Comportamento

Não deixe o cansaço e a preguiça estragarem a vida sexual

Orlando/Arte UOL
Mais vale aproveitar uma rapidinha do que esperar uma noite tranquila e não transar imagem: Orlando/Arte UOL

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

Depois que a fase da paixão passa –período que dura, em média, dois anos–, é natural que a vontade de transar diminua em relacionamentos estáveis, principalmente quando o casal divide o mesmo teto. “Ninguém deveria deixar isso acontecer, mesmo que, aparentemente, esteja tudo bem. O sexo une muito o par e é essencial para o relacionamento se manter interessante”, declara Carolina Ambrogini, ginecologista e coordenadora do Projeto Afrodite do Departamento de Ginecologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Casais que atravessam fases complicadas ou turbulentas na união –nascimento de um bebê, filhos pequenos ou quando um dos dois está doente– têm mesmo a sexualidade comprometida, mas, hoje em dia, a falta de disposição sexual é uma queixa comum entre casais jovens e sem problemas.

Para a psicóloga Andrea Seixas, professora-adjunta da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro e pesquisadora dos temas família, casal e conjugalidade, mais do que preguiça, homens e mulheres estão sendo muito cobrados nos diversos papéis que desempenham –como pais, profissionais, filhos, amigos–, o que tem feito que se sintam desestimulados em relação ao sexo.

“A sociedade cobra excelência, e tanta pressão faz com que as pessoas se sintam esgotadas. Depois de um dia estressante, quando o casal se encontra, quer mais é descansar, e não compartilhar momentos juntos”, afirma Andrea.

Racionalizar

Para a ginecologista Carolina, uma maneira de reverter a situação é abandonar a velha crença de que sexo bom é espontâneo, ardente e passional. “É preciso pensar e agir de forma racional. Como? Agendando mesmo o sexo. Virando para o outro e perguntando: ‘amanhã, tal horário, podemos transar?’. Se os dois ficam aguardando a vontade surgir, o mais provável é que queiram mesmo virar para o lado e dormir”, fala.

Cibele Fabichak, mestre em fisiologia pela Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e autora do livro “Sexo, Amor, Endorfinas & Bobagens” (Ed. Novo Século), brinca que o desejo não cai do céu direto para a cama.

“O desejo precisa ser cultivado. O casal deve criar oportunidades para aumentar seu potencial erótico. Meu conselho é que lutem contra a situação fisiológica do cansaço, do estresse e da preguiça, e comecem estimulando um ao outro”, declara.

É como quando a gente se sente desmotivado a praticar alguma atividade física: basta começar para, pouco tempo depois, se acostumar e terminar com uma deliciosa sensação de bem-estar. As responsáveis são as endorfinas, neurotransmissores que promovem o prazer.

Ainda segundo Cibele, o sexo libera ocitocina –hormônio que estimula os neurônios localizados nas regiões do cérebro ligados à emoção, ao prazer, à confiança e ao vínculo afetivo.

Quanto mais faz sexo, mais vontade o casal vai ter de fazer. E isso não tem a ver com quantidade e, sim, com qualidade. Mais vale aproveitar cinco minutos para uma rapidinha do que esperar uma noite tranquila, e não transar nunca.

É necessário ainda que o par encontre suas próprias estratégias para desfrutar o sexo, sem se comparar com outros casais ou tentar se adequar às expectativas da sociedade do que seria uma vida sexual saudável.

Exemplos? Variar ou inventar tipos de preliminares, transar no horário de intervalo para almoço, encontrar um ritual que os estimule antes de ir para a cama, como um banho juntos. Até mesmo praticar exercícios a dois fortalece o vínculo. “E o sexo também começa pela expectativa”, fala Carolina. “Pensar no assunto e trocar mensagens ao longo do dia sobre o que pretendem fazer são atitudes que alimentam o desejo.”

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