Comportamento

Atualizada em 21.10.2015 18h23

Agência é acusada de transfobia ao comparar travesti com peça falsa

Reprodução/Facebook
Imagem do calendário "The Shemale Calendar" ("O calendário travesti", em livre tradução) imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

Uma campanha criada pela agência publicitária Leo Burnett Tailor Made causou polêmica nas redes sociais e está sendo acusada de transfobia. A peça publicitária "The Shemale Calendar" ("O Calendário Travesti", em livre tradução do inglês), desenvolvida para a empresa de peças Meritor, tinha o objetivo de reforçar a importância de usar peças originais nos veículos, mas, ao fazer isso, comparava os travestis a peças falsas.

O mote da campanha era “Se não é original, mais cedo ou mais tarde, você sente a diferença”. O calendário foi direcionado aos mecânicos, já que, segundo a descrição do material, esses profissionais compram peças não originais por serem mais baratas.

“Tendo em vista que os mecânicos têm o costume de pendurar nas paredes de suas oficinas calendários com mulheres em poses sensuais, criamos um calendário especial, estrelado por mulheres lindas. Ao final do calendário, mostramos que aquelas mulheres, na verdade, eram homens travestidos, que são mesmo travestis na vida real”, afirmava o descritivo da peça.

O calendário, que, de acordo com a agência, foi distribuído em centenas de oficinas pelo Brasil, recebeu um prêmio e está presente no 39º Anuário do Clube de Criação de São Paulo. A porta-voz da associação sem fins lucrativos afirmou que a premiação é organizada há 40 anos e o clube não interfere nas decisões do júri.

"O objetivo do prêmio é destacar o que há de melhor no mercado. As agências e pessoas físicas inscrevem seus materiais e o clube convida um grupo de jurados. Não há nenhuma interferência no trabalho e na decisão do júri."

Em nota, Marcelo Reis, copresidente da Leo Burnett Tailor Made, afirmou que o calendário foi criado de forma equivocado, mas sem o intuito de ofender ninguém. "Já na primeira semana de distribuição, solicitamos para as oficinas que não fosse fixado nas paredes. A peça foi inscrita no festival do Clube de Criação por uma falha nossa. Somos uma empresa que sempre respeitou e apoiou a diversidade. Peço desculpas e lamentamos o constrangimento causado."

Procurada, a empresa Meritor acredita que um colaborador pode ter aprovado inapropriadamente o uso de seu nome e logotipo na campanha. "No momento, a companhia está se reunindo para levantar detalhes sobre o assunto. A Meritor não apoia campanhas dessa natureza". afirmou em nota.

A imagem com o calendário, que foi originalmente publicado na página do Facebook do 39º Anuário do Clube de Criação de São Paulo, já tem mais de 800 comentários e 600 compartilhamentos, sendo a grande maioria contrário à propaganda. Vários usuários da rede social, inclusive, estão se mobilizando para fazer denúncias ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

Mel Gonçalves, vocalista da banda UÓ e transexual, compartilhou a campanha em sua página no Facebook e mostrou seu descontentamento. “Que absurdo! Que lixo! Que nojo! Não consigo expressar com palavras a revolta que isso me trouxe! Os responsáveis por isso deveriam ser presos! Transfobia, misoginia, deslegitimação e mais uma pá de horrores nessa campanha, que me fez querer vomitar! Brasil, o país onde tudo isso pode ser feito descaradamente!”

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