Comportamento

Quando os funcionários não respeitam o chefe, o erro é dele

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Não ser claro e objetivo ao definir procedimentos é um dos principais erros dos chefes imagem: Getty Images

Rita Trevisan e Suzel Tunes

Do UOL, em São Paulo

Se as determinações do chefe não são cumpridas, em geral, a culpa é dele mesmo. O diagnóstico é simples: despreparo para liderar uma equipe, mas o problema tem cura. "O potencial de liderança precisa ser aprimorado continuamente, com especial atenção para a sua principal ferramenta, que é a comunicação. O líder precisa saber falar e ouvir", diz Mara Beckert, professora dos cursos de MBA da FGV Management. Ela afirma que diversos erros cometidos pelos gestores estão relacionados à habilidade de transmitir mensagens claras, objetivas e coerentes aos subordinados. Mas ainda há outros, que podem ser facilmente corrigidos. Conheça, a seguir, os mais comuns.

1º erro: não dar o exemplo

Os funcionários tendem a não seguir as recomendações do chefe quando não sentem confiança nele. Esse descrédito pode estar relacionado à percepção de que o gestor não pratica aquilo que defende. "Essa conduta cria um clima de insegurança. E, pior, quem age assim corre o risco de perder vários talentos para o mercado, pois um dos principais motivos de pedidos de demissão é a falta de confiança nos gestores", diz Mara. Assim, se deseja que seus funcionários cheguem sempre no horário, por exemplo, você não pode se atrasar.

2º erro: não saber ouvir

Se suas orientações não estão sendo acolhidas, provavelmente você não está ouvindo seus funcionários. Chamá-los para dar recomendações ou exigir aprimoramento da performance e dos resultados é válido. Mas, se nessas ocasiões não for possível permitir que as pessoas deem suas opiniões e expressem suas vontades, crie outras em que elas possam contribuir.

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3º erro: não oferecer desafios à equipe

Para motivar funcionários, o gestor deve desafiá-los continuamente, envolvendo-os em novos projetos, por exemplo. Criar um ambiente de aprendizagem ajuda. Não estabelecer metas para a equipe e para cada um dos subordinados é outro problema que leva à falta de engajamento. "A desmotivação também acontece por falta de referencial. Todos precisam compreender o que a empresa espera. O pior tipo de gestor é aquele que não atua com a equipe, está sempre ausente e só aparece para criticar os resultados", afirma Mara.

4º erro: desafiar demais

Outra situação comum é a sobrecarga de trabalho, quando as metas e agendas propostas são impossíveis de serem cumpridas. "A equipe fica extremamente desmotivada quando percebe que o que está sendo exigido não pode ser feito e quando não há espaço para propor mudanças", diz Mara.

5º erro: usar sempre o mesmo canal de comunicação 

De acordo com a programação neurolinguística --metodologia que busca o aprimoramento da comunicação e desenvolvimento humano-- existem pessoas que têm mais capacidade de ouvir, outras que respondem mais aos estímulos visuais e as cinestésicas, que precisam do toque para assimilar uma informação. Na dúvida, use todos os recursos possíveis para se comunicar com seus subordinados.

Além de falar, recorra a elementos gráficos e tente mostrar como aplicar a teoria, colocando a mão na massa. "Pense em dinâmicas criativas, capazes de sensibilizar as pessoas. Às vezes, propor uma atividade prática de alguns minutos traz mais resultados do que falar durante horas", explica Mara. É preciso levar em conta que, na equipe, as pessoas vão reagir de maneiras diferentes diante de um mesmo estímulo. "O gestor tem de conhecer bem seus funcionários para identificar o que funciona melhor para cada um" diz Claudia.

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6º erro: não ser claro e objetivo ao definir regras e procedimentos

Para poder cobrar resultados de seus subordinados, o gestor precisa ser objetivo, apresentar regras claras e, se possível, indicadores de desempenho. "O primeiro passo é mostrar a importância da norma ou pacto estabelecido, o impacto que isso gera na equipe e na empresa. O segundo é deixar claros os limites entre o que é negociável e o que não é. O gestor precisa deixar isso claro, logo no início", diz Mônica Hauck, pesquisadora em cultura organizacional, com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. 

7º erro: não confiar em si mesmo

O chefe inseguro tem dificuldade de impor limites. "Ele acha que, se disser 'não' à equipe será impossível manter um bom relacionamento com ela. Mas, às vezes, a liderança é solitária, há de fazer o que tem de ser feito, independentemente da aprovação dos outros. Aliás, se o líder tem necessidade da aprovação de seus subordinados, isso é um grave problema”, afirma Mônica.

A especialista fala que a socialização e o coleguismo são importantes, desde que não atrapalhem a eficiência. “Um bom começo, para mudar essa realidade, é investir no autoconhecimento. O gestor que se conhece usa o que tem de melhor e, assim, consegue mostrar sua autoridade, não só pelo comando, mas pelo bom exemplo, que é uma estratégia muito mais poderosa de convencimento. O líder que inspira, em geral, consegue maior engajamento”, explica Mônica.
 

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