Comportamento

Você nunca termina o que começa? Conheça sete passos para mudar

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Nunca terminar o que se começa está relacionado a medos, incertezas e hesitações imagem: Getty Images

Andrezza Czech

Do UOL, em São Paulo

Você costuma ficar pouco tempo trabalhando em uma empresa e logo pula para outra? Sai de um relacionamento assim que ele começa a ficar mais sério? E, na faculdade, trocou de cursos algumas vezes? Se respondeu “sim” a essas perguntas, provavelmente, já se questionou ou foi questionado sobre seu comportamento. Para entender a razão de agir assim e mudar esse padrão, tente fazer um esforço para terminar, ao menos, de ler esta reportagem.

Por que eu?

Fique tranquilo, você não está sozinho. “Nunca terminar o que se começa vai além de um mau hábito. Está relacionado a medos, incertezas e hesitações que uma pessoa pode ter na vida. Ocorre com mais frequência do que se imagina”, diz a psicóloga Sâmia Simurro, mestre em neurociências e comportamento pela USP (Universidade de São Paulo) e vice-presidente de projetos da ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida).

Muitas vezes, o indivíduo age dessa maneira porque tem tendência a se autosabotar. “Há quem esteja quase conseguindo o que queria, mas comece a ver defeitos em tudo. São pessoas que criam muita expectativa, acabam tendo uma decepção e desistem”, diz a professora Denise Pará Diniz, doutora em ciências da saúde e coordenadora do Setor de Gerenciamento de Estresse e Qualidade de Vida da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Segundo Denise, a ansiedade também pode ser um dos fatores que levam alguém a começar uma atividade e não conclui-la. “Até certo nível, ser ansioso pode ser adequado para atingirmos certas metas. O problema é quando começa a comprometer o indivíduo”, afirma.

Sonhadores

O receio de crescer, correr riscos e se frustrar também pode ser o causador da desistência. “Tem gente que faz uma faculdade, depois outra, e nunca assume a vida adulta. Nesse caso, pode ser imaturidade e não ansiedade”, diz a professora da Unifesp Denise.

 

De acordo com a psicóloga Blenda de Oliveira, psicanalista pela SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo), é comum que a resistência à maturidade faça a pessoa interromper tudo pela metade na tentativa de evitar qualquer sofrimento. O problema é que a desistência crônica também se torna uma frustração.

“Ao interromper tudo, acumula-se ao longo da vida uma sensação de incompletude, e a pessoa começa a duvidar da sua capacidade, porque não vê nada realizado”, afirma a especialista.

Para Blenda, a dificuldade de amadurecer pode estar ligada a um discurso muito comum que as últimas gerações têm ouvido: aquele que afirma que o importante é sermos felizes o tempo todo.

A psicóloga afirma que, como hoje há maior possibilidade de se preparar profissionalmente, é comum encontrar jovens com belíssimos currículos, mas sem maturidade emocional para encarar cada degrau da vida profissional. “Vemos muitas pessoas adultas infantilizadas, que não lidam bem com o erro, o fracasso, que desistem na primeira decepção”, diz.

Pessoas impulsivas também têm maior tendência a desenvolverem esse tipo de comportamento, segundo Blenda. “São aquelas que pulam fora na primeira frustração, quando como um chefe chama a atenção no trabalho. Há também um pouco do aspecto infantil nelas”, afirma.

Há também aqueles que podem apenas estar em uma fase confusa da vida e que ainda não encontraram aquilo que realmente querem. “Eles podem não ter uma boa autoestima, serem muito sensíveis ou questionadores e buscarem sempre o ideal no trabalho, no relacionamento. São aqueles que sonham muito”, afirma Blenda. 

Conheça sete atitudes para mudar de comportamento

  • 1 - Defina a relevância do objetivo

    A medida vale para escolhas afetivas e profissionais. Além de definir o quão importante a meta é para você, seja seletivo naquilo que se propõe a fazer. Assim evita perder tempo e energia com projetos que não serão finalizados

  • 2 - Tente ser mais positivo

    Só encontrar aspectos negativos em uma tarefa é um grande obstáculo para a finalização dela

  • 3 - Estabeleça prioridades

    Comece pelas metas pequenas até alcançar as grandes. Estime quanto esforço e tempo serão necessários para realizar cada projeto

  • 4 - Esqueça o perfeccionismo

    Muitas pessoas usam o perfeccionismo como desculpa não finalizar as coisas

  • 5 - Pense no resultado final

    Para não perder a motivação ao longo da execução do projeto, mantenha-se concentrado no que fez você se envolver nele

  • 6 - Orgulhe-se de seu progresso

    Às vezes, a pessoa consegue reverter seu comportamento ao se fazer desafios simples, como terminar de ler um livro. Orgulhe-se mesmo de pequenos avanços

  • 7 - Converse sobre o problema

    Para ajudar no processo de reverter o impulso de nunca terminar o que começa, vale conversar com pessoas que ajudem você a se conhecer melhor, desde amigos a um psicoterapeuta

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