Comportamento

Ideal de 'força e poder' faz medo de brochar atingir 64% dos homens

Lumi Mae/UOL
O ideal de 'força e poder' deixa o homem mais preocupado com sua performance imagem: Lumi Mae/UOL

Do UOL, em São Paulo

Uma pesquisa realizada pela farmacêutica Bayer em parceria com a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) revelou que 64% dos homens brasileiros com mais de 35 anos têm medo de brochar. Foram entrevistados 3.200 pessoas em oito capitais do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Curitiba). O levantamento foi feito como uma ação especial para marcar o Dia do Homem, celebrado nesta quarta-feira (15).

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No evento para divulgação dos resultados, nesta terça (14), em São Paulo, a psicanalista Regina Navarro Lins afirmou que a preocupação dos participantes do estudo reflete a opressão imposta pela sociedade patriarcal, que espera um comportamento masculino inabalável em todos os aspectos.

"Para ser macho, o homem deve exibir força, sucesso, poder, coragem e nunca falhar. Alguns ainda perseguem esse ideal, que está diretamente ligado à potência sexual e vai prejudicar esse indivíduo trazendo sofrimento", falou.

Entre outros dados, a pesquisa apontou que o mau desempenho na hora H afeta o relacionamento com a parceira em 33% dos casos relatados, além de causar prejuízos para a autoestima (38%).

Regina Navarro Lins citou o machismo como aliado do patriarcado, no que se refere aos prejuízos à vida sexual masculina. Segundo a psicanalista, o fato de precisar estar sempre com o pênis ereto e gozar a qualquer custo deixa o homem mais preocupado com sua performance no sexo do que em satisfazer quem está ao seu lado.

"Estamos em um movimento de libertação do homem, a partir do qual ele não vai mais precisar ter o papel de machão como seu principal objetivo. Só aqueles que conseguirem se livrar dessas crenças estarão aptos a ter uma relação de troca de prazer com a parceira", disse.

Desleixo com a saúde

Outro objetivo da pesquisa foi chamar a atenção para o bem-estar masculino. Segundo o levantamento, os homens acima dos 35 anos não estão preocupados em ter a saúde em dia.

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Questionados sobre as consultas a urologistas, 51% dos entrevistados disseram nunca ter procurado pela especialidade. A respeito da andropausa –queda da testosterona masculina, que pode ser tratada com reposição hormonal e uma das causas da impotência sexual—, 57% relataram não saber do que se trata.

Para Carlos Sacomani, doutor em urologia pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e diretor de comunicação da SBU, a realidade é preocupante, uma vez que muitos homens acabam se medicando erroneamente ou tendo diagnósticos tardios por não consultarem um médico regularmente, seja ele qual for.

“Setenta e um por cento não conhecem sintomas que podem causar a tão temida impotência sexual e deixam de ir aos consultórios por medo de ter sua virilidade colocada em cheque. Acredito que seja uma questão cultural, mas nunca é tarde para colocar o hábito em prática."

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