Comportamento

Livro traz lições sobre como falar de morte com os pais

New York Times
Na publicação, autor relembra conversas que teve com a mãe sobre a morte imagem: New York Times

Steven Petrow

Do The New York Times

 

Há muita preocupação hoje sobre a importância de ter “A Conversa” –não aquela que os pais constrangem os filhos adolescentes, mas a que fugimos de ter com nossos pais que estão ficando velhos ou com doenças terminais. Aquela sobre a morte e sobre morrer.

Scott Simon, apresentador do programa “Weekend Edition Saturday”, da rádio NPR, mostra-se um guia habilidoso para a hora de dizer adeus em seu novo livro de memórias profundo e tocante: “Unforgettable: A Son, a Mother, and the Lessons of a Lifetime” (“Inesquecível: um Filho, uma Mãe e as Lições de uma Vida”, em tradução livre).

A conversa de Simon –com sua mãe e com o público– começou como uma série de tweets no verão de 2013. Logo que sua mãe foi internada em uma UTI (Unidade de Cuidados Intensivos) em Chicago, Simon mandou para seus 1,2 milhões de seguidores no Twitter: “Mamãe ligou: ‘Não posso falar agora. Estou cercada de homens bonitos’. Cirurgia de emergência. Se puderem, pensem nela nesse momento.”

Nos dias seguintes, enquanto ia ficando claro que sua mãe de 84 anos estava morrendo de câncer de pulmão, as mensagens de Simon deram a seus seguidores um lugar ao lado da cama onde acontecia a despedida dos dois. Suas conversas eram emotivas e interessantes, muitas vezes instrutivas. Uma ex-corista que se casou três vezes, Patricia Lyons Simon Newman Gelbin (“um nome comprido como um trem”, dizia ela) sabia como cativar o público, mesmo no final da vida.

“Como dois velhos comediantes, não precisamos chegar às piadas para rir”, escreve ele. Mas logo –depois da terceira interpretação de “Que Sera, Sera” no quarto do hospital– fica óbvio que eles estão focados no que é, e sabendo muito bem o que será.

Simon talvez não tenha percebido que estava se juntando a uma conversa nacional sobre morrer e a morte. Mas muitos dos seus ouvintes e seguidores o elogiaram por dividir os momentos anteriores ao falecimento de sua mãe nas redes sociais; a memorialista Meghan O´Rourke disse depois que ele havia criado “um tipo de espaço público” para o luto.

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Nem todo mundo aprovou o uso de um espaço público para representações tão íntimas da doença e da morte. Muitos disseram que as mensagens violaram a privacidade de sua mãe. “Minha mãe não era uma violeta murchando. Ela sabia que estava nos fornecendo um material incrível. Não acredito que nada que escrevi, na época ou agora, tenha violado sua privacidade”, escreve Simon.

Nos últimos dois anos, outros defensores do debate sobre o fim da vida se uniram a Simon ao usar as redes sociais para reafirmar sua bandeira. Brittany Maynard, diagnosticada com um câncer cerebral terminal, passou seus últimos meses criando uma série de vídeos desoladores, mas instrutivos, no YouTube, para impulsionar o movimento pró-opções no final da vida.

Lisa Bonchek Adams, que morreu de câncer de mama no começo deste ano, escreveu milhares de posts em seu blog e no Twitter sobre sua doença. Em parte por causa desses esforços, cinco Estados hoje permitem que pacientes terminais escolham como e quando acabar com a própria vida.

“As rede sociais oferecem às pessoas um lugar socialmente aceitável para falar da morte, e alguém com uma voz que é respeitada e ouvida está dando a elas permissão para discutir uma coisa que é um tabu”, escreveu Carla Sofka, editora de “Dying, Death, and Grief in an Online Universe” (“Morrer, a Morte e o Luto no Universo Online”, em tradução livre), que acredita que esses movimentos iniciaram uma conversa muito necessária.

Mas “Unforgettable” também traz lições maiores de como abordar esse capítulo desafiador da vida, que –infelizmente– parece novo, não importa quantas vezes a pessoa tenha que lidar com as perdas. (Eu acho que o coquetel de Simon, uma mistura de humor, honestidade e compaixão, é um tônico poderoso para me ajudar a lidar com minha mãe de 83 anos, que também tem câncer de pulmão.)

A primeira delas é simplesmente falar, reconhecer a iminência da morte e a tristeza da perda. A chamada para a honestidade, apesar de não ser nova, é libertadora, especialmente na voz empática de Simon. As pessoas que estão morrendo devem ter a chance de aceitar sua própria morte, e nós, que estamos ao lado da cama, também temos o direito às despedidas.

Simon descreve de maneira emocionada o momento em que se deitou na cama com sua mãe, passou um braço sob seus ombros e colocou sua mão sobre as delas. Ela chorou, “Ajude-me!”, um pedido de assistência para chegar “ao outro lado”.

Depois que Patricia morreu, vieram as últimas mensagens do filho. “Minha mãe morreu e eu sofri. É uma parte da vida como o amor e os impostos. Por que temos que manter silêncio a respeito do assunto?”, escreve Simon.

Se não ficar mais calado sobre a morte está se tornando algo normal, o “Unforgettable” de Simon transformou-se em um dos principais motivos.

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