões, oferecendo apoio. Tentar colocar lenha na fogueira, destacando tudo o que chefe e colegas fazem de errado, não colabora. Todos os envolvidos são adultos e devem resolver suas pendências na empresa.

Roberto fala que existem diferentes maneiras de fazer comentários. Uma coisa é dizer que o parceiro parece sobrecarregado, outra é chamá-lo de "burro de carga". É necessário, também, respeitar as decisões alheias. O emprego foi escolhido pelo par. Mesmo que não houvesse outra opção, ainda assim, ele preferiu estar empregado a continuar a mandar currículos, por exemplo. Em vez de criticar o que acredita estar errado, incentive a pessoa a buscar novas oportunidades e se aperfeiçoar.

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Problema: um tem ciúme do emprego do outro
As razões podem ser muitas, como quando o par lida com o público ou trabalha com pessoas atraentes. Mas, se o relacionamento for baseado na confiança, não há o que temer. "Se você policiar o outro e tentar atrapalhar suas possibilidades por medo de perdê-lo, provavelmente, o perderá", fala Maria Helena.

Para Rosicler, é comum, entre pessoas com baixa autoestima, que os resultados profissionais conquistados pelo par apontem o que elas não conquistaram nem realizaram, gerando sentimentos de inferioridade e incapacidade, afetando mais ainda a já vulnerável autoimagem.

"Para eliminar a dor, a saída é desqualificar o que a pessoa conseguiu. Assim, não se sentirão tão pequenas no relacionamento", explica. Quanto mais nos conhecermos com relação aos nossos lados vulneráveis –dificuldades, habilidades não conquistadas, relacionamentos familiares disfuncionais, mais poderemos ter consciência dos nossos comportamentos. E naturalmente poderemos administrar estes momentos disfuncionais em nossa relação afetiva, porque saberemos que estamos em momentos de vulnerabilidade.

Já Roberto Louzada diz que muitas pessoas conhecem os parceiros em determinados empregos e os aceitam no início, mas, conforme a relação vai se firmando, tendem a se incomodar com certas coisas. “É preciso se acostumar com a ideia. A pergunta não é como o parceiro vai lidar com suas preocupações, e sim como você vai aprender a lidar com isso. É preciso ter maturidade para viver a dois, com tudo o que isso implica”, diz.

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