Comportamento

Pais contestam cirurgia feita em filho hermafrodita quando bebê

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Para defensores, bebês intersexuais devem crescer e só então decidir sobre o gênero imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

 

MC nasceu com órgãos genitais masculinos e femininos, que incluíam um pênis de dois centímetros, uma pequena abertura vaginal, um testículo, tecido ovariano e testicular e os níveis de testosterona normais para um recém-nascido menino. Quando ainda era bebê, passou por uma cirurgia de reparação e toda a parte masculina foi retirada. Hoje, aos dez anos, a criança se declara um menino. Os pais de MC estão em uma batalha judicial que questiona por que um cirurgião é quem deve decidir a respeito do sexo de uma pessoa. O julgamento está previsto para novembro. As informações são do “Buzzfeed”

Pam Crawford adotou MC há nove anos por meio de um site de órfãos com necessidades especiais. A foto mostrava a então menina em uma cadeira, cabelo preto encaracolado e trançado. Enquanto muitas crianças do local tinham problemas de saúde visíveis, Pam lembra que não conseguia entender as limitações de MC. "Parecia uma garota perfeita", disse ela, recentemente, segundo o “Buzzfeed”.

Quando entrou em contato com o Departamento de Serviços Sociais da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, para saber mais sobre a menina, descobriu sobre a condição do bebê, para a qual existe a nomenclatura técnica de "desordem de diferenciação sexual”. Alguns registros médicos da criança usam “hermafroditismo", um termo mais arcaico.

Cerca de um em cada 2.000 bebês americanos nascem como o filho adotivo de Pam. Os médicos avaliam a genética e fatores anatômicos para saber se aquele indivíduo vai crescer e se identificar como um menino ou uma menina. Então, se os pais concordarem, realizam a cirurgia para fazer sua anatomia se encaixar em tal atribuição de gênero.

Os dados de 2012, ano mais recente registrado, mostra que cirurgiões norte-americanos realizaram pelo menos 2.991 vezes esse tipo de procedimento em pessoas com menos de 18 anos de idade, e 1.759 em crianças com menos de cinco.

Muitos pacientes hermafroditas, pais, juristas e especialistas em bioética se opõem às correções cirúrgicas. Para eles, na maioria dos casos, a cirurgia é desnecessária e pode ser física e psicologicamente prejudicial.

Pam é uma das críticas mais fervorosas. Depois de ouvir sobre a condição de MC, a primeira coisa que ela se lembra de ter dito foi: "espero que não tenham feito uma cirurgia".  Apenas dois meses antes de ver a primeira foto da criança, a cirurgia havia acontecido. Com a proximidade da adolescência, Pam e seu marido, Mark, estão cobrando na Justiça os hospitais e encarregados sociais que decidiram submeter seu filho ao procedimento de reparação.  

Durante décadas, os médicos realizaram cirurgias genitais em bebês e crianças em nome de uma vida mais normal e, em casos raros, para remoção do risco de tumores. Eles afirmam que a maioria dos que se submetem ao processo, bem como seus pais, não se arrependem.

Entretanto, em um momento cultural no qual celebridades “trans” como Caitlyn Jenner e Laverne Cox estão sob os holofotes justamente por levar a público que a identidade de gênero não é uma questão simples, os defensores da intersexualidade estão lutando para obter sucesso na causa. Entre os argumentos, o de que os bebês devem crescer e decidir por si próprios em vez de ter o corpo alterado de uma maneira tão drástica.

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